A moral superior

Eu chamo de Síndrome de Moral Superior a ocorrência de certas pessoas se mostrarem melhores, mais éticas, mais bondosas e mais humildes que os reles mortais. O que pode parecer simples modéstia ou humildade esconde a pior das arrogâncias.

É fácil de reconhecer o pessoal da Moral Superior. Você vê algum maluco falando asneira, normalmente você ignora e vai embora. O pessoal da Moral Superior perde um tempão batendo boca e mostrando o quanto são melhores e mais éticos. Não, eles não estão querendo fazer o outro lado entender um ponto de vista. Eles estão interessados em aparecer para todo mundo o quanto ele é melhor, mas sempre focando o quanto são mais humildes e corretos.

Eu sempre digo que arrogância tem que ser merecida (minto: eu aprendi vendo série do House), mas não há nada mais arrogante que fingir humildade. Eu, por exemplo, nunca tive o defeito da modéstia, já que sigo as palavras de Nelson Rodrigues e acho que modéstia é a desculpa da incompetência. Também não finjo ser modesto. Sim, eu sou arrogante, mas normalmente eu mostro isso quando reduzo os falsos humildes ao que realmente são.

A melhor arma contra a Moral Superior é um espelho, em que você mostra a pessoa o que ela realmente é. Isso faz com que surtem e normalmente fujam da conversa. Querem bater boca com tábuas, mas tábuas não revidam, como diria Bruce Lee (se você achou que era fala do Grande Dragão Branco, pense de novo. O ator Bolo Yeung estava no filme do Bruce Lee Operação Dragão, também, e a frase é uma referência).

Claro, os que sofrem da Síndrome de Moral Superior não aceitarão a imagem horrenda de si mesmos. Eles precisam acreditar que possuem as melhores intenções e as melhores ações, reforçando sua brutal arrogância do quanto são humildes, e aqueles que contra-argumentam é que são os poços de negatividade.

Afinal, ninguém quer olhar pro abismo e ver a si mesmo dando tchauzinho, não é verdade?

7 comentários em “A moral superior

  1. Eu vi isso acontecer mais uma vez ontem no Twitter. Não deixaram nem a Elza Soares terminar de morrer e já estavam enchendo o saco de quem lembrou do Garrincha. Ugh.

  2. Pode ver como essa presunção de moralidade vem sempre acompanhada de uma ideologia pretensiosa. Cristianismo, veganismo, anarcocapitalismo, neoateísmo…
    Faz parte do pacote pedante, o sujeito descobrir uma interpretação nova da realidade e achar que se tornou esclarecido.

  3. Ótimo texto, André. Esse povo, de vez em quando, precisa de alguém pra esfregar a verdade na cara deles e tira-los desse mundinho de “intelectuais” que eles vivem.
    Não consigo deixar de associa-los aos ungidos, descrito por Thomas Sowell.

  4. As pessoas vêem na busca das virtudes o encontro da felicidade,quantas vezes ouvi a maldita afirmação de que o outro pode ser mais forte ou bonito mas não tem inteligência ou caráter;porém,e se o outro tiver todas essas características?Para ser forte e bonito e ao mesmo tempo inteligente e benévolo,não precisa ser falso,ignorante,fraco e horroroso;um indivíduo pode ser e ter tudo isto de bom naturalmente,com ou sem esforço.O fato é que se você depende que o próximo tenha defeitos para se sentir melhor em algum outro atributo como pessoa,ou seja;se você não aceita que o outro pode ser melhor que você em tudo(ou quase),talvez seja melhor se isolar do mundo.

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