Analisando séries e filmes de super-heróis XIV

Os filmes e/ou séries que eu ainda espero que sejam produzidos

Há um plantel imenso de heróis e super-heróis – tanto de quadrinhos quanto de desenhos animados – a serem explorados em produções cinematográficas. Olhando para trás, eu tenho uma listinha de personagens e histórias que poderiam ser adaptadas pela Disvel e War-DC para live actions e/ou séries. Alguns excelentes arcos a Disvel já queimou de forma tosca e muito certamente não tocará de novo. Ainda assim, vamos citar alguns filmes que eu gostaria de ver no cinema. Não, não está em nenhuma ordem específica.

Space Ghost

O Herói Fantasma do Espaço foi um desenho com produção pela Hanna-Barbera, atualmente propriedade do grupo Warner. É algo como o Batman do Espaço, com uma espécie de supergêmeos sem serem super e o Glick, digo, Blip. Em 2004, a DC publicou uma minissérie intitulada Space Ghost, na qual é apresentada a origem do herói. E quem desenhou foi o estupendo Alex Ross:

Space Ghost caberia muito bem numa produção da Liga da Justiça, ou mesmo da CW, mas um filme solo seria ótimo, também. Tragam-me o Space Batman!


Galaxy Trio

Eu adoro o Galaxy Trio, composto pelo Homem-Vapor, a Mulher Flutuadora e o Homem Meteoro. Também da Era de Ouro dos desenhos animados da Hanna Barbera, o Galaxy Trio enfrentava bandidos galácticos, conquistadores, alienígenas e todo tipo de escória espacial, tudo coroado com a maravilhosa trilha sonora estilo Orchestra, típico dos anos 60.

Vamos lá, Warner, os direitos já são seus, mesmo!


Galaxy Rangers

A versão espacial dos Rangers do Texas, policiais em cavalos robóticos que metem moral na galáxia usando suas habilidades especiais graças aos implantes. O tipo de aventura espacial que o Taika Waititi adoraria filmar, ou mesmo o James Gunn. Criado em 1984 por Robert Mandell, o desenho dos Galaxy Rangers ficou a cargo do estúdio japonês Tokyo Movie Shinsha, o que demonstra que japoneses são ótimos para usar técnicas de animação, mas se o argumento não for de outro lugar, sai umas coisas bem toscas, com raríssimas exceções

Sim, animes japas são na maioria uma bosta, mas você tem o direito de achar que não. Você pode estar errado o quanto quiser, eu permito.

Em 1988, os Galaxy Rangers viraram histórias em quadrinhos pelo escritório britânico da Marvel, mas não foi muito pra frente. Bem, pouco importa: vendeu bonequinhos.


Mundo de Krypton

Pense naquele seu emprego com um chefe maníaco que joga uma bomba no seu colo e você não tem a menor ideia de como conduzir o serviço e tem que se virar do zero, pois seu chefe quer resultados e não vai dar nenhuma dica, pois ele mesmo não sabe o que é pra ser feito, só quer que seja feito. Pois, é.

Em 1988, o Super-Homem fazia 50 anos e a DC queria uma comemoração digna à altura do maior dos heróis. Sendo assim, apresentaram pro John Byrne a intenção de criar 3 arcos: O Mundo de Krypton, O Mundo de Smallville e O Mundo de Metrópolis. Eu prefiro mais o Mundo de Krypton, já que é a criação de um mundo alienígena do zero, e era complicado escrever sobre Krypton, o planeta-natal do Super-Homem, já que Shuster e Siegel não tinham dado nenhum detalhe sobre a sociedade kryptoniana.

Sim, foi na base do “se fode aí”, e como o Byrne assim como eu tem boletos pra pagar, mandou aquele “Ok, né?”. Com isso, Byrne (que é um excelente argumentista, mas quando está com preguiça desenha todos os personagens com a mesma cara) criou uma obra de arte abrangendo uma sociedade rica, complexa, um tanto árida, mas rica em suas questões sociais, ainda que estagnada, mas não menos pungente. Tentaram fazer uma série, mas eu prefiro não tocar neste assunto, fazendo de conta de não fizeram aquela tranqueira, e indo partir do zero.


Camelot 3000

Criado por Mike W. Barr e Brian Bolland, Camelot 3000 é uma reescrita do clássico de sir Mallory sobre o Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Motivo? Bem… por que não? Todo mundo gosta de história de capa-e-espada, no tempo de cavaleiros etc. Tanto que gostam que um tal George Lucas jogou isso pro Espaço e fez Star Wars.

Indo por esta linha, Barr e Bolland não queriam que a história de Arthur se passasse no século XII, já que seria muito carne de vaca. Com isso, os autores levaram todos aqueles conceitos de cavaleirismo, brandindo espadas para assegurar a Justiça e a Virtude num mundo futurístico do ano 3000. Sim, tem a parte que Lancelot vai pro recreio antes de bater o sinal e come o lanche do amiguinho.


Massacre

Tudo dá errado para os X-Men. Já é notório. Mais ferrado que eles, só Peter Parker, ainda mais que ninguém buzina no ouvido dos X-Men que eles têm que trazer fotos do Homem-Aranha. Tudo começa com outro arco: Atração Fatal. Nele, o Magneto está mais do que de saco cheio do Wolverine e faz o que alguém com um poder de magnetismo foda faz com um sujeito com um implante de metal indestrutível: arranca fora o adamantium do Wolverine, que fica tão ferrado, mas tão ferrado que quase morre.

Xavier entra em desespero e se aproveita de um momento de desatenção do Magneto, entrando-lhe na mente e o deixando que nem um vegetalzinho magnético. O problema foi que a parte revoltz do Magneto fica num cantinho da mente do Xavier, que se une à toda raiva, frustração e indignação contida do careca e acaba se tornando uma criatura senciente à parte: a entidade Massacre.


Exageraram na anatomia, essas crias do Rob Liefeld

OBS. Não ligue para a cronologia. Ninguém em sã consciência dá mais atenção à cronologia dos X-Men.


Marvels

Com argumento de Kurt Busiek e arte de Alex Ross, Marvels é uma maravilha, tanto em termos de trocadilho quanto no sentido direto. Esta graphic novel em 4 partes mostra o surgimento dos super-heróis sob o ponto de vista de um fotógrafo comum, de jornal. Não um Jimmy Olsen ou Peter Parker. Apenas um sujeito normal. Ele chama os heróis de “maravilhas” (Marvels, em inglês) e é a nossa visão de como veríamos surgirem gigantes brigando em meio à cidade, um sujeito de orelhas pontudas lutando contra um robô que pega fogo, inundando tudo. Um deus nórdico voando e criaturas diferentes com poderes estranhos.

É uma poesia a arte e o argumento, com pessoas simples maravilhadas e aterrorizadas com os acontecimentos, testemunhas das ações maravilhosas e ao mesmo tempo terríveis. Você nunca se pergunta o que acontece com as pessoas em volta de acontecimentos envolvendo seres super-poderosos. Em Marvels, os super-poderosos são apenas pano de fundo, sendo o enfoque principal as pessoas, seus medos e suas reações.


Hiketeia

Venho me oferecer, em súplica a ti, a minha alma. Venho sem proteção. Venho sem alternativas. Sem honra, sem esperança. Sem nada além de mim mesma para implorar tua proteção. Em tua sombra vou servir. Pelo teu hálito vou respirar. Por tuas palavras vou falar. Por tua misericórdia vou viver. Com todo meu coração, com tudo o que tenho para oferecer, eu te imploro, em nome de Zeus, que zela por todos os suplicantes: ACEITA O MEU PEDIDO!

Este é o juramento de Hiketeia, que no bom idioma de Platão significa “súplica”. É o pedido dos desesperados que buscam proteção e que não pode ser recusado e, assim que aceito, o protetor não pode quebrar o laço, só o suplicante. Enquanto a Mulher Maravilha está na embaixada de Themiscyra, uma garota chega e a chama. Indo atender, a menina faz o juramento de Hiketeia e Diana a recebe em sua proteção. O problema é que tem alguém no encalço da menina. Sendo procurada por assassinato, o Batman a persegue e Diana tem que fazer de tudo para protege-la, inclusive combatendo o Homem-Morcego, que apanha feito Morcego Ladrão, acabando por ter a bota de uma amazona pisando-lhe a fuça e mandando não se levantar.


Não acho que a Gal Gadot faria isso.


Guerras Secretas

O que eu gosto de Guerras Secretas é não ser bem uma guerra e muito menos secreta. Na verdade, tudo isso foi uma grande estratégia de marketing para vender brinquedo, o que nem é tão inusitado assim, já que muitas histórias e, principalmente, desenhos animados eram solicitações das fabricantes de brinquedos para… bem… vender brinquedos.

Funcionava assim: alguém teve uma ideia de fazer uns robôs que viravam carros, aviões, helicópteros, barcos etc. A Hasbro mandou a bomba pro pessoal da Toei Animation, Sunbow Entertainment e Marvel Productions e daí saiu Transformers. Pronto, já temos um motivo para vender os brinquedos, além de faturar com espaço de TV para fazer a propaganda do brinquedo, sendo o próprio desenho a propaganda (mas havia as peças de marketing nos intervalos). O mesmo aconteceu com Dinossaucers, Comandos em Ação (G.I. Joe) e vários outros.

Guerras Secretas não foi algo que saiu da Casa das ideias. Nem mesmo o nome saiu de lá. Foi uma encomenda da Mattel que queria vender bonequinhos de super-heróis, já que a Kenner estava faturando horrores com sua linha Super-Powers com personagens da DC. O nome? Numa pesquisa de mercado, a Mattel descobriu que crianças tinham grande interesse em qualquer coisa mencionando “Guerra” e “Segredos”; como a Marvel sempre teve ideias boas e originais (as boas não eram originais e as originais não eram boas), jogou este nome por pura preguiça de pensar em algo melhor.

Ah, sim. Sabem o Galaxy Rangers que eu mencionei lá em cima? Foi a mesma coisa. Depois falam de publicidade infantil. Sem publicidade infantil, não teríamos nem desenhos nem as grandes sagas, e é por isso que depois das proibições de publicidade enfocando o público infantil (como se papai e mamãe não tivessem a última palavra na compra de algo… talvez realmente não tenham) as produções ficaram uma merda.

Tudo começa com Beyonder, um ser interdimensional (Marvel tem urticária com a palavra “deus”) banca o curioso porque queria saber mais sobre os seres aqui da Terra. Cata um monte de cabeças e leva para uma região do Espaço em que ele destruiu uma galáxia inteirinha só pra acomodar um mundo que ele transforma em arena de guerra. De um lado os heróis (embora o Magneto tenha ficado do lado deles), do outro os vilões (junto com Galactus, que não é lá bem um vilão). Este arco é importante na história da Marvel, pois tem muitas coisas desenrolando, como o Homem-Aranha encontrando o uniforme negro, que na verdade é o simbionte Venom.


Para finalizar, tenho uma sugestão primorosa, mas não vou falar muito. Acho que uma imagem resume tudo.

Funciona assim: Disney gosta de dinheiro. Warner gosta de dinheiro. Junta os dois. Disney produz o(s) filme(s) e a Warner faz as animações. Roteiro de Geoff Johns e direção de Josh Whedon. Simples assim.

Porque, no final das contas, eu ainda quero ver este diálogo:

(não vá cagar isso, Disney!)


PS. Esse são só alguns, tem muitos outros, mas não mencionei porque estou aguardando o que virá por aí, ou porque este artigo ficaria enorme. Que tal vocês me dizerem quais as histórias que deveriam virar filmes e/ou séries?

9 comentários em “Analisando séries e filmes de super-heróis XIV

  1. As análises de séries e filmes de super heróis estão excelentes.
    Mantenha os comentários sarcásticos

  2. Adoraria ver algo como os Herculoides, lembro que passava em algum canal da década de 80 (bandeirantes???), e eu adorava.

  3. Sensacional o artigo..
    Um dos primeiros/poucos que li, foi um livro/”almanaque ” do Rei do Crime com o aranha..
    Por ser dos poucos que li, sempre me chamou atenção/senti “falta” do Rei do Crime

  4. Eu não fico muito empolgado em séries da Marvel, nem em adaptações pro cinema porque acabam ficando diluídas demais (Guerra Civil por exemplo). Eu imagino que um filme de Guerras Secretas, acabaria decepcionando. Invasão Secreta, que deveria ser um filme, vai virar série (se bem que é uma saga bem meia-boca pra falar a verdade).

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