Pragmática: usando a linguagem no mundo real

Amiguinhos e amiguinhas!

Seguindo a nossa introdução aos estudos linguísticos, hoje vou falar de algo MUITO importante, mas que muito pouca gente leva a sério… O uso da língua.

Conhecer uma língua não é só conhecer as palavras (léxico), como pronunciá-las (fonética/fonologia), como combiná-las em frases (sintaxe). Você também precisa conhecer o uso da língua, no dia-a-dia. Essa é a parte mais difícil de se adquirir ou aprender uma língua (há diferenças, um dia eu explico).

Conhecer o uso de uma língua significa: saber usar as coisas no contexto certo, saber identificar contextos, saber usar expressões idiomáticas, gírias, arcaísmos, memes, tecnicismos… Ou seja, coisas que a gente não aprende nem na escola nem no dicionário nem na gramática, mas no dia-a-dia mesmo da interação social.

Continuar lendo “Pragmática: usando a linguagem no mundo real”

Inscrições antigas elucidam sobre mudanças climáticas

A história humana se baseia no registro de histórias e histórias ("estória" com "e" é neologismo inventado por Guimarães Rosa. O certo é "História" em ambos os casos). Desde cedo relatamos detalhes de nossa vida, de nosso mundo ao redor, de nosso universo, mesmo que esse universo seja medido em alguns metros. Esses contos de um passado longínquo nos faz aprender muito, como é o caso das pinturas rupestres encontradas em uma caverna na China, com inscrições únicas que nos fazem saber muita coisa. Até sobre mudanças climáticas.

Continuar lendo “Inscrições antigas elucidam sobre mudanças climáticas”

O que é mumificação

Soldados! Aqui, 4000 anos de história vos contemplam. Aqui, tesouros vos aguardam! Não o tolo ouro, cujo valor varia de sociedade para sociedade. O principal tesouro é a cultura, a Ciência, os segredos escondidos aqui, mas conservados nelas, nas múmias.

O que são, como se formam? Quais os mistérios que a Química pode revelar no estudo das múmias? Egiptologia? Não, eles não foram os únicos a desenvolver técnicas de mumificação,

Mas que é essa mumificação? Por que as sociedades mumificavam? Quem eram essas pessoas? Vistam seus jalecos e coloquem um fedora. Corram pra biblioteca e abram o LIVRO DOS PORQUÊS.

Linguagem materna tem forte efeito sobre as habilidades cognitivas dos filhos

Nada melhor do que pais para deixar as crianças (as suas próprias) traumatizadas. Claro que não é só isso; o reforço pode ser positivo também, e a forma com que nós falamos com nossos filhos influencia em muita coisa, principalmente nas habilidades sociais deles (normalmente, sempre associamos para o pior lado).

Em recente pesquisa, evidências mostraram como a linguagem utilizada pelos pais para conversar com seus bebês influenciam-os até bem mais tarde.

Continuar lendo “Linguagem materna tem forte efeito sobre as habilidades cognitivas dos filhos”

Manual Básico do Debate

O debate é uma das maiores conquistas dos seres humanos. Nós aprendemos a dialogar, aprendemos a expor ideias e compartilhá-las. É dessa troca, dessa interação que descobrimos muitas coisas. O problema é que isso é lindo no papel (ou numa postagem de blog), mas as pessoas tendem a ser tirânicas com relação à opinião alheia.

Volta e meia me perguntam como abordar um tema num debate, como atacar o oponente, como expor suas ideias. Eu normalmente não respondo este tipo de pedido, porque, filhos, quem entra na chuva é para se queimar (MATHEUS, V.). Se você não tem condições, pense duas vezes. Mas isso não impede de eu dar dicas básicas. Não será um compêndio total e profundo de coo debater pela Internet, mas ajudará bastante.

Continue lendo >>

R.I.P. Educação Brasileira e seu politicamente correto

O mundo está mudando. Eu posso sentir no ar, eu posso sentir na água; e quando o Sinistro Inimigo do Mundo se ergue da fortaleza de Barad-Dhûr, o chão treme. Os elfos estremecem, os homens mortais, fadados ao eterno sono, sentem um vento pesado e pútrido. Os anões resolvem se embrenhar nas profundezas da terra e orcs proliferam, montados em wargs. Os Homens do Oeste não estão sendo páreo para o alastre de trolls à toa. Alguns deles estão saindo até à luz do dia. Os ishtari mandaram uma mensagem para Manwë, na terra de Arda, mas ele está choroso. Eru, o único – que na língua dos eldar é Ilúvatar –, mostra sua ira e decreta que já está na hora de desfazer tudo o que Melkor aprontou.

E tudo isso porque a droga de um "prefessor" resolveu ser babaca e assassinou a Língua Portuguesa. SHAME ON YOU!!!!

Continuar lendo “R.I.P. Educação Brasileira e seu politicamente correto”

O estupendo mundo de Arthur Clarke

Arthur Clarke foi um dos marcos da literatura de Ficção Científica. Seu mundo de computadores, alienígenas, foguetes, flutuações quânticas era apenas uma pequena casca do que ele realmente foi. Engenheiro, especialista em radares e o cara que sentou e fez todos os cálculos provando a viabilidade do satélite geoestacionário.

Sua obra literária é vasta e bem conhecida. Graças ao seu argumento, tivemos o primeiro filme de ficção científica bem produzido: o pouso na Lua em 1969, digo, 2001, Uma Odisseia no Espaço, de 1968.

Neste episódio do SciCast, eu e grande elenco conversamos sobre a pessoa, o profissional, o soldado, o técnico, o autor.

Continuar lendo “O estupendo mundo de Arthur Clarke”

Qual é o segredo do Disco de Festo?

Em 15 de julho de 1908, o arqueólogo Luigi Pernier estava estudando o sítio arqueológico de um palácio minóico de Festo, próximo a Hagia Triada, que fica na costa sul da ilha de Creta. Lá, diferente do que certos apóstolos tendem a se enganar, os cretenses não eram sempre mentirosos, mesmo quando isso era dito por um cretense. Durante as escavações, Pernier encontrou uma coisa estranha. Um prato de argila com umas inscrições. O que estava ali? Ninguém sabia. Para que servia aquele treco? Ninguém fazia a menor ideia. Aquilo poderia ser usado como frisbee? Meio pesado. Aquilo era minóico? Eu que sei?

Mas alguns pesquisadores parece que descobriram os segredos envoltos no Disco de Festo. Aliens? Maçonaria? Feitiços da Bruxa do 71?

Continuar lendo “Qual é o segredo do Disco de Festo?”

Brevíssima introdução à linguística gerativa (oi Chomsky!)

Desculpem a demora, amiguinhos e amiguinhas, mas, como sabem os que me seguem no twitter, estou atolada de estudos para o mestrado e a monografia. Quem me segue lá já deve ter me visto falando que sou gerativista, ou seja, sigo a corrente linguística do gerativismo, proposta pelo Noam Chomsky em meados da década de 50. O André me perguntou sobre isso esses dias, quando enfiaram o FoxP2 num rato pra ver no que dava. Então, vou falar um pouquinho sobre essa área da linguística.

Continuar lendo “Brevíssima introdução à linguística gerativa (oi Chomsky!)”

O que é sotaque?

Olá amiguinhos(as)!

A gente já viu muito sobre a fala e sua complexidade, mas ainda há muitas dúvidas sobre isso. E outro dia me deixaram encasquetada no twitter falando sobre sotaques. Então… Você sabe o que é sotaque?

Eu já disse que a primeira coisa que a gente aprende quando aprende a falar é a variante diatópica de lugar onde aprendemos a falar, ou seja, o dialeto. Isso inclui aprender as palavras e construções típicas dessa região, além da fonologia específica (por exemplo, se vai usar o "chiado" [o termo técnico é africada, em oposição às oclusivas, sem "chiado"] ao falar |tia|dia|). Mas o que mais faz diferença mesmo entre os dialetos e que mais "marca" a fala das pessoas é o sotaque.

Continuar lendo “O que é sotaque?”