Cientistas estudam aranhas que respiram debaixo d’água

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Sair do seu próprio ambiente e aventurar-se em outro habitat não é apenas uma característica humana, muito pelo contrário. Alguns animais possuem a façanha de poder explorar outros ambientes, mesmo os lugares mais inóspitos à sua segurança. Entretanto, tio Darwin observa a tudo e a todos e seu bloquinho mostra a lista dos seres que conseguiram sobreviver mediante a silenciosa Seleção Natural.

Um exemplo de adaptação muito vantajosa é o caso da aranha-de-água, que cria uma bolha de ar para funcionar como sino de mergulho, o qual é responsável por fazer trocas gasosas, funcionando como se fosse uma espécie de brânquia.

A Argyroneta aquatica é uma aranha da família Cybaeidae e é encontrada no norte da Europa Central e na Ásia Setentrional. Ela mede entre cerca de 8 e 15 mm de comprimento e é a única aranha que vive permanentemente debaixo de água. Não é à toa que seu nome em latim significa "rede prateada aquática".

Como vocês devem ter percebido, estou falando de um ser das trevas aracnídeo e não de um peixe. Logo, o senso comum diria que se jogar água, a desgraçada iria pelo ralo abaixo, mas não é bem assim. Assim como os peixes, a aranha-de-água também precisa de oxigênio, mas não possui estruturas morfofisiológicas em seu corpo capazes de retirar o oxigênio da água, ou seja, aranhas não possuem guelras e ponto final.

No entanto, a Natureza pouco se lhe dá para o que os animais possuem em suas estruturas. Temos que levar em conta as habilidades dos seres vivos que foram adquiridos e providenciaram uma vantagem evolutiva. Tio Darwin ergueu o polegar e a vida continua. Sendo assim, a nossa amiguinha Argyroneta respira por meio de uma espécie de "sino mergulho".

Tudo começa com a construção de uma teia que funciona como uma cúpula entre as folhas de plantas subaquáticas (já que não teria sentido fazer isso num pessegueiro). Em seguida, nossa amiguinha sobe para a superfície e captura bolhas de ar com o auxílio dos pelos finos em suas pernas e barriga. Depilação até poderia deixá-la mais sexy, mas fatalmente faria com que se afogasse. A aranhinha feliz transporta a bolha de ar capturada para a sua teia e solta-as lá formando uma cúpula de ar. Depois de algumas viagens, "Laracna" acumulou uma bolha tão grande que pode caber dentro.

Depois que a bolha de ar está com um tamanho razoável, a Argyroneta pode usá-la como quartel general, para onde a aranha volta depois da caçada, além de servir como berçário para os ovos. Mas a verdadeira maravilha deste sistema é que ele serve como meio para efetuar trocas gasosas.

Como a concentração de oxigênio na água acaba se tornando maior que dentro da bolha (por motivos óbvios) o gás difunde-se de fora para dentro. Em contrapartida, o gás carbônico sofre difusão de dentro para fora pelo mesmo motivo. Abaixo, temos um vídeo da Argyroneta em ação:

Sabe-se que este sistema é muito eficiente na troca de gases; mas é eficiente quanto? O dr. Roger Seymour, da Universidade de Adelaide, na Austrália, e o dr.Hetz Stefan da Universidade Humboldt de Berlim, em Berlim, descobriram que a criatura das trevas nossa querida aranhinha pode extrair oxigênio até mesmo da mais estagnada das água. Mesmo se levarmos em conta que água estagnada está… bem, está estagnada e não há movimento em sua superfície, dificultando que haja mais dissolução de gases, as bolhas de ar das Argyronetas podem extrair oxigênio suficiente para que nossa heroína fique mais de um dia sem ter que captar mais ar na superfície.

Estudos anteriores sugeriram que a aranha deveria repor sua bolha a cada meia hora mais ou menos. Mas o estudo publicado na Journal of Experimental Biology demonstra que a Argyroneta só precisa fazer isso uma vez por dia, dada a eficiência do transporte de gases da água para a bolha e da bolha para a água. Como nada é perfeito ou foi planejado, a eficiência não é de 100% por dois motivos: a 2ª Lei da Termodinâmica e a presença de nitrogênio no ar. Este último não é absorvido pela aranha e permanece na bolha, só que ele também sofre difusão para fora da bolha, diminuindo o tamanho da mesma consideravelmente, já que o nitrogênio está presente em maior quantidade no ar. Ainda assim, a aranha-de-água pode ficar muito tempo submersa, mesmo nas piores condições de concentração de oxigênio na água, podendo fazer intercursos com uma pequena bolha presa nos pelos de suas patas, para depois voltar à bolha-mãe, até que chegue a hora de pegar mais ar na superfície.

Obviamente, nada disso é verdade, e sim mais uma invenção dos famigerados evolucionistas que querem destruir a moral cristã, além de ter sido copiado de alguma tag de algum aparelho de chá quebrado.

PS. A próxima pesquisa com a Argyroneta será feita na Universidade de Coimbra, onde cientistas portugueses testarão a capacidade auditiva da espécie em contraposição da existência de seus membros.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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  • Thiaguu

    OMG ! 😯 Assisti ao vídeo umas 3x perplexo… que incrível o desenvolvimento da natureza e a evolução brilhante de alguns seres para sobreviverem aos anseios cruéis da Seleção Natural. Realmente fascinante a jornada por oxigênio da Water Spider. Coisas assim que estimulam o pensamento científico (e me dão vontade de aprender mais).
    E olha que tem gente que insiste em questionar isto… claro, vai ver foi Adão quem nomeou esta espécie. Aham…senta lá, Claudia.

    …a aranha sabe mais de física/biologia que eu o.o :mrgreen:

    Administrador André respondeu:

    O nome em inglês é Diving bell spider

  • Já tinha visto essa aranha e a acho impressionante mesmo com essas maravilhas criadas pelo design inteligente da Natureza. Fico muito feliz que a Seleção Natural tenha mantido a nossa amiga referida no artigo. Afinal, não é fácil ela se manter ali.

  • E eu achava que estava livre das aranhas debaixo d’agua.

  • Cobalamina

    O que a Seleção Natural não produz… Aranhas com habitat de caráter anfótero, por um mecanismo natural tão simples e… engenhoso. É, há de se pensar mesmo nas proposições de que este é um mundo prioritário para artrópodes, dentro do Reino Animalia. Adaptam-se em qualquer sistema.