
O velho clássico conto do Fim do Mundo reaparece para nos lembrar que, se a humanidade não sucumbir à guerra ou ao clima, certamente será soterrada pela própria burrice. Agora, o palco do Apocalipse não é mais a caverna de um ermitão: é o Tik Tok. A nova Bíblia Sagrada tem filtro de cachorrinho e monetização habilitada, e o novo Moisés digital atende por Joshua Mhlakela, pregador sul-africano que acordou, tomou café com um comprimido de delírio e anunciou: arrebatamento em 23 ou 24 de setembro de 2025.
Spoiler: não foi. Que choque!
Segundo a lenda divina, Deus pegou Joshua pela mãozinha, levou-o ao futuro e trouxe de volta, uma versão gospel de De Volta para o Futuro, só que sem graça, sendo mais De Volta para a Insânia. Como prova da “visão”, Jojozinho fez o óbvio: gravou vídeo vertical com hashtag #RaptureTok. Porque nada grita “fim dos tempos” como conteúdo otimizado para algoritmo. Eu ouvi um Siga, Curta e Compartilhe?
O resultado? Multidão de cerebralmente privilegiados vendeu carros, casas, largou empregos. Afinal, quem precisa de estabilidade quando se tem fé cega e WiFi? Alguns deixaram casa aberta, deram senha do Netflix aos vizinhos, com Jesus virando Uber Premium: agenda no app da fé e tchau, adeus carnê das Casas Bahia. Não, não a versão Black, porque pra eles o Jesus tem a cara do Jesus Mórmon ruivinho e olhos azuis.
Passaram-se os dias. Nenhum anjo tocou trombeta, nenhum cavalo branco riscou os céus. Só constrangimento cósmico e justificativas criativas. “Deus trabalha misteriosamente”, murmuraram os sobreviventes digitais, cambaleando de ressaca espiritual. Misteriosas mesmo: ninguém explica como vender o carro para o paraíso e precisar pegar ônibus lotado no dia seguinte.
O tragicamente hilário é ver esse rebanho transformar pseudociência maia em pseudorreligião de timeline. Nos tempos de Ptolomeu, pelo menos tínhamos desculpa da ignorância. Agora temos influenceiros do Apocalipse vendendo eternidade em 30 segundos, com transição dramática e música de suspense. É o que eu poderia chamar de Skynet da Estupidez: tiktokers de fé vendendo mobília porque algum ser iluminado os iluminou que tudo ia pro saco, mas o pastoreco mesmo não se desfez de nada.
Depois da ressaca espiritual e conta bancária engordada, nosso amigo Jojozinho tentou colar os cacos com superbonder da criatividade. Roteiro previsível: não errou a data, “a mensagem foi mal interpretada”. Sempre culpa da plateia. O problema não foi prometer check-in celestial, foi você não decifrar o idioma do Todo-Poderoso transmitido via stories.
Moral da história? Da história eu não sei, mas do Joshua eu sei muito bem: Nenhuma. Enquanto isso, a humanidade não precisa de meteoros ou vírus. Tem a si mesma, smartphone e app de vídeos curtos para se autodestruir com dignidade zero. O único arrebatamento real foi o da paciência de quem ainda acredita que esse planeta pode dar certo.
Mas garanto que estão esperando o próximo candidato a Isaías a prever mais um fim de mundo para fazerem a mesma palhaçada.
Fonte: LadBible via Lagartixas Robóticas Extraterrestres

Ah, então foi por isso que o povo começou a falar de arrebatamento de novo… Bem que mr. J podia ter dado uma ajudinha dessa vez né?
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