Uma história de amor entre desconhecidos

Os piores momentos revelam os melhores amigos, ainda que nunca se conheçam pessoalmente. Algumas dessas histórias começam com uma ajuda, acabam enfrentando uma ingratidão, observam a fome, contribuem com amizade,  evoluem até um gesto de amor, para depois ser retribuído com o calor do coração e uma coroa.

Tudo começa quando os primeiros peregrinos fugiram da Europa.

102 devotos cristãos protestantes resolveram que Inglaterra não era mais legal e saíram de suas casas para enfrentar o Oceano Atlântico por 10 semanas até o Mayflower chegar em Massachusetts, em 21 de novembro de 1620. Apenas 30 pessoas conseguiram chegar à América. Os Peregrinos, como ficaram conhecidos, escolheram se separar da Igreja da Inglaterra porque acreditavam que ela estava mais do que corrupta, com as garrinhas da Igreja Católica ainda exercendo influência.

Esta migração começou bem antes, em 1608, quando um grupo de famílias foi para a Holanda, lugar que sempre prezou pela liberdade de opinião e religiosa. Em 1620, a comunidade decidiu ir para a América, pois a considerava uma Terra Prometida, um novo começo, espelhando-se na fuga dos hebreus do Egito (não vou entrar na questão se o Êxodo existiu ou não. Não é este o assunto).

Nova terra, novos desafios. A terra era muito diferente da inglesa e os fracassos no plantio começaram a aparecer e a fome era algo palpável. O inverno chegou e o que estava ruim, piorou mais ainda, até que a ajuda chegou sob a forma de um índio. Seu nome era Squanto.

Squanto, também conhecido como Tisquantum, era um índio (tá, agora chamam de “nativo americano”) da tribo Patuxet. Ele atuou como intérprete e guia para os colonos peregrinos em Plymouth durante seu primeiro inverno no Novo Mundo. O azar de um acaba sendo providencial e muitos veem nisso uma ação divina. Também não discutirei isso. A questão é que Squanto pôde ajudá-los porque ele sabia inglês, conhecia o modo dos ingleses. Ele nasceu por volta do ano 1580 perto de Plymouth, Massachusetts e é praticamente isso que se sabe de sua infância. O que se sabe é que, em 1614, Squanto foi sequestrado pelo explorador inglês Thomas Hunt, que o levou para a Espanha, onde foi vendido como escravo. Com muito custo, Squanto conseguiu fugir, voltando para o que se tornaria os EUA dali a algumas décadas. O ano era 1619. Um ano depois, estava ajudando os peregrinos, pois ele entendeu que nem todo homem branco é um fidaputa.

Esse é um dos motivos que americanos comemoram o Dia de Ação de Graças, se reunindo para comer peru assado com torta de abóbora, que era o que os peregrinos tinham à disposição, pois fora o que os índios levaram para eles.

Esta foi uma história de altruísmo.

A resposta para isso? Serem removidos de suas casas para dar mais lugar a outros colonos, já que era preciso mais terras e já havia eleições. Depois dos EUA terem conseguido sua independência, agora era hora de se verem livres de alguns indesejáveis, como os que já moravam ali antes. Dessa forma, os eleitores, digo, os colonos começaram a pressionar o governo federal para remover os índios do sudeste, já que muitas daquelas terras já tinham sido invadidas de qualquer forma.

Alguns políticos com um pouco de noção foram veemente contra, como Davy Crockett (sim, o que usava chapéu de guaxinim e caçava ursos), congressista pelo Tennessee. Enquanto isso, outros eram plenamente favoráveis em jogar os índios para outro canto. Entre eles, George Washington, um inútil como soldado, mas que acabou tendo mais fama do que feitos(o quadro retratando-o cruzando o Potomac retrata tão a realidade quanto D. Pedro I num cavalo branco proclamando independência o morte. Apenas marketing.

Andrew Jackson, pelos idos de 1819, estava trabalhando fortemente para remover os índios, o que ele conseguiu quando se elegeu presidente (1829 –1837). Jackson tanto pressionou que conseguiu a aprovação do Congresso para a Lei de Remoção de Índios de 1830, que autorizava o governo a extinguir qualquer título indígena para reivindicações de terras no sudeste.

Com isso, as chamadas “5 últimas nações civilizadas”, formadas pelas nações Cherokee, Chickasaw, Choctaw, Creek e Seminole, foram removidas educadamente (cof cof) para o que seria seu destino final, numa caminhada de milhares de quilômetros até o que chamamos hoje de Oklahoma. Entre essas pessoas estavam índios, não-índios (como negros escravos, negros não-escravos e alguns brancos), num percurso agreste e cansativo. Davy Crockett protestou dizendo “Eu preferiria ser honesta e politicamente condenado do que hipocritamente imortalizado”. Crockett tentou duas vezes concorrer à Presidência dos EUA, mas fora derrotado. Ele morreu em 1836, na Batalha do Álamo.

A bem da verdade, a Trilha das Lágrimas não foi uma rota só, mas foi devastadora assim, mesmo. Mais de 16 mil vidas se perderam na travessia.

Em dezembro de 2009, o presidente Barack Obama assinou um projeto de lei que incluía um pedido oficial de desculpas a todas as tribos indígenas americanas pelas injustiças do passado. Os senadores norte-americanos Sam Brownback do Kansas e Byron Dorgan da Dakota do Norte lideraram um esforço bipartidário para aprovar a resolução, que parece ser muito, mas era apenas um “mal aê, tava doidão”. A resolução não impunha nenhuma reparação ou sequer apoiava qualquer ação judicial contra os Estados Unidos.

Esta foi uma história de ingratidão.

A 7 mil quilômetros de Oklahoma, outras pessoas estavam com sérios problemas.

A Irlanda foi conquistada, libertou-se e conquistada pela Inglaterra várias vezes, numa luta que dura uns 800 anos. Com a ratificação dos Atos da União em 1801, a Irlanda foi efetivamente governada como uma colônia da Inglaterra, passando a fazer parte do Reino Unido, cujo nome completo é Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, sendo a Grã-Bretanha composta pela Inglaterra, Escócia e Gales. Com isso, a Irlanda estava sob a administração do Chief Secretary of Ireland, embora os residentes da Ilha Esmeralda pudessem eleger representação para o Parlamento em Londres. A verdade é que eles não elegiam nada.

Ao todo, a Irlanda enviou 105 representantes à Câmara dos Comuns – a Câmara Baixa do Parlamento – e 28 “pares” (donos de terras) à Câmara dos Lordes, ou Câmara Alta. Adivinhem quantos desses eram efetivamente irlandeses. Pois é.

Já se perguntaram por que a Inglaterra liderou os esforços abolicionistas? Sequer tinham escravos na sede do Império. O motivo? Não precisavam. Eles tinham algo melhor: irlandeses. Como todo bom império que conquista terras, a primeira coisa que a Inglaterra fez foi tirar dos irlandeses total disposição de suas terras. Irlandeses não podiam ter terras, não podiam exercer profissões. Os donos de terras só podiam ser ingleses (lembraram-se de algo?). A saída era alugar pequenos pedaços de terra, a preços altos, claro.

Outra coisa: sabem o porquê da relação de irlandeses com batatas? Por um motivo simples: grãos demandam uma grande área de cultivo, entregando bem menos calorias que batatas, que carregam mais energia armazenada, sendo de mais fácil plantio, colheita mais rápida e capaz de alimentar uma família por mais tempo. Os latifundiários ingleses estavam radiantes de alegria com isso. Mesmo que os locatários fossem plantar cereais, não poderiam vender, por causa da Lei dos Cereais; eles podiam comprar, mas não vender. Já as batatas tinham a característica de não exaurir o solo, o que ajudava aos donos das terras plantar cereais e mandar para a Inglaterra, ou vender a preços absurdos aos irlandeses, de forma intencional. A ideia é que eles realmente não comprassem, mesmo.

Não, não foi preguiça, não foi indolência ou alguma tara por batatas. Foi uma questão de sobrevivência. Nunca houve o menor interesse da Inglaterra desenvolver outras culturas que estivessem disponíveis aos irlandeses. Estes estavam pagando os arrendamentos, era o que interessava. Pessoas pouco nutridas sempre foi ótimo para qualquer autocrata: pessoas bem alimentadas e fortes podem gerar revoltas. Não foi apenas por crueldade que os judeus eram horrivelmente tratados nos campos de concentração. Era justamente para não terem condições de se revoltar contra os guardas, que estavam em minoria. A Inglaterra seguia a mesma receita.

Na Inglaterra, começou uma disputa por terras entre os ingleses, todo mundo queria aquele lucrinho fácil, só arrendando as terras. Isso fez com que os preços de arrendamento cobrados dos irlandeses fossem cada vez maiores. Ao mesmo tempo, os pedaços de terra disponíveis para o arrendamento eram cada vez menores; quem alugou, alugou.

Os irlandeses, dependendo de empregos cada vez mais escassos, estavam basicamente reduzidos ao plantio de subsistência. Aqueles da família que iam trabalhar na Inglaterra como servos pessimamente tratados nas casas das famílias ricas ainda tinham condições de mandar uns trocados para casa, enquanto vivam em regime de semi-escravidão.

A Irlanda estava afundada financeiramente e a Inglaterra estava pouco se importando. E se o que era ruim já estava cada vez pior, chegou sob o nome “a praga da batata”.

Durante o verão de 1845, a Irlanda conheceu a catástrofe com uma “praga incomum”. Poucos dias após as batatas serem colhidas, os legumes começavam a putrefazer-se de forma assustadoramente rápida. Especialistas foram convocados para investigar… mas não imediatamente. Para a Inglaterra, tanto fazia, eram apenas irlandeses.

Quando alguém teve o mínimo de boa vontade de ir lá, disseram que havia vários motivos. Entre eles, eletricidade estática, fumaça das locomotivas, vapores mortíferos ou porque os irlandeses eram promíscuos e não gostavam de banho, mesmo. Claro, o fator religioso não foi descartado, já que os católicos irlandeses nunca foram bem-vistos pelos ingleses protestantes. Assim que as safras de batata começaram a se mostrar calamitosas, o primeiro-ministro John Peel ficou muito preocupado no que isso poderia acarretar e assinou a compra de £ 100.000 de milho secretamente da América, mas o carregamento não chegou até fevereiro de 1846. Ah, sim. O milho não era para os irlandeses, primariamente. Mesmo que fosse, tem o problema que o milho precisa de cozimento ou moído. Ninguém queria ter este trabalho todo com irlandeses.

O problema era um fungo que havia viajado do México para a Irlanda, mas ninguém na Inglaterra estava preocupado com isso. As produções de alimentos estavam indo de vento em popa, enquanto a fome assolava a Ilha Esmeralda.

Um grupo de gente que estava achando aquilo um absurdo formou a Liga Anti-Lei dos Cereais, o que levou, ainda em 1845, na reduzir das tarifas de importação e abolição completa da Lei dos Grãos já em 1846. Isso gerou duas coisas: cereais bem mais baratos… pros ingleses. O preço do trigo despencou em 1847, chegando ao menor valor em 67 anos!

A segunda coisa foi: desemprego. Alguns não queriam preços mais baratos, mas não podiam concorrer com os que toparam ganhar menos, mas faturar na escala. Isso levou ao abandono das terras, o que fez com que os irlandeses não tivessem mais empregos. Quem partiu para a venda em larga quantidade e preços baixos conseguiu, em 1847, continuar a exportação em grandes quantidades de ervilhas, feijões, coelhos, peixes e mel. A Grande Fome continuava devastando o campo.

Na Inglaterra, o esforço para ajudar os que emigravam da Irlanda para a Ilha ada Rainha carretou na formação de Workhouses, em que pessoas ficavam “hospedadas” e trocavam trabalho por alimentação. Muito fofo, né? Se você leu Oliver Twist, pôde ter um vislumbre que não era assim. Dickens bateu com força denunciando o que ocorria lá: um regime não análogo à escravidão. Era a própria. Por isso, muitos irlandeses preferiram fazer uma travessia perigosa e em condições insalubres para os EUA, que começava a despontar como um refúgio para aqueles que buscavam um pouco de liberdade e a chance de não morrer de fome.

Não foi fácil também, mas era melhor que a Inglaterra.

Esta foi uma história de fome.

Quem sabe da quentura da panela é a colher. Só quem sofre sabe o que é o sofrimento do outro. A milhares de quilômetros da Ilha Esmeralda, os Choctaw ficaram sabendo que várias pessoas estavam passando o pior de todos os flagelos humanos: a fome. Aqueles que muitos chamaram de selvagens choraram junto com pessoas que nunca viram, nunca falariam seu idioma complicado, mas a fome é uma linguagem universal e o altruísmo também. A Trilha das Lágrimas, percorrida tantos anos antes, os ensinou a amar e zelar por aqueles que sofrem; e em 1847, os Choctaws coordenaram uma campanha compassiva nos EUA para ajudar aqueles que passavam fome numa ilha distante.

De centavo em centavo, conseguiram juntar US$170,00. Parece pouco, mas a dinheiro de hoje seria mais de 5 mil dólares, o que também não parece muito, mas para quem está passando fome, é uma dádiva dos céus.

Isso levou a outros ajudarem. O Papa Pio IX, o czar russo Alexandre II, o presidente dos EUA James K. Polk e um certo congressista chamado Abraham Lincoln contribuíram com fundos de ajuda, mas isso começou com uma nação indígena, que os próprios americanos expulsaram das terras. Quando a Rainha Vitória ficou sabendo doou “vultosas” £ 2.000 (lembrando que o título dela era Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, Imperatriz da Índia, governante do império em que o sol nunca se punha). Como ela não sabia antes, fica o mistério, ou o fez porque ia ficar muito feio.

Os 170 dólares parecem, então, gigantes. Que o diga Earmon De Vallera, que aparece na imagem de abertura numa ida aos EUA agradecer pessoalmente aos Choctaws. De Vallera foi o primeiro presidente da república da Irlanda.

Esta foi uma história de amor.

Um irlandês nunca esquece daqueles que os ajudaram um dia, e quem achar que não, que o Diabo lhe entorte os calcanhares!

Visitando Nova York em 1989, Don Mullan, então Diretor de Ação da Irlanda (AFrI), uma organização de direitos humanos com sede em Dublin, estava falando aos membros do Comitê de Educação Política da Irlanda dos EUA sobre o “Projeto da Grande Fome”, um projeto sobre a negligência histórica da Grande Fome da Irlanda, quando mais de um milhão de almas foram enviadas para valas comuns não marcadas e até hoje não se sabe onde estão ou quem eram. O projeto foi pensado para homenagear sua memória, relacionando seu sofrimento com os pobres de todo o mundo. A AFrI propôs iniciar uma caminhada anual da Grande “Fome” de 16 quilômetros de Doolough a Louisburgh, para honrar a memória dos 600 homens, mulheres e crianças irlandeses que morreram em um período de 24 horas enquanto viajavam pelo condado de Mayo, em meio a montanhas e um clima rigoroso em uma busca desesperada por comida.

Mr. Mullan não era um homem que esquecesse a História, seu passado e seu legado. Mas havia uma coisa que ele não sabia. Não sabia porque não fora lhe ensinado na escola: o que os Chocktaws fizeram. Ele fez questão de saber a história e quando soube ficou comovido. Em 1990, em uma viagem aos EUA, Mullan viajou para Skullyville, Oklahoma, para visitar o antigo cemitério Choctaw, onde estavam enterrados aqueles que contribuíram para o alívio da fome de seus antepassados. Ele se encontrou com o chefe Choctaw Hollis Roberts e o convidou para liderar a terceira caminhada anual da Grande “Fome” da AFrI em Doolough em maio de 1990. E o chefe concordou.

Em 1992, o prefeito de Dublin inaugurou uma placa especialmente encomendada (patrocinada pela AFrI) na Mansion House de Dublin, a prefeitura da cidade, comemorando a generosidade dos Choctaws e dos índios canadenses para com os irlandeses em 1847. Durante a mesma visita, a presidente irlandesa Mary Robinson deu as boas-vindas à delegação dos Choctaws e o representante do Chefe Roberts conferiu a ela título de “Chefe Honorária da Nação Choctaw”. Depois, os irlandeses refizeram, junto com os Choctaws, a Trilha das Lágrimas que as nações indígenas foram obrigadas a percorrer.

Hoje, num parque do condado de Cork, está um monumento em homenagem aos Choctaws, relembrando, celebrando e agradecendo o esforço que uma tribo indígena, que tinha tudo para odiar homens brancos, dedicou para outros seres humanos que passavam fome, independente da cor de suas peles. É um monumento prateado, simbolizando as penas ornamentais que os Choctaws usam formando uma tigela, uma tigela que acolheu a ajuda ofertada e serviu para, se não matar a fome, diminuir o sofrimento, e cuja ajuda foi muito bem-vinda.

Ainda hoje, Choctaws e irlandeses são amigos que se visitam mutuamente.

Em 2018, Taoiseach da República da Irlanda, o Primeiro Ministro, celebrou a criação de um novo programa de bolsas de estudo que permitirá aos membros da comunidade Choctaw irem estudar na Irlanda.

Esta foi uma história de comoção e agradecimento.

Estamos em 2020, um ano horrível, com uma pandemia horrorosa ceifando milhares de vidas pelo mundo todo. O COVID-19 é democrático e não tem problemas em contaminar pessoas independente de origem, etnia, sexo, classe social ou religião. Mata severamente qualquer um, e um grupo que foi muito afetado foram as tribos Navajo e Hopi , com uma taxa de contaminação absurda devido à falta de água corrente em um terço de todas as casas e à falta de mantimentos, forçando as famílias a deixar a reserva para comprar suprimentos, o que os faz estarem mais próximos de um bando de idiotas que acham que usar máscara é fascismo, ou comunismo ou qualquer bobagem neste sentido.

Irlandeses não esquecem. Não esqueceram os séculos de opressão. Não esqueceram quem lhes estendeu a mão.

Um grupo de irlandeses montou uma campanha GoFundMe para fornecer água engarrafada e outros suprimentos diretamente para a reserva para ajudar as famílias Navajo e Hopi. Hoje, o montante está em mais de 6 milhões de dólares, e a meta é de 13 milhões.

O grupo reconhece que isso não paga o que os Choctaws fizeram pelos seus ancestrais, mas sim um reconhecimento pela ajuda e a retribuição para aqueles que hoje estão precisando.

Esta não é uma história de retribuição de coisas materiais, pois, há coisas que por mais que se faça não podem ser pagas. É uma história de amor retribuído, uma história de compaixão. Uma história de várias famílias. Uma dessas famílias conseguiu resistir à provação, perdendo seus entes queridos, enquanto outros mal-e-mal conseguiram sobreviver. Uma dessas famílias que se levantou contra a tirania e disse NÃO!, lutando na Guerra Anglo-Irlandesa, a guerra que traria a independência da República da Irlanda, ainda que a Irlanda do Norte ainda esteja sob domínio britânico.

Dessa família, saíram pessoas que resolveram lutar contra o Káiser na Primeira Guerra Mundial, um dos filhos esteve na Marinha e ajudou a caçar nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Dessa família, do condado de Armagh, saiu eu. Contar a história dos Choctaws é contar como eles ajudaram a salvar minha família, e por causa disso a mim mesmo. A eles, dedico este artigo, a eles, dedico um de nossos símbolos: o Anel de Claddagh. Ele simboliza amor, amizade e a lealdade.

Que a estrada se abra à sua frente,
Que o vento sopre levemente em suas costas,
Que o sol brilhe morno e suave em sua face,
Que a chuva caia de mansinho em seus campos,
E, até que nos encontremos, de novo…
Que Deus lhe guarde nas palmas de suas mãos!


9 comentários em “Uma história de amor entre desconhecidos

  1. André, parabéns pelo texto.
    Uma verdadeiro monumento escrito em homenagem ao amor entre os seres humanos, e que faz com que, apesar de tudo que há de ruim, ainda me faça ter um pouco de esperança com a humanidade.

  2. O texto como um todo é emocionante e o último parágrafo, antes do poema … não acho adjetivo lisonjeiro o suficiente.
    Gostaria muito de conseguir expressar as emoções positivas que esse artigo traz mas qualquer escrita parece insignificante. Quero pelo menos deixar um enorme agradecimento por você ter produzido e divulgado esse diamante textual.

  3. André do céu… que artigo maravilhoso. Saiu até um suor héte… digo, guei, dos meus olhos. Gratidão por compartilhar conosco essa valorosa história.

  4. Artigo maravilhoso. Como disse Umberto Eco pela boca de um personagem do O Nome da Rosa: “terrível e belo…”. Esse artigo é terrível e belo.

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