Abu Ali Hasan Ibn al-Haitham (Alhazen)

alhazen.jpgAbu Ali Hasan Ibn al-Haitham, mais conhecido como Alhazen, foi um cientista árabe da virada do milênio passado (965-1039) que passou a maior parte da sua vida no Egito, naquela época governado pelo todo-poderoso e também muito temperamental califa Al-Hakim.

Pois o soberano o contratou para um projeto grandioso, desviar o curso do rio Nilo para controlar as cheias. Percebendo que se tratava de uma tarefa impossível, e temeroso da fúria do califa, Alhazen passou a se fingir de louco, e assim viveu por cerca de vinte anos sem ter que dar satisfações de seus atos.

Sem pressões exteriores e com o sustento garantido, o cientista árabe foi então capaz de avançar em seus estudos de física e matemática, e acabou por se tornar uma figura importantíssima na história da ciência. Foi ele, por exemplo, que provou que Aristóteles estava errado ao afirmar que um arco-íris se formava pelo reflexo do sol nas gotas de chuva. Depois de experiências com garrafas cheias d’água (imagino os empregados se perguntando “o que esse louco estará fazendo com as garrafas?”), Alhazen descobriu que o arco-íris é na verdade fruto da refração da luz, cada cor com seu ângulo diferente. Hoje isso pode parecer brincadeira de criança (ou passatempo de loucos) mas foi uma descoberta importante, que precedeu em muito tempo trabalhos semelhantes de cientistas europeus.

Alhazen não se limitou ao arco-íris. Pelo contrário, calcula-se que tenha produzido mais de duzentos trabalhos de matemática, geometria, óptica (refração, reflexão, visão binocular, lentes, foco, espelhos parabólicos e esféricos, e muito mais), astronomia (entre outras coisas, ele foi o primeiro a sugerir que as estrelas tinham luz própria e não refletiam a luz do sol como imaginavam os gregos) e até anatomia (foi o primeiro a descrever em detalhes as diversas partes do olho humano), influenciando gênios da renascença como Leonardo da Vinci, Roger Bacon e Johann Kepler. Também foi precursor no uso da camera obscura, que séculos mais tarde seria a base para a câmara fotográfica. Mas sua principal contribuição foi ter rompido com a tradição grega clássica de fazer ciência com base em deduções filosóficas. Alhazen preferia usar a experimentação prática, e assim acabou sendo um pioneiro da ciência moderna.

Quando o califa morreu, em 1021, Alhazen finalmente terminou a farsa e provou publicamente que estava em seu perfeito juízo.

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