Assimilar a informação que você fez besteiras não é agradável. Ninguém gosta de estar errado. Eu mesmo não gostaria caso algum dia alguém finalmente conseguisse demonstrar que eu errei algum dia da minha vida. De qualquer forma, os antigos já diziam que é errando que a gente aprende, o tipo de coisa que pensamos quando um médico corta a sua perna direita fora quando deveria cortar a esquerda. O importante é saber como o cérebro reage frente ao erro e como se prepara para lidar com a situação.
Algumas pessoas estão predispostas a tentar agir de forma diferente frente a uma determinada situação na qual elas tiveram um desempenho sofrível (isto é, fizeram merda). Outras pessoas ligam o módulo F e são felizes (ou quase). Como qualquer ameba pode perceber, esses dois tipos de pessoas agem de forma diferente porque pensam de forma diferente. Elas processam as informações de forma diferente. Enquanto uma acha que basta fazer a mesma coisa, da mesma maneira, só se empenhando mais, outras acham que isso não foi o bastante e precisam aprender como resolver aquele problema, já que se daquele jeito não deu certo, é porque, possivelmente, era o jeito errado.
Hans S. Schroder ficou muito conhecido por ser homônimo de um pintor e escultor alemão. Bem, quer dizer, ele não é o que se possa chamar de “famoso”, de qualquer forma. Ele não se graduou ainda; só em maio de 2012 (piada pronta não tem graça). Ele e Tim Moran trabalham no Laboratório de Psicofisiologia da Universidade de Michigan, sob orientação do dr. Jason Voorhees Moser. Infelizmente, por não terem graduação ainda, eles não podem assinar autoria em artigos científicos… mas podem ser co-autores, sendo o dr. Voorhees, digo, dr. Jason Moser o autor principal.
O estudo da equipe baseia-se em como diferentes pessoas agem mediante situações em que estão, digamos, erradas. Algumas pessoas pensam que a inteligência é maleável, e que se pode aprender mais e, com isso, evitar de cometer os mesmos erros (dica: se for pra fazer besteiras, procure fazer algo diferente. De repente, não dá na vista); no outro extremo, temos aqueles indivíduos que insistem e fazer sempre as mesmas coisas da mesma maneira esperando obter resultados diferentes. Alegam que Einstein tinha um ditado sobre isso, mas como disse Abraham Lincoln, “Com a Internet é fácil atribuir uma citação a qualquer figura famosa”.
Deixando as besteiras de lado, o segundo grupo de pessoas acha que a inteligência é fixa, e é como eles respondem aos erros que altera o resultado da equação. Estas pessoas tendem a fazer sempre do mesmo jeito, mas de uma forma, digamos, mais intensa, esforçando-se mais, naquele velho lenga-lenga de chefe que diz que você deve trabalhar mais e melhor, mesmo com um sistema de produção projetado por um idiota psicopata.
Moser e a rapaziada deu às cobaias aos participantes do estudo uma tarefa, mas não era uma tarefa qualquer. Dr. Troll e sua trupe disseram às cobaias, digo, os voluntários, que identificassem uma série de letras M e uma série de letras N. Como as duas letras são parecidas, há a probabilidade alta dos porquinhos-da-índia examinados errarem. O foco era perceber como as pessoas reagiam frente ao erro, ainda mais que usavam uma espécie de “touca” que registrava os impulsos elétricos na cabeça.
Quando a cobaia, digo, o voluntário comete um erro, seu cérebro faz dois sinais: uma resposta inicial que indica que algo deu errado (que o “bom” dr. Moser chama de “Resposta ‘Ô, Merda!'”), e um segundo que indica que a pessoa está consciente do erro e está tentando consertar a caca que foi feita. Ambos os sinais ocorrem dentro de um quarto de segundo depois da besteira feita. Após o experimento, os pesquisadores descobriram se as pessoas acreditavam que podiam aprender com seus erros ou não.
Reflexão do André: “Resposta ‘Ô, Merda!'”. Fascinante…
Entendendo como as pessoas reagem frente as vicissitudes, entende-se como pensamos em consertar o erro, o que é importante para que aquele erro não volte a ocorrer (voltará). Pelo menos, que ele venha em menor ocorrência (o que é mais próximo do que se pode esperar), com ações rápidas para que isso seja resolvido o mais rápido possível (quando aplicável, é óbvio). Isso refletirá em melhores treinamentos, onde os limites impostos por nossa gambiarra evolutiva possam ser entendidos e ajudar no direcionamento do aprendizado.
Fonte: Psychological Science

Melhores treinamentos seriam ótimos para evitar as palestras eventuais do RH ou DQ.
Realmente ele nomeia como “oh crap! response” :D precisei ver para acreditar.
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