O toque divino mostrando a face do Deus dos Planetas

Doce Juno, esposa de Júpiter, amada rainha dos deuses. Odiada por Calisto, a quem Juno transformou em ursa e Júpiter a transformara em constelação. Amada e terrível. Gravitando em volta do seu amado, adorando-o, protegendo-o, beijando-lhe a fronte, desvendando seus segredos.

Em 5 de agosto de 2011, a sonda Jupiter Near-polar Orbiter, foi lançada. Como a NASA sempre gosta de batizar suas sondas de maneira especial (mas muito amada) deram, como sempre, uma pequena forçadinha para que ela pudesse se chamar Juno, com a missão de pesquisar a origem e evolução do Rei dos Planetas. A órbita de Juno ao redor do seu amado é de 53 dias (sim, Júpiter é MUITO grande) , e o vídeo abaixo mostra a 16ª perijove (o ponto da órbita mais próxima de Júpiter), ocorrido em meados de 2016.

Continuar lendo “O toque divino mostrando a face do Deus dos Planetas”

Uma sinfonia impactante da Lua

Aristóteles, grande sábio da Antiguidade, disse que a Lua era maciça, sólida e totalmente perfeita. Ela não tinha nenhum defeito, totalmente lisinha como a bunda de um bebê. Claro, o tosco de Estagira tinha problemas em olhar pra cima e olhar pra Lua, que mesmo a olho nu dá pra ver que ela não é lisinha, mas estamos falando de um sujeito que foi casado duas vezes e achava que mulheres tinham menos dentes que homens. O mundo sopralunar era perfeito, lindo, maravilhoso. Uma pena que Aristóteles fosse tão ignorante ao ponto de escrever um mundaréu de bobagens, enquanto Aristarco de Samos já tinha dito que a Lua tinha crateras e girava ao redor da Terra, assim como a Terra girava ao redor do Sol. Aristarco não tinha o reconhecimento de Aristóteles e seus escritos padeceram ignorados por séculos.

Só com Galileu é que tivemos certeza da imperfeição da Lua, com seus vales, “mares”, montanhas e crateras. Muitas dessas crateras possuem milhões de anos, outras, algumas centenas, mas delas, 111 possuem idade de cerca de 1 bilhão de anos.

Continuar lendo “Uma sinfonia impactante da Lua”

As últimas de Ultima Thule

Você já ouviu falar do corpo nomeado (486958) 2014 MU69? Ah, tá. Não, né? Você conhece mais pela forma (486958) 2014 MU69, não é mesmo? Também não? Oh, bem, talvez pelo antigo nome: PT1 e 1110113Y? Tá tudo bem, provavelmente você deve ter ouvido falar pelo apelido Ultima Thule, dado pela equipe da New Horizons. Ok, você não sabe nada, João das Neves. Ele é um objeto transnetuniano, pra lá pras bandas do Cinturão de Kuiper, a região do Sistema Solar que se estende desde a órbita de Netuno – a 30 UA do Sol até 50 UA do Sol (1 UA é a distância média entre a Terra e o Sol, aproximadamente 150 milhões de km). Os corpos lá pra depois de Netuno são, então, chamados corpos Transnetunianos, mas também são chamados de KBO (Kuiper belt object).

Ultima Thule tem um diâmetro com cerca de 32 km por 16 km, e dados da sonda New Horizons trouxeram mais informações sobre este corpo.

Continuar lendo “As últimas de Ultima Thule”

Os uivantes ventos num morro de Marte

O InSight segue a grande tradição da NASA em arrumar um acrônimo para depois dar um significado que caiba no acrônimo. InSight significa Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport (Exploração interior utilizando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor). Trata-se de um módulo terrestre projetado para aterris.. amartiçar (sim, eu sei!) na superfície marciana (sim, eu também sei que é pleonasmo. Não enche!). Sua missão é fuçar as entranhas marcianas (me refiro ao planeta e não Dejah Thoris) e os segredos que ela esconde. Enquanto rovers como o Curiosity dão um rolé pela superfície, catando pedras e analisando atmosfera e rochas na superfície, o InSight examina a crosta, manto e núcleo marcianos.

Só que seus sensores captaram mais do que isso.

Continuar lendo “Os uivantes ventos num morro de Marte”

As prateadas fases de um satélite natural

A Lua e o Sol são os dois corpos astronômicos que passamos a admirar primeiro. Não é nem difícil imaginar o motivo. Um regula nossa vida diária, nos aquecendo, mostrando a contagem dos dias, nos protegendo de animais furtivos (ou quase). Ok que ele ainda nos dá de presente um câncer de pele, mas nada na Natureza é totalmente lindinho. A Lua, entretanto, nos ajuda a entender o tempo de forma mais abrangente.

Continuar lendo “As prateadas fases de um satélite natural”

Mude a posição do herói que chega todo ano, fruto de uma chuva de ouro¹

Ó Perseu, filho de Dânae e Zeus, Senhor do Olimpo. Forte e poderoso, valente e destemido. Aquele que enfrentou a górgona chamada Medusa, aquele que brandiu a espada decepando-lhe, sem lhe olhar nos olhos, matando o monstro e cavalgou Pégaso. Ó Perseu, vindo ao mundo graças a uma chuva dourada de Zeus sobre Dânae, que a fecundou e ela condenada foi pelo pai Acrísio. Ó Perseu, guerreiro que as musas cantam, que os poetas declamam, por quem Andrômeda se apaixona. Elevado ao céu foi e de tempos em tempos visita a humanidade!

No último dia 12, veio mais um espetáculo anual. A chuva e meteoros Perseidas. A origem desses meteoros é bem, mas bem longe daqui, na constelação de Perseu, a 1475 anos-luz. Os meteoros que fazem um espetáculo magnífico no céu, formados por pequenos fragmentos de meteoróides expulsos do Cometa Swift-Tuttle e continuam a seguir a órbita deste cometa à medida que se dispersam lentamente.

Continuar lendo “Mude a posição do herói que chega todo ano, fruto de uma chuva de ouro¹”

Estudo mostra que não é possível circunavegar o mundo com as tecnologias atuais

Estando na gloriosa República Florentina, aos 31 dias do mês de julho do ano de Nosso Senhor de 1490*, escrevo ao digníssimo excelso senhor Lorenzo, O Magnífico estas poucas letras, pedindo permissão para dirigir-me à Vossa Magnificência.

Sabeis, meu gentil senhor, que muito tenho andado pelo mundo, e muito tenho aprendido. Decidi, porém, se me faz esta cândida mercê, compartilhar com o Magnificentíssimo sobre notícias que tenho recebido. Me curvo perante vossa sabedoria e peço permissão para deitar sobre esta folha o que tenho ouvido e, sentido-me merecedor dos auspícios de vós, me sinto na obrigação de comentar sobre estes comentários e bochinchos que Vossa Alteza deveis ter ouvido, mas sem devidas considerações, destarte que somente o vozerio dos ignorantes chegam até vós, sem as devidas salvas e ressalvas que se fazem necessárias. Sendo assim, Ó Magnificentíssimo, permiti-me falar sobre estas toleimas que chegarão até vós, se é que não já as chegaram, falando principalmente sobre absurdos que alguns dizem ser o futuro, mas não passa de loucos desvairados em suas fantasias absurdas sobre o mundo.

Continuar lendo “Estudo mostra que não é possível circunavegar o mundo com as tecnologias atuais”

A imensa Lua que repousa sobre nós

A Lua vem nascendo e se pondo desde que depois do porradão que Theia deu na Terra e os detritos se arranjaram formando nosso satélite natural. Tem sido um dos passatempos humanos desde que os humanos passaram a se dar conta da maravilha deste espetáculo. Hoje, mesmo com nossa vida agitada, sempre nos maravilhamos com este tipo de cena; mas nunca de uma forma como Daniel López captou nas Ilhas Canárias.

Continuar lendo “A imensa Lua que repousa sobre nós”

NASA encontra vestígios de vida e moléculas complexas sem ter achado vestígios de vida ou moléculas complexas

Eu parei de escrever sobre os grandes pronunciamentos da NASA. É frustrante a NASA chegar e anunciar que fará um grande anúncio, anunciando algo fantástico. Daí todo mundo fica naquela “Woooooo! Descobriram vida. Descobriram um fóssil! Descobriram para onde vai o meu dinheiro de impostos”. Aí ela chega e fala que achou uma pedra esquisita ou deu uns tiros de laser PEW PEW PEW e identificou uns átomos.

Desta vez não foi diferente. A NASA fez aquele mistério. O que foi descoberto? Presença de metano nas rochas. WOOOOOOOOO, SINAL DE VIDA!

Químicos fazem a cara desta imagem de abertura. Continuar lendo “NASA encontra vestígios de vida e moléculas complexas sem ter achado vestígios de vida ou moléculas complexas”

A Chuva que cai no Sol

Em 19 de julho de 2012, Helios, que nas ilhas Hébridas é chamado de Belenos ne nas terras banhadas pelo Egeu é chamado de Apolo, mostrou a sua fúria quando ordenou uma imensa tempestade de plasma extremamente quente. Foi uma senhora Ejeção de Massa Coronal!

O que era mais incomum, no entanto, foi o que aconteceu em seguida. O plasma na vizinha coroa solar foi fotografado resfriando e recuando, um fenômeno conhecido como “chuva coronal”.

Continuar lendo “A Chuva que cai no Sol”