Olhos perspicazes olham para outro mundo. Este observador viu mudanças inteiras, fantásticas, incríveis. Os seres observados ignoram aquela presença, mas se sequer fossem capazes de imaginar, com certeza, o chamariam de “divindade” ou um Celestial. Desde o alvorecer até o desenrolar da pré-história, o Observador, calmo e paciente, vê as suas crianças se desenvolvendo. Um dia formarão cidades e inventarão a escrita? Pouco provável, mas o Observador apenas anota o tempo mediante a sua escala de vida, o que parece éons e éons para aqueles lá observados.
Não estamos falando de Uatu, o Observador, mas de Richard Lenski, o pesquisador que conduz o mais longo experimento em Evolução realizado até agora.
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Na catástrofe que foi a Extinção do Permiano, no período Triássico-Jurássico (aquela que caiu um meteorão do mal, evento também chamado Triássico Tardio), mais de 50% das formas de vida foram para a vala, mas que sobrou foi o suficiente para acarretar em youtubeiros e seus comentaristas hoje (o que eu não sei dizer se foi uma boa, mas Evolução nunca significou melhoria). Entretanto, apesar da mortandade quase total, pesquisas atuais mostram que não houve mudanças drásticas na forma como os ecossistemas marinhos funcionavam.
Vocês pensam que cães são criaturinhas legais enquanto gatos são um bando de FDP.
Uma das bobagens mais densamente replicadas é que o Homem não pôde ir à Lua por causa do Cinturão de Van Allen, já que a radiação lá tostaria qualquer um. Obviamente, isso é de uma estupidez galopante e eu explico isso em meu vídeo. Claro, a radiação está lá, mas cientistas são um pouquinho mais espertos que um idiota que cursou um tosco Ensino Médio em colégio público de periferia, mas que se acha esperto porque viu um vídeo no YouTube. E se um vídeo no YouTube prova alguma coisa, o meu também serve como parâmetro e terá que ser aceito.
Abelhas são incríveis animais que adaptaram-se muito bem e estão prontinhas a competir pela vida. Para tanto, é preciso ter certas capacidades x-abelhas, como conseguir enxergar em ultra-violeta, por exemplo. Por outro lado, é extremamente interessante às flores serem polinizadas, pois isso garante reprodução da espécie. Sendo assim, quanto mais facilitar o trabalho das abelhas, mais garantida será a polinização. Por isso que à luz ultra-violeta elas são tão chamativas.
Uma das ideias estúpidas que se tem é que humanos se diferem de outros animais por causa das relações sociais que os primeiros conseguem estabelecer. Só se for xingar muito no Twitter e produzir textão fanfiqueiro no Facebook. Eu nem vou falar dessa vez de vespas, abelhas e outros insetos sociais. Baleias e golfinhos vivem em grupos sociais bem unidos (talvez mais até que você e sua família). Eles mantêm relações complexas, trocam ideias e conseguem até mesmo desenvolver dialetos regionais.
O brasileiro tem sérios problemas em entender como a mais básica atividade humana funciona. Não, não estou falando de ir ao banheiro (se bem que larga maioria não sabe que é necessário dar descarga e lavar as mãos direito). Estou falando de política. Brasileiros ainda não entenderam como ela funciona, por isso, ainda ficam chocados com o que acontece nas notícias ou quando sai foto do Lula defendendo o Temer, PSDB se aliando ao PT etc.
Para vocês que ficam olhando para um passado que não viveram e suspiram murmurando “antigamente era melhor” não fazem a menor ideia do que era esse “antigamente”. No início do século XX, a expectativa de vida era menos de 50 anos, graças à média que era influenciada pela altíssima mortalidade infantil. Hoje, reduzimos muito disso. As vacinas nos deram capacidade de erradicar doenças (que estão ressurgindo graças aos miseráveis anti-vaxxers). Acabamos com muitas doenças e estamos garantindo viver mais e melhor.
John Scopes era um professor de escola pública. Em 5 de maio de 1925, ele foi preso e enviado a julgamento. Seu crime foi ter ensinado fora das leis que estipulavam o que os alunos poderiam aprender, de forma que não fossem desviados dos bons costumes da família americana. Contrariando esta decisão, Scopes resolveu ensinar assim mesmo e pelo crime de corrupção de jovens foi jogado na cadeia. O que ele estava ensinando? Evolução, o que era crime de acordo com a Buller Act do Tennessee.
O jovem fechou os olhos. Deu seu último suspiro. Seus anos chegam ao fim e aí preparou-se a sua jornada ao outro mundo. Seguindo suas instruções, ele foi bem preparado, bem de acordo com sua classe social, mas com requintes de uma religião que para ele já era antiga.