Treinador é impedido de rezar em colégio público americano

Até que enfim, uma notícia sobre algo inteligente que os americanos fizeram: A Corte de Apelações Federal americana, em total respeito aos princípios de laicidade que a Constituição dos Estados Unidos prega, determinou que um treinador de futebol americano (sabe aquele futebol que a bola parece um caroço de azeitona? Pois é) estava terminantemente proibido de se ajoelhar e rezar com sua equipe.

O professor de espanhol e treinador no colégio público de East Brunswick, em New Jersey, desde 1983, chamado Marcus Borden pedia a um pastor uma ação de graças na refeição, antes de uma partida, e convidava seus jogadores a se ajoelharem no vestiário para rezar antes de entrar em campo.

No início de 2005, os pais (que devem ser um bando de malditos hereges) alegaram, entretanto, que tal ato se tratava de uma intromissão da religião em uma instituição pública, o que contraria a neutralidade imposta pela Constituição ao Estado em matéria de religião, tema muito sensível nos EUA.

Exatamente! A Constituição dos “Isteites” proíbe terminantemente que se misture religião com as ações de qualquer entidade governamental. Mesmo porque, judeus, islâmicos, ateus e vuduzeiros também pagam impostos.

A direção do colégio publicou, então, regras rígidas na matéria: os alunos eram livres para rezar, desde que não alterassem a ordem pública, ao mesmo tempo que os professores estavam proibidos de participar. Em suma: Aluno pode se manifestar, porque é intrínseco à fé dele. mas, um professor não, porque ele age na formação do educando. Logo, haveria influência em cima de alunos de diversas origens, e fés diferenciadas.

Borden passou, então, a fechar os olhos, baixar a cabeça e se ajoelhar em silêncio no vestiário como forma de fazer valer sua liberdade de expressão e de respeito para com seus jogadores. E eu concordo com isso. O cara tem o direito de ter a sua fé, mas não de expressá-la de um modo que possa ser tido como influência. Cada um que acredite no que quiser, certo?

Em julho de 2006, um juiz de primeira instância deu razão ao treinador, argumentando que as regras impostas pela direção eram muito vagas. Provavelmente, o juiz seguia a mesma fé do distinto treinador, mas isso não foi o suficiente para a Corte de Apelações

Por unanimidade, a Corte de Apelações federal da Filadélfia anulou esta decisão e garantiu que o colégio deveria fazer respeitar o princípio de laicidade, destacando que “qualquer observador razoável concluiria que Borden não está apenas manifestando seu respeito quando abaixa a cabeça e se ajoelha no vestiário, mas que, em seu lugar, está endossando religião”, diz o texto.

Se um pai matricula um filho num colégio católico, não pode esperar que haja um, digamos assim, comportamento de acordo com as palavras do Alcorão ou o Vedas. Nesse caso, será dito que Jesus é o Senhor, Maria é Virgem e que e que José não foi um corno, mas alguém que cumpriu as ordens de Deus. O pai que discordar que matricule num colégio Budista.

Mas, num colégio público isso não pode acontecer, pois tanto lá nos EUA quanto aqui, em Terra Brasilis, o Estado é Laico. Professores que tenham sua crença, mas que tratem todas as demais em pé de igualdade. Logo, se isso não acontece na sua escola, reclame! Pois você paga impostos e a nossa Constituição garante que todos são iguais perante a Lei. Aluno não é obrigado a rezar antes das aulas e nem aceitar que a baboseira do Dilúvio existiu, sem as devidas comprovações científicas.

Cada um que cuide de si.

4 comentários em “Treinador é impedido de rezar em colégio público americano

  1. Ah! Isso não ocorre somente em escolas do ensino Fundamental! Ano passado, na Fatec/SP (é, é uma Faculdade Pública!), tive um professor de Administração chamado Mauro Tadeu (ninguém merece, muito menos eu!), que usava Moisés e Jetro para falar sobre liderança, pode? Fiz uma reclamação formal….adivinha o que aconteceu?

    Nadica de nada! Nosso estado é Laika (ops! Laika não, este é o nome da pastora alemã de propriedade de minha santa mãezinha!)

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  2. Não existe coisa mais estúpida do que duas equipes esportivas rezando para o mesmo deus lhes ajudar a vencer. :lol: :lol: :lol:

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  3. :mrgreen:
    Cláudio, nunca duvide de quanto pode ser imensa a estupidez humana!!!
    :mrgreen: :lol: :lol: :lol:

    Infelizmente hábitos religiosos são “quase” institucionalizados no serviço público. Respeito e direito a manifestação religiosa, tem de existir, mas a utilização de posição hierárquica e da função pública para manifestação da mesma, parecem para mim absolutamente inadmissíveis.

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  4. O pessoal foi para o colégio para estudar, e, treinar iditobol, ops, futebol estadunidense, (não posso chamar de futebol americano, porque no Brasil que também é um país americano, tem um futebol menos violento e muiiiito diferente)…. Se quiserem rezar tinham ido para uma mesquita, sinagoga ou igreja que são os locais onde as empresas do ramo comercial da superstição oferecem para essas práticas… vale aquela pergunta-jargão de propaganda um pouco modificada: Viemos aqui para beber ou conversar?? Viemos aqui para jogar ou para rezar?????????

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