Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Manual Básico do Debate

O debate é uma das maiores conquistas dos seres humanos. Nós aprendemos a dialogar, aprendemos a expor ideias e compartilhá-las. É dessa troca, dessa interação que descobrimos muitas coisas. O problema é que isso é lindo no papel (ou numa postagem de blog), mas as pessoas tendem a ser tirânicas com relação à opinião alheia.

Volta e meia me perguntam como abordar um tema num debate, como atacar o oponente, como expor suas ideias. Eu normalmente não respondo este tipo de pedido, porque, filhos, quem entra na chuva é para se queimar (MATHEUS, V.). Se você não tem condições, pense duas vezes. Mas isso não impede de eu dar dicas básicas. Não será um compêndio total e profundo de coo debater pela Internet, mas ajudará bastante.

Normalmente, e examinando a temática do site, seria basicamente como discutir com religiosos sobre questões religiosas. Bem sim e não. Eu defino "comportamento religioso" como a forma insana como as pessoas tentam a todo custo defender seus pontos de vistas, curiosamente caindo nas Típicas Justificativas Religiosas, mesmo quando estão falando sobre o aborto, por exemplo. Sempre que se fala do aborto, parte-se para dois lados "eu não sou máquina de gerar crianças" ou "com tantas mulheres morrendo em clínicas clandestinas como você pode ser contra?". O mesmo com relação à redução da maioridade penal ou "tem muitos dados por aí mostrando que se as crianças forem presas elas sairão piores" ou "por que você age assim com as criancinhas?".

Os exemplos acima são falaciosos, mas curiosamente caem nas Típica Justificava Religiosa, seja se colocando como mártir ou "por que você odeia ______?". Dessa forma, antes de prosseguirmos, leia esses dois artigos:

Mais uma vez é bom se ressaltar: Num debate você não está para convencer o outro lado. VOCÊ NÃO VAI! O religioso não vai ser milagrosamente (ironic mode) deixar de acreditar na religião dele. E isso serve para você, religioso. Você não vai fazer o ateu, agnóstico ou o seguidor de uma religião diferente da sua mudar de ideia. Um debate é fundamentalmente para quem está acompanhando. Pense numa disputa qualquer. Sua missão é desarmar o adversário. Isso vale pro jogo de futebol e até uma guerra termonuclear. Em um debate presidencial, o candidato não vai dizer pro outro "puxa, não é que você está certo? Vou retirar a minha candidatura e passarei a lhe apoiar neste exato momento." That’s not gonna happen!

A diferença é que se tem um vencedor, o vencedor é quem está acompanhando, pois terá pontos de vista diferentes para poder pensar sobre o assunto e construir sua própria opinião, e eleger o próximo ditad aquele que vai governar.

Também devemos levar em conta que tem muita gente que quer impor seu ponto de vista. Isso acontece com os que eu chamo de "ateus de-fim-de-semana". Ninguém é obrigado a ser ateu. Eu, sendo um democrata, acho que cada um tem o direito de rezar para um deus, uma cobra com asas ou que existem pratos de pipoca mágicos. Não me incomoda. O que me incomoda é como essa crença influi em que homossexuais entrem na porrada ou que alguém seja ridicularizado simplesmente porque não quis dar as mãos e rezar para uma certa senhora com poderes da Galadriel.

Imposições são ruins em cada um dos lados, e é esse comportamento insano e autocrático que eu chamo de "comportamento religioso". Muitos ateus têm este comportamento. Só ele está certo, colocando-se num pedestal e endeusando a si mesmo.

Primeiro de tudo, portanto, é entender que você não tem a obrigação de convencer o mundo à sua maneira de pensar. Grandes tragédias começaram assim. A História está repleta delas e não perderei meu tempo citando. Se você não sabe do que estou falando, compre livros de História.

Em segundo lugar, DOMINE o que você está falando. Se for pra falar algo como "ouvi falar", fique calado, acene e sorria, acene e sorria. Se o outro lado não souber do que está sendo discutido, lembre a ele que ele não tem como debater algo do qual não sabe. Por exemplo, volta e meia vem questões sobre Educação e Ensino. Todo mundo palpita. Aí, dá-se o golpe: "você que critica, quantas vezes você já lecionou?". O outro lado pode (e efetivamente vai) dar alguma volta. Insista. Fatalmente ele dirá que nunca lecionou. Bem, criticar tudo mundo pode criticar, mas uma crítica bem feita é feita tendo conhecimento de causa. É difícil para mim, que não sou médico, avaliar tudo o que acontece nos hospitais. Quando você coloca o outro lado contra a parede perguntando pela sua experiência e conhecimento sobre o assunto, normalmente, o debate não dura mais que 3 postagens, e será perda de tempo você continuar. Você quer discutir sobre o Novo Testamento? Tenha em mente que você terá que ter conhecimentos sobre História (como saber que judeus nunca libertavam prisioneiros na Pessach) e de grego, idioma no qual os evangelhos foram escritos. Isso ajuda a saber que, sim, Jesus falou que quem não odiasse os pais não poderia seguir com ele, já que a palavra usada é flexão de miseo, odiar.

Ainda esta semana tinha um sujeito debatendo (ou se debatendo) comigo por e-mail, e me xingou de tudo. Eu, calmamente, escrevi que a Bíblia dele dizia que ele tinha que me perdoar 70 vezes 7, entrar em acordo comigo e não podia me xingar.  Não é nem questão de ser falácia ad hominem, é uma questão muito pior: o referido religioso, bom e puro, não segue as normas codificadas em seu próprio livro religioso. Ao demonstrar que você sabe disso, faz com que o outro lado se irrite ainda mais, o que leva a mais xingamento e você pode dizer simplesmente "olha, com esse comportamento você será jogado ao Inferno. Não que eu acredite, mas você sim. Eu até poderei ir, mas você me fará companhia". Na mente religiosa fanática, isso dá um nó. Ele percebe que se autocondenou ao inferno e que, pior ainda, o outro lado não se importa. Isso acarreta em algo interessante. Ou ele admite que você está certo e não irá pro inferno, simplesmente pelo inferno não existir, destroçando a crença dele, ou ele irá dizer que não é bem assim, em que você imediatamente diz "mas está no seu livro religioso". Então,ele mostrará que 1) não conhece o próprio Livro. 2) Não segue o que manda a religião dele 3) Verá que é um pecador e fatalmente irá pro Inferno. Isso é tão avassalador que ele só terá uma saída: lhe xingar mais ainda para acabar com a discussão. Ou nunca mais olhar na sua cara.

A melhor forma de debater é, portando, saber apontar determinadas coisas, e quanto mais simples forem suas perguntas, mas com foco bem direcionado, mais difícil será responder a essas questões. Por exemplo, quando da celeuma da redução da maioridade penal, você pergunta: "com 17 anos um sujeito sequestra, tortura e mata um casal de forma bárbara. Ficar plantando alface numa Fundação Casa o fará ser uma boa pessoa?". Mais uma vez, uma pergunta simples e complexa. É justo o cara sair aos 18 anos limpinho da Silva? Ou é mais justo trancá-lo como um animal e jogar a chave fora? Não há resposta simples, apesar de parecer um simples "sim" ou "não".

Outro ponto é nunca aceitar desvio de assunto. Quando o outro lado começa a desviar o assunto, é porque não domina o primeiro. Mas se você começou a falar sobre movimento da Contra-Reforma, não faz sentido falar que José de Anchieta catequizou os índios. Mas aí vem uma mágica,´que é conseguir fazer uma ligação entre as duas coisas e dar um balão no adversário. Você pode dizer algo como "Ah, sim, claro. Isso porque José de Anchieta, como todo bom religioso da ordem dos Jesuítas achou que todo mundo tinha que seguir a religião dele. Aliás, você sabia que a Companhia de Jesus não foi montada por um clérigo e sim por um fanático religioso assassino chamado Ignácio de Loyola, que ofereceu seus serviços ao Papa Paulo III para acabar com a heresia dos Protestantes? Eu sugiro a leitura de ‘A História Secreta dos Jesuítas’, Edmond Paris". Obviamente, o debatedor pode (e fatalmente não vai) não acreditar no que você está falando. E, claro, você fez dever de casa e pode dar maiores informações, ou vira bravata. Tipo "A ICAR foi responsável por mandar Galileu pra fogueira, porque ele provou que a Terra era redonda". Número 1) Galileu nunca foi queimado, ele até era amigo do Papa e foi isso que o salvou dele mesmo. Em segundo lugar, Galileu nuca provou que a Terra era redonda. Todo mundo saia disso, desde o tempo de Regiomontanus, e Copérnico apenas chupou o trabalho de Al-Tusi. Em terceiro lugar, Galileu não foi julgado por isso, mas por querer interpretar a Bíblia à maneira dele, dizendo que os cardeais estavam fazendo de maneira errada. Em suma, Galileu não foi julgado por ser cientista, foi julgado por querer se intrometer em questões religiosas, no meio da Reforma Protestante. Ademais, ele ficou em prisão domiciliar, morreu com mais de 80 anos e era visitado diariamente por pessoas ilustres e nem o trabalho de citar os salmos penitenciais ele tinha. Olha, até que a vida dele não foi nada ruim; mas porque era amigo do Papa, lembremos. Outros não tiveram esta sorte.

De outra parte, você tem o direito de usar as fontes que quiser, mas tenha em mente que o outro lado vai atacá-las, o que pode acarretar em você passar vergonha (não que você irá se importar, como dito acima). Então, me citam que o Veganismo está certo porque carne dá câncer mediante os estudos. O estudo que apresentam é um artigo científico que NÃO DIZ isso, pois o oponente 1) Não leu integralmente (idiota); 2) Leu mas não entendeu (ignorante); 3) Leu, entendeu e achou que você não leria (mau-caráter). Aí, oque se faz? Aponta o que o artigo realmente diz. Grife as passagens e solicite que o distinto leia de novo (ou leia, apenas). É comum dizer "Darwin falou que o Homem veio do Macaco". Ok, tá bom. Pelo menos, é de pedir que citem o capítulo, página e parágrafo completo. Lembram quando falei lá em cima sobe ter conhecimento do que está falando? Pois, é. Uma ferramenta ótima para anular argumentos assim é o Google. Quando mais "precisos" (ainda que errados) sejam os ataques, pode jogar a frase no Google que é muito provável que você os encontre em um ou vários lugares. A síndrome do cópia/cola. Isso fica ainda mais do que evidente quando a criatura coma qual está debatendo não é lá muito boa em língua portuguesa, mas coloca 4 parágrafos sem um erro sequer. Aliás, se o sujeito responde uma coisa simples com vários parágrafos, É CÓPIA! Aí não tem muito o que fazer. Você não está debatendo com uma pessoa e sim com um site na Internet, que não terá como responder a você. Aquelezinho que está na sua frente apenas repete frases prontas.

Com relação a falácias, lembre-se de uma coisa: É impossível qualquer argumentação um pouco mais longa não cair numa falácia. Isso porque a argumentação vem de uma ideia que você vai procurar desenvolver e, claro, você não ficará com extremo cuidado de escrever com uma lista de falácias ao lado. Algumas são facilmente evitáveis, como xingar seu  oponente. De outra forma, elas estarão lá, quer você tenha consciência ou não. às vezes é legal cometer algumas, só para verificar se o oponente está entendendo ou sequer prestando atenção. Armadilhas filosóficas são comuns e é muito bom conduzir o pobre coitado até ele se contradizer. lembram-se das perguntas simples? pois é, alguns simplesmente não admitem resposta. Não é culpa sua se o outro não percebeu isso. Mas lembre-se que você também será testado. Lembram-se sobre dominar o tema que se está debatendo? Taí de novo. então, é importante ter em mente que sim, você pode cometer a falácia que quiser, a argumentação é sua. Mas na hora que for desmascarado, não vá chorar depois.

Com relação a ad hominens, devemos precisar em que momento isso acontece. Dizer pro sujeito "como assim você quer falar sobre Jesus? Não passa de um ateu pecador!" Você está dizendo que só porque você não acredita em Jesus, você não tem conhecimento para conversar sobre? Agora, dizer "Você é ignorante em História ao dizer que apenas Hitler perseguiu os judeus". Basta estudar um pouquinho e saber que pogroms já eram mencionados em muitas obras literárias mais antigas, como O Mercador de Veneza, de Shakespeare. A Rússia Czarista já tinha campos de concentração (pois, é. Não foram os alemães que inventaram isso), comunistas perseguiram os judeus tanto quanto cristãos. Aliás, o Stalin perseguiu todo mundo, já que era um maníaco paranóico. E curiosamente foi o Exército Vermelho quem descobriu os campos alemães, libertando o pessoal de lá, enquanto ainda mantinha Gulags. Como a história é irônica!

Quando a outra parte não sabe desses detalhes, não é ad hominem dizer que ela é ignorante. Sim, é, pois ignora (isto é, desconhece) os fatos históricos. E não é só com História, vale pra contra-argumentação do porquê devemos ingerir carne, como acontece seleção natural, genética, química, astronomia, eventos sócio-econômicos etc. Mais uma vez, torno a dizer: se é pra falar sobre algo, tente entender um mínimo. Você pode conversar sobre um médico sobre políticas de saúde, mas não tente ensiná-lo sobre a profissão. Antes de criticar os procedimentos, tente entendê-os, primeiro. Claro, isso não significa que você não vai se indignar se ele disser que não há nada demais em ficar tirando selfie no consultório enquanto tem gente esperando do lado de fora. Não é uma questão técnica aí, é uma questão de "você pensa que isso aqui é uma brincadeira?". É como debater sobre violência contra homossexuais, enquanto a Bíblia manda simplesmente executá-los. Ok, é uma questão religiosa, mas então temos a parte que Jesus fala para amar as pessoas e não julgar para ser julgado. A insistência acarreta em dizer "Ok, mas o Velho Testamento também diz para matar aquele que for rezar para outro deus, e não menciona nada de Jesus". Começa, então, a peleja. O outro lado tentará provar que menciona sim. Se você estudou, sabe como contra-argumentar. Se você não sabe como contra-argumentar, então, cacete, não comece! Lembre-se que a Bíblia não são versículos isolados. Essa divisão em versículos é recente. O texto deve ser visto como um todo.

Por outro lado, se você acha que leis contra a homofobia não fazem sentido, é um direito seu. Mas tenha em mente que uma coisa é criticar a lei e não as pessoas que simplesmente são homossexuais. Mesmo porque, particularmente, eu acho que qualquer agressão é errada, independente da sexualidade da pessoa, posição política, profissão, condições físicas, fé religiosa etc., merecendo penas severas e igualitárias, pois acho que uma democracia deve abranger direitos iguais a todos. Obviamente, o direito à crença é um, mas isso não implica em seguir ordens que contrariem leis. Afinal, tanto a Bíblia quanto o Alcorão mandam matar quem segue religiões diferentes, mas não creio que isso seja visto como atitudes de uma sociedade civilizada.

Mas isso é opinião minha e, claro, você não precisa concordar com ela. Claro, tenha em mente que você é responsável civil e criminalmente por seus atos. Eu não acho legal assaltar, matar e/ou estuprar as pessoas, mas se você acha, tenha certeza que isso não será bem visto e poderá responder perante leis estabelecidas. As mesmas leis que me dão o direito de denunciá-lo. Você tem até o direito de não concordar com essas leis. Entre em contato com o legislador que você elegeu ou candidate-se a um cargo legislativo para mudar essa lei. Mudar de país para um que tenha as leis que você acha que são certas também é um direito.

Entenda que quando você entra num espaço, você não é dono daquele espaço. Nunca entre na casa de alguém e fale mal do cachorro dessa pessoa. Não importa o quanto ele é chato e não para de latir. Ele não é seu cachorro, ele não lhe reconhece como dono, você é apenas um invasor ali. Se ele parar de latir e ficar quieto, é porque ELE QUER, não porque tem medo de você. O dono do cachorro sempre dará razão a ele, sabe por quê? Porque você é visita, o Rex ali é companhia, é da família. Quando a pessoa está triste, é o Rex quem irá para junto na mesma hora, dia e noite. Você é bom, mas o Rex é da casa, e isso faz toda a diferença.

Um blog ou fórum de discussão é a mesma coisa. Você é visitante. Está lá e comenta porque deram permissão. Xingar o dono do site ou o próprio site é falta de educação e já causa antipatia desde o início. Você não precisa gostar de um ou de outro, mas comente com outras pessoas. O cara que está ali, independente se é um blog cético ou que dá louvores a Jesus, Filho de Maria, gastou um tempo para montar o site, não importando se é bem programado, com design de primeira ou está um lixo. Quer contestar, conteste o texto, mas de forma civilizada. Isso vale para todos os lados. Se você chegar lá, independente do que você tenha a dizer, tenha em mente que podem não querer saber a uma opinião. Você tem direito a ela? Tem, claro. Crie um blog e escreva lá as suas opiniões (de conformidade com a lei vigente, esteja de sobre-aviso).

Escrevi muitas coisas, mas não disse o principal: "Por que você deve debater com as pessoas?" Eu sei, eu sei. Compartilhamento de conhecimento, afinamento mental, testar a você mesmo; mas vamos ser honestos: você não deve nada a ninguém. Você faz isso por pura arrogância e não-conformismo de pensar "não vou ficar calado". Você se indigna e quer dar o outro lado (ops!) da história. Mas assim como obra em casa, é preciso saber começar e, acima de tudo, tem que saber a hora de parar. Tem horas que não vale a pena. Tem horas que o debate fica circular, repetitivo. Ninguém mais está acompanhando, e vocês dois, seus manés, ficam discutindo pra ver quem tem o maior…

No caso, textão.

A maioria, pelo visto, já se cansou desse texto, já que ultrapassou as 3000 palavras e contando. Melhor encerrar por aqui. Sem despedidas ou reflexões profundas. Tchau!

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

  • Breno Veras

    Eu já gostei muito de debater. Hoje perdi a paciência. Costumo opinar quando questionado. Mas se o cara é um idiota irredutível costumo ficar calado. Às vezes ouço absurdos, como ouvi essa semana um “pra que tirar foto de plutão? Melhor gastar dinheiro com a saúde e educação.”

    Respirei fundo e fiz um caloroso debate… Mas apenas mentalmente. Acordei da minha fantasia com um “Ei, você ouviu o que disse?”. Respondi que tava atrasado e fui embora.

    Rafael Rodrigues respondeu:

    Existe um nível intelectual mínimo para o debate. Quem compara o custo da NH com o combate à fome, por exemplo, nem merece ir para play. Não dá para discutir com esse tipo de gente.

  • André, muito interessante. Mas toda vez que confrontamos os dogmas/valores/preceitos de outros, eles entram em modo “defesa + morder” e é por isso que vemos alguns pobres coitados sendo acachapados por aqui (e em outros locais também) ao usarem argumentos fracos.
    Apesar do texto ter soado mais como um desabafo seu QUASE chegando a uma percepção de que você estaria desistindo, posso dizer que foi uma leitura bem agradável. Parabéns.

  • Slade

    Apesar do longo testo, resumiu minha visão, acredito também que o debate tem que ser um desejo bilateral. Da mesma forma que eu não pego um livro de Darwin e vou pregar a teoria da evolução das espécies ou a seleção natural nos domingos nos portões de meu vizinhos, gostaria de não ser incomodado neste belo dia de descanso.

    Pena que infelizmente a livre manifestação de pensamento, geralmente é vista como um tipo de “Tenho que tentar convencer todo mundo a ver meu ponto de vista nem que seja na marra”.

  • Rafael Rodrigues

    Eu li em algum lugar e adotei nesses casos:
    “Ofereça seu conhecimento como se oferece comida”. A pessoa pode aceitar, recusar ou pedir mais.

    Depois disso me tornei bem menos arrogante.

  • Saulo Nogueira

    “Mais uma vez é bom se ressaltar: Num debate você não está para convencer o outro lado. VOCÊ NÃO VAI! O religioso não vai ser milagrosamente (ironic mode) deixar de acreditar na religião dele. E isso serve para você, religioso. Você não vai fazer o ateu, agnóstico ou o seguidor de uma religião diferente da sua mudar de ideia. Um debate é fundamentalmente para quem está acompanhando. Pense numa disputa qualquer. Sua missão é desarmar o adversário. Isso vale pro jogo de futebol e até uma guerra termonuclear. Em um debate presidencial, o candidato não vai dizer pro outro “puxa, não é que você está certo? Vou retirar a minha candidatura e passarei a lhe apoiar neste exato momento.”

    Exatamente, André. Mas apesar de acreditar que você não é um caso perdido, meu alvo justamente são as pessoas que caem no seu site em busca de respostas. Não sou o dono da verdade, porém nossos debates, que creio sempre seguiram o critério do seu artigo (sim, eu li tudo) serve justamente para mostrar os dois lados da moeda e para que os visitantes formem sua própria opinião. Porém em meus debates apologéticos, tenho conseguido sim, fazer com que algumas pessoas mudem de opinião. Principalmente pessoas de outras religiões. Muitos não abandonam suas crenças por vergonha ou tradição, não por convicção.

    “Também devemos levar em conta que tem muita gente que quer impor seu ponto de vista. Isso acontece com os que eu chamo de “ateus de-fim-de-semana”. Ninguém é obrigado a ser ateu.”

    Qual a lógica de ser um ateu militante?

    “Você quer discutir sobre o Novo Testamento? Tenha em mente que você terá que ter conhecimentos sobre História (como saber que judeus nunca libertavam prisioneiros na Pessach) e de grego, idioma no qual os evangelhos foram escritos. Isso ajuda a saber que, sim, Jesus falou que quem não odiasse os pais não poderia seguir com ele, já que a palavra usada é flexão de miseo, odiar. ”

    Muitas vezes você já chamou a atenção para o fato de que o costume de libertar um prisioneiro na Páscoa não é mencionado fora dos Evangelhos. Carr faz uma boa sugestão sobre como ele surgiu entre os judeus. Depois de notar que a libertação dos prisioneiros ocorria em algumas festas em Roma, ele diz: “Portanto, não é improvável que Herodes, o Grande, que certamente familiarizou os judeus com outros costumes da Grécia e de Roma, introduzisse esse hábito, e que o governador romano, ao ver que o costume estava estabelecido e que agradava aos judeus, de acordo com os procedimentos romanos o tivesse mantido” (comentário Bíblico Beacon). Por mais que não existam referências extra bíblicas sobre esse costume, não significa que não seja verdade. O texto bíblico também é uma excelente referência histórica e, já aconteceram várias situações em que até aquele momento não havia provas fora da Palavra e posteriormente aquilo foi confirmado. Tem muita coisa para ser descoberta ainda, André. E a maioria que tem sido descoberta tem corroborado com os textos bíblicos. Só um exemplo: em Lucas 3.1, é citado o nome de Lisânias tetrarca de Abilene. Acontece que as referências extra bíblica diziam que Lisânias não fora tetrarca, e sim governador de Caleis cerca de meio século antes. Porém, mais tarde, “descobriu-se uma inscrição da época de Tibério, de 14 a 37 d.C, em que Lisânias aparece como tetrarca de Abila, perto de Damasco, exatamente como Lucas informara”, conforme nos informa o arqueólogo John McRay, Ph.D. Ou seja, era outro Lisânias!

    Spurgeon nos chama atenção para esse texto: “O costume de soltar um prisioneiro no dia da Páscoa tinha, sem dúvida, o propósito de ser um ato de graça da parte das autoridades romanas para com os judeus, e pelos judeus poderia ser aceito como um ato atencioso pelo motivo de sua Páscoa. Posto que nesta data eles mesmos foram tirados da terra do Egito, poderiam considerar que era sumamente conveniente que algum prisioneiro obtivesse sua liberdade”.

    Como essa passagem é encontrada em todos os sinópticos e também em João, creio que o mais sensato seria darmos o benefício da dúvida aos evangelistas.

    Em relação ao “odiar” os pais: bom, que miseo admite a tradução odiar, não tem nem como eu discutir. É só você pegar qualquer Novo Testamento em grego que você verá a expressão lá. Na própria concordância de Strong, ele traz miseo com o sentido de odiar ou detestar. Porém, o que você não pode se esquecer é que a tradução passa também por outros critérios. A expressão miseo também admite “amar menos” e essa tradução é mais aceita, não para “limpar a barra” de Jesus, mas por dar mais sentido e fluência ao texto e corroborar com outras frases de Jesus. Como você mesmo disse, interpretações bíblicas não podem se basear somente em um versículo, pois o texto tem que ser visto como um todo. A tradução da corrigida e atualizada fiel traz:

    “Se alguém vier a mim, e não aborrecer (miseo) a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lucas 14:26)

    A NVI de tradução de equivalência dinâmica traz:

    “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:26)

    (Aqui a tradução não troca odiar por amar, mas reformula o versículo com a ideia de “miseo” como amar menos).

    “Se alguém vem a mim e não odeia seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. (Lucas 14:26)

    A versão católica traz a tradução de equivalência formal, assim como a Almeida corrigida, traduzindo o versículo palavra por palavra. Porém na nota de rodapé explica o sentido da passagem, relacionando-a com outras passagens na referência cruzada. Se interpretarmos o texto da forma que você acredita ser a forma correta, então nós devemos entender que Jesus está dizendo que devemos odiar a nós mesmos, pois ele também
    diz que quem quiser segui-lo deve odiar a própria vida. Essa interpretação seria estranha ao conceito de “amar o próximo como a ti mesmo”.

    “Ele está usando esta linguagem forte para dizer que não se pode permitir que algum outro amor, obrigação ou relacionamento esteja entre o Mestre e os seus discípulos. Qualquer coisa que se interponha entre o homem e Deus separa o seu relacionamento com o Senhor. Ou Cristo terá o primeiro lugar, ou não terá lugar algum em nosso coração e vida”. (Beacon)

    “Ainda esta semana tinha um sujeito debatendo (ou se debatendo) comigo por e-mail, e me xingou de tudo. Eu,
    calmamente, escrevi que a Bíblia dele dizia que ele tinha que me perdoar 70 vezes 7, entrar em acordo comigo e não podia me xingar. Não é nem questão de ser falácia ad hominem, é uma questão muito pior: o referido religioso, bom e puro, não segue as normas codificadas em seu próprio livro religioso. Ao demonstrar que você sabe disso, faz com que o outro lado se irrite ainda mais, o que leva a mais xingamento e você pode dizer simplesmente “olha, com esse comportamento você será jogado ao Inferno. Não que eu acredite, mas você sim. Eu até poderei ir, mas você me fará companhia”. Na mente religiosa fanática, isso dá um nó. ”

    Boa! Se se dizem cristãos tem que viver de acordo com os princípios cristãos. Essa é a única vantagem de ser agnóstico: podem se camuflar de acordo com a necessidade, pois não estão presos a nenhum conceito imutável.

    “E, claro, você fez dever de casa e pode dar maiores informações, ou vira bravata. Tipo “A ICAR foi responsável por mandar Galileu pra fogueira, porque ele provou que a Terra era redonda”. Número 1) Galileu nunca foi queimado, ele até era amigo do Papa e foi isso que o salvou dele mesmo. Em segundo lugar, Galileu nuca provou que a Terra era redonda. Todo mundo saia disso, desde o tempo de Regiomontanus, e Copérnico apenas chupou o trabalho de Al-Tusi. Em terceiro lugar, Galileu não foi julgado por isso, mas por querer interpretar a Bíblia à maneira dele, dizendo que os cardeais estavam fazendo de maneira errada. Em suma, Galileu não foi julgado por ser cientista, foi julgado por querer se intrometer em questões religiosas, no meio da Reforma Protestante. ”

    Isso. Ainda bem que você é um cara bem instruído. Esse é um dos argumentos que os Toddynhos mais gostam: Jogar a ciência contra a religião. Essa é uma grande mentira. A maioria esmagadora dos cientistas que fizeram grandes contribuições para a ciência eram religiosos. Newton, Copérnico, Galileu, Kepler, Pascal e Cia limitada. Aliás você escreveu um artigo sobre Newton e seus artigos teológicos e a importância desse cientista para o atual método científico. Nenhum religioso sensato iria contra a boa ciência.

    “É como debater sobre violência contra homossexuais, enquanto a Bíblia manda simplesmente executá-los. Ok, é uma questão religiosa, mas então temos a parte que Jesus fala para amar as pessoas e não julgar para ser julgado. ”

    Qual tipo de julgamento Jesus proíbe aqui? Isso seria uma boa questão, visto que ele fez vários julgamentos, geralmente contra a elite religiosa da época.

    “A insistência acarreta em dizer “Ok, mas o Velho Testamento também diz para matar aquele que for rezar para outro deus, e não menciona nada de Jesus”. Começa, então, a peleja. O outro lado tentará provar que menciona sim. Se você estudou, sabe como contra argumentar. Se você não sabe como contra argumentar, então, cacete, não comece! Lembre-se que a Bíblia não são versículos isolados. Essa divisão em versículos é recente. O texto deve ser visto como um todo.”

    Isso que eu sempre falo. A bíblia é um livro milenar, com suas características peculiares em relação à época, língua, costumes, geografia e sociedade. Escrita num período de mais ou menos uns 1400 anos por 40 autores diferentes. Na hora da contextualização, tudo isso tem que ser levado em consideração. Você viu o versículo que o “profeta” pretoriano usou para justificar que seus fiéis comessem cobras. Qualquer um com um mínimo de conhecimento refutaria ele facilmente. A boa teologia produz bons teólogos, a falta dela, produz… Isso aí que você mesmo viu.

    “Entenda que quando você entra num espaço, você não é dono daquele espaço. Nunca entre na casa de alguém e fale mal do cachorro dessa pessoa. ”

    Seguindo à risca! Aliás, quando eu fiz a matéria teológica sobre capelania cristã, isso era muito falado. Claro que não em relação à sites ou blogs, mas em relação à ambientes, como hospitais, asilos e outros locais públicos. Você jamais deve querer impor suas ideologias sobre as pessoas, principalmente falando mal da religião delas, dentro da casa delas. Sou contra essas igrejas barulhentas que querem convencer pelo grito e não pelos exemplos cristãos. Incomodando os vizinhos achando que assim, as pessoas vão se converter. Ninguém se converte na marra.

    “Um blog ou fórum de discussão é a mesma coisa. Você é visitante. Está lá e comenta porque deram permissão. Xingar o dono do site ou o próprio site é falta de educação e já causa antipatia desde o início. Você não precisa gostar de um ou de outro, mas comente com outras pessoas. O cara que está ali, independente se é um blog cético ou que dá louvores a Jesus, Filho de Maria, gastou um tempo para montar o site, não importando se é bem programado, com design de primeira ou está um lixo. Quer contestar, conteste o texto, mas de forma civilizada. Isso vale para todos os lados. ”

    O único site cético que eu frequento é o seu (que privilégio, hein cara). Pois nem adiante debater com esses ateus modinhas que leram “Deus um delírio” e acham que descobriram a roda. Até o nível dos comentários é mais elevado. Desde que eu comecei a debater no seu site, o meu nível de conhecimento aumentou substancialmente, pois me sinto desafiado.

    Eu fiz um Blog pra mim também. Não tem a tecnologia do cet.net, nem esses recursos visuais e nem é essa “porta de circo” toda, mas pra quem está começando é um grande passo.

    http://logosapologeticahoje.blogspot.com.br/
    (aceito sugestões)

    Excelente artigo.