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jul 29

Leonardo BoffEm notícia trazida pela Agência France Press, a Igreja Católica sofrerá uma “grande crise interna” porque os milhões de católicos do mundo não têm uma representação adequada nos assuntos administrativos do Vaticano. Isso não foi dito por um cético qualquer e sim pelo teólogo Leonardo Boff, conhecido por ser o promotor da Teologia da Libertação, nesta segunda-feira (28/7).

Esta análise teológica é uma escola importante e controversa na teologia da ICAR e outras igrejas cristãs, que dá grande ênfase à situação social humana. O teólogo peruano Gustavo Gutiérrez é um dos mais influentes proponentes desse movimento. Destacam-se também o teólogo americano Cornell West e o próprio Leonardo Boff.

A Teologia da Libertação surgiu na década de 1970, quando se espalhou de forma especial na América Latina, sendo uma das orientações para a pastoral das Comunidades Eclesiais de Base (CEB). Partes importantes de seu ensinamento foram rejeitadas pelo Vaticano. A partir dos anos 1980, com a redemocratização da sociedade e a queda do muro de Berlim com conseqüente crise das esquerdas, esta teologia perdeu parte de sua combatividade política e social, e a ICAR pôde respirar aliviada mais uma vez.

“A futura crise na Igreja Católica se dará, porque no Vaticano não se encontram todos os genuínos representantes dos católicos no mundo”, disse Boff, em conversa com os jornalistas, após uma visita ao presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, bispo católico suspenso pelo Vaticano por se dedicar à política.

“Na maioria dos países latino-americanos, pratica-se o catolicismo e existe a maior quantidade de praticantes dessa religião do que em outros continentes”, avaliou Boff, insistindo em que “esses católicos não estão bem representados”. Segundo o próprio Leonardo Boff, quase a metade dos católicos vive na América Latina. Então, é, por si mesma, uma força.

Na opinião de Boff, a ICAR também tem sua capacidade de recriação de um rosto novo, litúrgico, mais adaptado às culturas. Uma igreja que recolhe as memórias da sabedoria, das culturas antigas, indígenas e negras. É uma igreja que está nascendo ainda. Até agora era um apêndice, um reflexo da Igreja européia. Agora é cada vez mais e mais uma Igreja fonte e que está consolidando sua identidade própria.

Foi por causa de opiniões como essa que o então cardeal e diretor da Congregação pela Doutrina da Fé do Vaticano (mais conhecido como Tribunal do Santo Ofício, mais conhecido ainda como Inquisição), Joseph Palpatine Ratzinger, impôs a Boff várias dessas sanções, entre elas o silêncio forçado, pelo qual não podia oficiar missa nem se referir publicamente a questões doutrinárias. Finalmente, Boff deixou, em 1992, a ordem franciscana e dedicou-se totalmente ao ensino e a escrever. Léozão é uma imensa pedra no sapato da ICAR, só que hoje ela não pode mais ordenar a morte de quem se opõe a ela. Pelo menos, por enquanto…

Leonardo Boff não mede palavras quando afirma categoricamente que “O crescimento zero da Igreja Católica no planeta é outro fator que atiçará sua crise interna”.

Durante seu encontro com presidente Lugo, que tomará posse em 15 de agosto, o religioso brasileiro se pôs à sua disposição para assessorá-lo.

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escrito por André

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6 comentários para “ICAR sofrerá “grande crise interna”, afirma Leonardo Boff”

  1. AmadeusXIII Disse:

    Como eu já havia dito, é só questão de tempo até a casa cair. A Igreja hoje não pode mais matar hereges e queimar livros pra impor seus dogmas e decisões. O poder centralizador de Roma sufocou as poucas tentativas de aproximar a ICAR da realidade dos maiores países cristãos, entre eles o Brasil. Também não gosto dessa teologia da libertação. Graças à ela que hoje temos sacerdotes infiltrados em organizações políticas, ONGs e até mesmo possuindo cargos políticos, opinando à respeito de leis e legislando em favor da sua visão religiosa. Meu medo é que os protestantes se aproveitem dessa brecha pra arrebatar cada vez mais fiéis. Sinceramente, os católicos são dogmáticos mas os protestantes beiram a irracionalidade.

    Ah, e Andre, desculpe pelos vários posts nos outros artigos. Alguns sites não possuem fórum então o pessoal costuma postar várias vezes (posts curtos) no mesmo artigo. Não quis prejudicar o cet.net não. É só falta de costume mesmo :grin:

    Abraços

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    André reply on terça-feira, 29 de julho de 2008 16:40:

    Tá beleza. ;-)

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  2. ariel wollinger Disse:

    cara, quinta passada um amigo me levou na OPUS DEI aqui em sampa… que coisa ridicula. Era uma “palestra” ende o padre falava basicamente:
    1- a igreja é a presença de Cristo.
    2- Deus nao é detectavel pelos nossos sentidos ( nem por todos aparatos cientificos ) , mas temos que fazer o sacrificio e crer.

    So tinha cueca na parada. Eca!! Meu amigo carola ficou sentado do meu lado e chegou uma hora que ele nao aguentou as caras que eu fazia e caiu na gargalhada! Teve que sair da sala! ahahahhah!

    Resultado: uma hora e meia perdida da minha vida que nunca mais terei de volta pra ouvir merdas sobre religiao que eu ja sabia a milenios.

    é isso aí, vc tem que acreditar em deus porque sim! muito coerente…

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    abbadon reply on quarta-feira, 30 de julho de 2008 14:24:

    “Deus nao é detectavel pelos nossos sentidos ( nem por todos aparatos cientificos ) , mas temos que fazer o sacrificio e crer.”

    O mesmo vale para o Saci-Perere, Thor, Odin, Artemis, Zeus, Diana, Pan, Baco, Osiris, Isis, Ra, Shiva, Brahma, Vishnu, Papai Noel, Fada dos Dentes, Trolls, Duentes, Gnomos, etc….

    É so fazer o sacrificio de crer, mesmo nao sendo eles detectaveis pelos sentidos.

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  3. Álvaro Guedes Disse:

    Acresente ao “sacrifício de crer”, o “blöt” de bodes, no caso do Thor…hehehe

    “Sacrifício de crer”! hehehehe Cada expressão, poxa…hehehe

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  4. DiegoRO Disse:

    Não simpatizo nem um pouco com Joseph Ratzinger. Leonardo Boff me agrada um pouco mais, mas não muito. Demonstra ter sutis posições relativistas e uma leve tendência anti-científica.

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