
Americanos parecem ter alguma tara por frente gramada de casa de subúrbio (subúrbio lá tem outra conotação que aqui). Aquele lindo tapete verde maravilhoso que deve ser um saco porque – não sei se vocês sabem – grama tem o péssimo hábito de crescer e dali a pouco vira um matagal. Por mim, colocava grama sintética, mas ao que me contaram, há legislações de associações de moradores em que você precisa seguir a conformidade e ter aquela bosta de gramado na frente, para dor de cabeça do dono e felicidade para quem ganha dinheiro cortando aquela bagaça.
Isso até que um disco voador veio para nos ajudar.
O primeiro cortador de grama foi inventado por Edwin Beard Budding, em 1830, porque com certeza ele estava de saco cheio do matagal. Oficialmente, o objetivo era cortar a grama em campos designados para esportes e aparar os quintais de propriedades com extensos jardins, mas tenho certeza de que ele estava pensando em si mesmo. Até então, ou se usava uma foice para carpir o seu lote ou soltava uns bodes para irem comendo a grama para tudo ficar aparado. Sim, pois, é. Budding patenteou seu invento em 31 de agosto de 1830.

Quando os cortadores de grama Budding chegaram ao mercado, dois dos primeiros modelos foram vendidos para o Jardim Zoológico de Londres e para as Faculdades de Oxford. Depois de alguns anos, aumentaram o tamanho do cortador para dar conta de ovais esportivos de estilo moderno, campos de jogos e quadras de grama. Nesse tempo, a Inglaterra estava tranquila com seus serviçais e não fazia muita questão de tornar o aparelho menos cansativo para as pessoas, e foi preciso mais de dez anos para criarem uma versão puxada por animais.
A Inglaterra nunca teve pressa com nada que não estivesse relacionado com invadir países e transformá-los em colônias ou assaltar galeões espanhóis carregados de ouro.
Algumas décadas depois do invento de Budding, foi inventado um cortador movido a vapor, que logo seria substituído por um modelo movido a gasolina, em 1902. Esses cortadores fizeram a alegria de muitos homens casados, que agora poderiam ficar em casa tomando o seu chá, mas não demoraria muito, já que a Primeira Guerra Mundial estouraria em 1914.


Em 1957, houve uma ação disruptiva, pois, os aliens chegaram e nos deram um presente. Era uma nave espacial, mas, para disfarçar, fizeram que parecesse um simples cortador de grama modernoso: o Wonderboy X-100.
Apresentado como o “Cortador de Grama do Futuro” em Port Washington, Wisconsin, 14 de outubro de 1957, o Garoto Maravilhoso (ui!) foi introduzido (mas não produzido) pela Simplicity Manufacturing Company, indo parar na capa de 1958 da Mechanix Illustrated.

Era algo completamente à frente de seu tempo e uma vanguarda do design, primando essencialmente o conforto de quem o usasse. Motivo? Ele tinha um ar-condicionado próprio. Nada de ficar debaixo do sol abrasador andando feito um neanderthal. Você fica lá, sentado, confortável, e tomando uma fresca, enquanto seus vizinhos parados, tendo certeza que aquilo saiu de O Dia Que A Terra Parou.
O X-100 não era lá muito prático para cortar a grama, mas quem se importa? Tinha assento acolchoado, sistema próprio de geração elétrica, luzes de circulação, rádio-telefone, ar-condicionado e até mesmo um sistema de refrigeração para fornecer uma bebida gelada em um dia quente, podendo até ser usado como carrinho de golfe. Fiquei até com vontade de ter um, ainda mais pela quantidade de engarrafamento, não iria fazer muita diferença ele não chegar aos 20 km/h.
Infelizmente, o Wonder Boy-X-100 nunca passou do primeiro protótipo, e eu nem sei o porquê; o preço? Talvez, ou apenas um desses protótipos para enganar trouxa e estimular investidores. Vai saber, mas eu realmente queria um. #xatiado.

Um comentário em “Deixe o garoto maravilhoso te fazer feliz”