Quando comprava-se revistas para procurar sites

Estava conversando outro dia e relembrei como era a Internet nos tempos d’antanho. Uma época tão longe que só velho que escreve “d’antanho” teria vivenciado. Imaginem que houve uma era imaginada depois que as águas abraçaram Atlântida e o Google subisse ao poder. Uma época que tinha o Altavista e o Yahoo! Mas o mais legal era saber que as pessoas faziam busca na internet por meio de… revistas.

A Revista da Web era algo sensacional, mas não para vocês hoje que devem achar um absurdo. Como assim comprar uma revista com listagem de sites e dicas de navegação? Pois é. Praticamente uma Páginas Amarelas de site (se você não sabe o que são “páginas amarelas”, você é privilegiado).

Mas sim, claro que faz sentido. Era uma época diferente de hoje. A Revista da Web entrou em circulação em outubro de 1999, um ano depois do Windows 98 ter sido lançado. Uma época que muitos sequer imaginam hoje e naquela época jamais imaginam como seria hoje. Era uma época que reinava a linha discada.

Se você reconheceu o barulho, você é velho!

Como aqui no Brasil a linha era por pulso, era contado um pulso quando a ligação era estabelecida e outro pulso a cada 4 minutos. A linha telefônica ficava dando ocupado para quem ligasse e na época as ligações eram caras.

Isso quando funcionava!

Mas tinha o pulso único. Era entre meia-noite e seis da manhã, sábado depois de 2 da tarde e domingo e feriado nacional o dia inteiro. Sim, se você ficasse de 2 da tarde de sábado até seis da manhã da segunda-feira, era um pulso só. Não raro a gente colocava relógio pra despertar de madrugada pra poder usar Internet.

A Revista da Web já trazia links interessantes e coisa para baixar, como músicas (cof cof cof) e informações em geral. Não, não dava pra baixar filme ainda. Ou dava, só ia ficar uma semana baixando. Usávamos o GetRight para voltar o download do ponto que tinha parado. Ou tinha que recomeçar do zero. Saudade? Nenhuma. A Revista da Web agilizava isso, pois você não perdia tempo procurando, já ia para onde queria.

Até tenho um certo “carinho” por esta época, mas não nostalgia. Não amaldiçoo épocas passadas e suas dificuldades, mas me ajudam a valorizar o que tenho hoje, podendo acessar internet de forma rápida, sem ficar pobre por ficar 3 horas conectado só fazendo pesquisa.

E vocês? Quais as lembranças têm desta época?

16 comentários em “Quando comprava-se revistas para procurar sites

  1. 2005, acho, eu não tinha computador mas uma amiga tinha (e tinha internet!). O trato era: ela saía à noite (não me interessava onde ela ia, eu cuido só da minha vida) e eu ficava de olho nos filhos dela (que já estavam dormindo quando eu chegava, devidamente alimentados e banhados). Eu passava a madrugada batendo papo no MSN com um amigo, procurando letra de música e baixando mp3 pelo Emule, pra depois gravar num CD-R. Foi nessa época que eu comecei a escrever em blog, mas todos eles morreram um tempo depois.

  2. Tempo de discada ficava baixando discos de bandas pelos Rapidshares da vida, deixava baixar de madrugada e de manhã via o resultado, quase sempre dava erro, por isso que gastava horrores com CDs… Mas era bom, não tinha rede social, eu ria de qualquer merda de site de humor e acreditava em sites de teoria de conspiração e terror que não me fazia dormir kkkkkkkk…

      1. Meu primeiro MP3 veio num CD que um amigo com gravadora gravou pra mim.
        Windows95, MS Office97, Winamp, algumas mp3, um emulador de SuperNintendo e algumas ROMs.
        Só no ano seguinte apareceu provedor na cidade.

  3. Sou da época dos BBS e Usenet. Dos programas e jogos em fita cassete pro meu CP300S da Prológica.
    Eu até tinha revistas, mas o Halleyfante comeu! \ô/ \ô/ \ô/ \ô/

  4. Eu fazia desenhos com caracteres numa BBS e desenhos de eletronica, na qual trabalho até hoje usando hifens asteriscos e underlines!

  5. Minha primeira conexão foi feita em 1995 na incrível velocidade de 2400 bits por segundo, na empresa que trabalhava, em um 386 DX com 4 MB de memória e Windows 3.11. O primeiro site que vi foi o do provedor, Convex. Lembro que descobri um site de bate-papo somente em inglês, e que ao lado do nickname aparecia o IP da pessoa!

  6. Em 1986 comprei um TK90, um gravador K7 com altíssimos agudos e conectava em minha TV. Com sorte, os jogos que comprava em uma revista de que esqueci o nome, rodavam após uma ou duas horas de digitação. Com mais um pouco de sorte a gravação que deles fazia me permitia jogá-los novamente no dia seguinte…

    1. A revista seria a Micro Sistemas?
      Computador da linha Sinclair então você não “digitava” os programas mas tinha de usar a tecla de cada comando e símbolo gráfico, correto? Eu tinha um TK-2000 que era “mais ou menos” compatível com o Apple II. Maldita “reserva de mercado” dos anos 80 e o atraso que isso causou.

  7. Comprei uma edição da Revista da Web que vinha com um CD com vários programas. Acho que isso foi por volta de 2001/2002. Lembro de um CD da America OnLine que veio com o trailer da Sociedade do Anel. Na época eu era porteiro num condomínio e uma moradora deu esse CD pra mim.

  8. Sou da época que Odin ainda não era caolho. Primeiro computador um TK-2000 e um gravador K7 similar ao que o Roberto Weber comentou. O gravador tinha um furo para acesso ao parafuso de ajuste de azimute. Nem vou tentar explicar.
    Revista da época, “Micro Sistemas”. Havia códigos fontes para diferentes linhas de computadores e aceitavam – e pagavam – colaborações dos leitores. Tenho orgulho (meio duvidoso) de ter tido um programa publicado. Pelas regras era necessário enviar fita K7 e impresso mas como não tinha acesso a impressoras datilografei em máquina de escrever manual.
    Vivendo no interior o acesso as BBS era por ligações interurbanas que custavam fortunas, então como alternativa encomendar programas anunciados nas revistas: Enviar carta com lista dos programas e cheque nominal para receber (com sorte) uma ou duas semanas após.
    Passei também pela “Informática Exame”->”Info Exame”->”*censurado*”.
    Início da Internet provedor apenas na cidade vizinha então ainda ligação interurbana cara.
    Plagiando o Mestre André, um certo “carinho” por esta época mas não nostalgia…. um carinho muito pequeno.

  9. Em 92 o acesso à internet era só em uma sala da universidade, ftp e telnet.
    Mais pra frente, lá por 95 eu tinha acesso a um ftp de warez.
    Ah, os velhos tempos do command line.

  10. Eu lembro do Cadê, a alternativa nacional ao Yahoo e Altavista, e que nunca achava porra nenhuma do que a gente pedia para buscar.

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