LEVANTA-TE E ANDA: Fóssil ganha exoesqueleto para cientistas estudarem seus movimentos

Eu procuro sempre dar uma assuntada nos periódicos científicos, sites de universidades e institutos de pesquisa para saber o que anda rolando e trazer para vocês. Claro, para pesquisas internacionais. Universidade brasileira não faz divulgação científica. Talvez para ninguém saber da Ciência Salame. Eu desisti de pedir a pesquisador para me mandar seus papers para eu ler e divulgar. É a síndrome “é pro Fantástico?”, para depois reclamarem que jornaleiros publicaram tudo errado. Normalmente, eu posto coisas que estão recém-publicadas, na larga maioria das vezes antes dos veículos de informação e de “informação”, com informações certas e detalhes adicionais e alguma observação para elucidar pontos. Então, eu vi um artigo, digo, um vídeo compartilhado pela Reuters do dia 5 de fevereiro, mostrando que cientistas pegaram um fóssil e montaram num robô para saber como ele andava quando era vivo (o fóssil, não o robô). Ao pesquisar a respeito, vi que não era nada disso.

Sim, eu cheguei depois. Vários tinham veiculado, mais notadamente copiando a postagem da Reuters. Mas o que foi descoberto e qual era a pesquisa?

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Mergulhadores, baços, genes e ética indo por água abaixo

Volta e meia aparece alguma notícia ouvindo algum especialista dizendo que não, seres humanos não têm mais para onde evoluir. Ou chegamos num ponto final evolutivo, e daí é extinção, ou evoluiremos de tal forma que deixaremos de ser humanos. Evolução riu e disse “Hold my genes!”

Um exemplo é o povo bajau, também conhecidos como “ciganos do mar” ou “nômades do mar”. Este povo do sudeste asiático ainda vive como caçadores-coletores, tirando do mar seu meio de sobrevivência. Acabou a comida ali, eles picam a mula para outro lugar e TCHBUM! Bóra pra pescaria subaquática. Mas há algumas coisas interessantes a saber sobre a biologia desse povo.

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Biólogos encontram fêmeas com pinto e machos com ppk. Ou quase isso.

Sabem este beijão de língua aí da foto ao lado? Pois é, não é um beijo, é cena de perversidão, de lascívia e de sacanagem entre dois piolhos. Sim, eles estão fazendo fuc-fuc, mas agora vem uma pra zuar com a cabeça do pessoal que acha que meninos têm pinto e meninas têm ppk: pelo menos duas ocorrências em que piolhos machos têm vaginas e piolhos fêmeas têm pênis.

Sim, pois é. E claro você vai alegar que isso é válido para piolhos e não seres humanos, mas vai se surpreender quando souber que não basta ter cromossomos XX e XY para garantir que seja mulher ou homem, respectivamente. Nem sempre eles são suficientes para designar o gênero de alguém, mas isso fica para outro dia. Basta apenas saber que Biologia não é Ciência Exata.

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Descobertos os fósseis mais antigos de flores

Estamos acostumados a ver plantas com flores e sem flores. Normalmente, as pessoas acham que é tudo planta e planta é tudo igual, mas isso está longe da verdade. A diferença entre uma planta sem flores e uma planta com flores são vários milhões de anos de evolução biológica. Flores e frutos foram tão importantes que criou-se uma denominação exclusiva para essas plantas: angiospermas. Até agora, achava-se que plantas com flores só apareceram há coisa de 130 milhões de anos, no período Cretáceo, mas um fóssil encontrado mostra que já existiam flores muito antes disso.

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Casos de sarampo aumentam em todo mundo. Brasil finalmente segue o munto inteiro. Eeeee!!! Ops!

Eu já noticiei antes, mas vamos pra mais uma notícia da série “Parabéns, Retardados”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos de sarampo aumentaram em 30% no mundo todo. Ótimo, né? Mas aqui no Brasil está tudo tranquilo, né? Se você acha que é tranquilo a ocorrência de mais de 10 mil casos de sarampo e 12 mortes pela doença até agora, então, ótimo, né?

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Turbinas eolicas atrapalham o meio-ambiente e detonam com cadeias alimentares

O mundo caminha… ou melhor, CORRE para obter sistemas de geração de energia mais sustentáveis e com menor impacto ambiental. O problema é que isso ainda é impossível. SEMPRE temos impactos. Mas, como eu disse, a corrida é para o que tem menores impactos. Usinas solares precisam de um imenso sistema de células solares ou espelhos que concentram a energia do Sol numa torre que é basicamente uma usina termelétrica. Isso faz com que o gradiente de calor local aumente. Não vou nem mencionar hidrelétricas e muito menos termelétricas. Usinas nucleares são tabu, ainda mais com Fukushima, a usina perigosíssima. O fato de Fukushima ter tomado um tsunami de 30 metros de altura sempre é esquecido. A saída então? Usinas eólicas seria uma boa. O fato de matar aves e morcegos passa desapercebido. Mas isso é o mínimo que pode acontecer, não é mesmo?

Não, é pior ainda. Mas você já imaginava só pelo título (você leu o título, não leu?)

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FIM DA PRIVACIDADE: Até baleias são espionadas de longe


– Jim…
– Eu sei, Spock, eu sei!

Imaginem que, no atual ritmo, baleias estão caminhando para extinção. Um exemplo seriam as baleias jubarte. Essas gigantes do gênero Megaptera (o mesmo gênero da baleia azul, o maior de todos os seres vivos ainda dando um rolê por aí) são… bem… grandes, né? Além de serem famosas pelo seu canto e sua capacidade de migrar por uma distância de 25 mil quilômetros por ano. A caça comercial de baleias reduziu drasticamente os números de baleias. Os Estados Unidos listaram todas as baleias jubarte como ameaçadas de extinção sob o Ato de Conservação de Espécies Ameaçadas em 1970, e depois sob o Ato de Espécies Ameaçadas em 1973. Atualmente, a população estimada é de cerca de 80.000 espécimes.

Não seria legal poder dar uma olhadinha nelas lá, lá do alto? Tipo, uma nave klingon? Não? Bem, não importa, senhores. Nós temos a tecnologia.

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A vida profunda de quem entrou numa fria e está de boas

De acordo com o dr. Ian Malcolm, a vida sempre dá um jeito. Isso é mais do que comprovado em todos os cantos do planeta. Claro, ter um planeta dentre bilhões de sistemas solares, com bilhões de estrelas em cada uma das bilhões de galáxias, deixa de ser tão impressionante assim. Algum planeta teria que abrigar vida em pelo menos um, nesses 14 bilhões de anos, e foi por pouco (várias vezes) que quase tudo não vai pra vala evolutiva. Não se sinta especial. Você deu a mesma sorte que um fungo.

Já sabíamos que no Ártico tem vida. Ok, nada de muito impressionante nas focas e ursos polares. Só que uma recente pesquisa não ficou por aí. Bem lá nos meandros, bem nas profundas profundidades profundosas, a vida é uma constante, com uma densidade de vida e biomassa bem abundante.

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A vida escondida na escuridão tóxica do rio Tinto

Astrobiologia é um ramo interessante da Ciência. Ela se baseia em algo que não se sabe se existe. De qualquer forma, é preciso prever as condições que possa existir vida e como poderemos procurar por ela. Na falta de mandar um estagiário para outro planeta pra coletar amostras de solo e catar algum lugar que tenha água para pegar alguns mililitros, a solução é procurar aqui mesmo. Isso porque sempre se prefere um estagiário que more perto, senão o vale-transporte fica muito caro, e estagiário não vale isso.

Alguns lugares na Terra são ótimos para e procurar vida (exceto áreas de comentários em site de notícias. Há discussões se há seres viventes ali). Um desses lugares é o rio Tinto, que fica na província de Huelva, nascendo nas montanhas de Sierra Morena na Andaluzia, com cerca de 100 km de extensão.

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Pesquisadores investigam formação de biofilmes

Cirurgias têm seu risco. Não importa qual. Alguns riscos são maiores, outros são menores. Mas cirurgião não quer saber disso. ele não está lá pra ir na base do “vamos na base do mal menor”. Cirurgiões são levados a trabalhar nessas condições, mas não é suas preferências. Um dos principais problemas de cirurgias é que o corpo fica lá, abertão, e doido para ganhar de presente uma infecção.

Biofilmes são comunidades biológicas com um elevado grau de organização. Diferente da população brasileira, bactérias conseguem formar comunidades bem estruturadas, apresentando – para um serzinho tão diminuto – um grau de coordenação e funcionamento bem sofisticado diferente das reuniões pedagógicas que eu tenho a infelicidade de participar (se bem que pedagogos estão um degrau evolutivo mais baixo que bactérias, mas disperso-me).

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