Como o corpo diferencia um corte de uma queimadura

Você pode dizer, sem precisar sequer olhar, se você foi furado por um alfinete ou queimado por um fósforo. Mas como? Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e da Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), demonstraram que possuímos esta diferenciação sensorial que se inicia na pele, mediante diferentes populações de neurônios sensoriais – chamados nociceptores – que respondem a diferentes tipos de estímulos dolorosos.

Antes achava-se que os neurônios nociceptivos da pele não podiam determinar a diferença entre calor e dor mecânica, como uma picada da agulha. Segundo a pesquisa de David Anderson, Professor de Biologia da Howard Hughes Medical Institute (HHMI), e um dos autores importantes do artigo publicado na PNAS, a idéia era que a pele é um “sensor burro” para qualquer coisa desagradável, e que as zonas superiores do cérebro distinguiam uma modalidade de dor de outra, afim de que vopcê possa saber qual tipo de informação está recebendo, isto é, se você está sendo espancado ou cozido vivo.

Para descobrir o que realmente acontece, Anderson e o co-autor da pesquisa, Allan Basbaum – presidente do Departamento de Anatomia da UCSF –, decidiram criar um rato geneticamente modificado, e forma que populações específicas de neurônios de detecção pudessem ser seletivamente destruídas. Eles foram então capazes de ver se o rato continuou a responder a diferentes tipos de estímulos, puxando a pata, quando expostos a uma fonte de calor relativamente suave ou picado com uma linha de de nylon.

Estou também quero fazer esta pesquisa, mas em humanos. Assim, quero reunir voluntários aqui entre vocês, leitores, afim de serem cobaias (em teste duplo-cego, o cientista apenas é o executor. Não fui eu quem inventou o Método Científico). Já preparei o martelo e um botijão de gás. Quem se habilita? Pois é, teremos que fazer experimentos com outros animais, mesmo…

Bem, o que os investigadores descobriram foi que, quando se matou uma determinada população de neurônios nociceptores, os ratos pararam de responder ao ser picado, mas ainda respondiam ao calor. Inversamente, quando os pesquisadores injetaram uma toxina para destruir uma população diferente de neurônios, os ratos pararam de responder ao calor, mas o seu sentido ao tato permaneceu intacta. A conclusão é tão óbvia que Charlie, meu hamster com síndrome de Down, compreendeu.

Uma outra coisa curiosa é que nenhuma das duas classes de neurônios supracitadas são responsáveis pela resposta ao estímulo doloroso proporcionado pelo frio. Voltemos a pesquisar de novo e de novo. A Ciência não descansa.

Agora, a pergunta de 1 milhão de Obamas: Para que descobrir isso? Simples. Entendendo como ocorre o mecanismo da dor, médicos terão medicamentos melhores que ajudem a aliviar as dores, poupando o paciente e agilizando sua recuperação.

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