Pesquisadores investigam formação de biofilmes

A vida escondida na escuridão tóxica do rio Tinto
A Torre de Marfim da Ciência

Cirurgias têm seu risco. Não importa qual. Alguns riscos são maiores, outros são menores. Mas cirurgião não quer saber disso. ele não está lá pra ir na base do “vamos na base do mal menor”. Cirurgiões são levados a trabalhar nessas condições, mas não é suas preferências. Um dos principais problemas de cirurgias é que o corpo fica lá, abertão, e doido para ganhar de presente uma infecção.

Biofilmes são comunidades biológicas com um elevado grau de organização. Diferente da população brasileira, bactérias conseguem formar comunidades bem estruturadas, apresentando – para um serzinho tão diminuto – um grau de coordenação e funcionamento bem sofisticado diferente das reuniões pedagógicas que eu tenho a infelicidade de participar (se bem que pedagogos estão um degrau evolutivo mais baixo que bactérias, mas disperso-me).

O problema é que, durante cirurgias, o paciente fica mais exposto a esses microorganismos safados (estou falando das bactérias, não dos pedagogos), e como não pode tomar uma dose cavalar de antibióticos, a tendência de ter uma infecção se torna cada vez maior.

O dr. Andre Levchenko é uma excelente pessoa. Não sei… algo no seu nome remete que é uma pessoa virtuosa, culta, fantástica e capaz de incríveis proezas. Ele é professor de Engenharia Biomédica na Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade de Yale, pesquisando Biologia de Sistemas; Transdução de Sinal e Comunicação Celular, Tomada de Decisão Celular, engenharia de células-tronco etc.

O problema principal de acabar com biofilmes é que, basicamente, não se sabe todos os detalhes de como eles se formam, se mantém e nem como bactérias fazem a transição do comportamento individual para o existente nas estruturas coletivas. Em suma, uma bactéria incomoda muita gente, algumas bactérias incomodam muito mais, mas quando estas lazarentas resolvem trabalhar em conjunto para sacanear legal, fica difícil dar cabo delas.

Você jamais lerá este tipo de descrição no seu paper favorito.

O que Levchenko e seu pessoal pesquisam é como encontrar um mecanismo que possa ser a peça-chave para a formação de biofilmes. Se eu souber os detalhes químicos e bioquímicos do processo, fica fácil de impedir que estes mecanismos ocorram.

O que os pesquisadores fizeram foi criar um dispositivo que imitava o ambiente dentro das células humanas que hospedam bactérias invasoras durante as infecções. Lecvchenko e seus colaboradores descobriram que as colônias bacterianas cresceriam até o ponto em que seriam espremidas pelas paredes da câmara, pelas fibras ou pelo gel usado como meio no respectivo dispositivo. O estresse autogerado acabou se tornando um gatilho para a formação do biofilme.

Os pesquisadores estão agora pesquisando outros dispositivos que possam imitar diferentes ambientes celulares, além de usá-los para produzir biofilmes de forma rápida, precisa e em grande número, de forma que possam entender sua formação e, melhor ainda, espquisar como evitar que eles se formem.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Communications.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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