Pesquisadores dão gás nos genes de ratinhos e os deixam prestes a dominar o mundo

No filme Sem Limites, o loser toma uma pilulinha que o deixa bem mais inteligente, fazendo com que preste mais atenção nas coisas e seu cérebro comece a trabalhar a mil por hora. Claro, parte disso é ficção. O melhor mesmo seria uma mutação genética induzida para lhe deixar que nem o Líder, né?

Bem, pesquisadores descobriram em ratos o que eles acreditam ser a primeira mutação genética conhecida a melhorar a flexibilidade cognitiva. Estamos praticamente esperando algum deles ficar cabeçudo e querer dominar o mundo.

O dr. Dax Hoffman é chefe da Seção de Neurofisiologia do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano Eunice Kennedy Shriver. Ele e seus colaboradores pesquisam a ação do gene KCND2, um gene que codifica uma proteína que regula os canais de potássio, tendo como algumas de suas funções a regulação da liberação de neurotransmissores, frequência cardíaca, secreção de insulina, excitabilidade neuronal, transporte epitelial de eletrólitos, contração muscular lisa e volume celular.

Por causa da liberação desses neurotransmissores, os sinais elétricos que ficam pululando pelo cérebro estimulam mensageiros químicos que pulam de neurônio em neurônio. Quando a proteína codificada pelo KCND2 é modificada por uma enzima, diminui a geração de impulsos elétricos nos neurônios. Ou seja, o cérebro não é tão bom assim no transporte de informações e isso implica em um processamento pior.

Sendo assim, o que Hoffman pensou foi: “se eu der um upgrade neste gene, os neurotransmissores ficarão mais eficientes e a eletroquímica do cérebro ficará mais intensa, as informações fluirão melhor, deixando o sujeito mais esperto”. Mas como fazer isso?

Hoffman e seu pessoal descobriram que basta alterar um único par de bases no gene KCND2 para aumentar a capacidade da proteína de processar os impulsos nervosos. Indo para as cobaias, o que os pesquisadores observaram foi que os ratos com esta mutação tiveram melhor desempenho em tarefas cognitivas do que os ratos sem a mutação.

Ah, claro. Você quer saber que tipo de tarefa era, né? (diz que sim, vai. Escrevo com muito amor para vocês, seus pregos!).

Indo por linhas gerais, a tarefa consistia em encontrar uma plataforma submersa que estava lá antes e depois algum pesquisador sacripanta removeu. O ratinho tinha que descobrir nadando o novo local. Os ratos com a mutação encontraram a plataforma realocada muito mais rapidamente do que seus colegas sem a mutação.

Hoffman e seu pessoal planejam investigar se a mutação afetará as redes neurais no cérebro dos animais, ou seja, beleza, deixou mais esperto. Mas a que custo? E isso se não causar outros problemas. Vai saber, né? Então, não, você não vai ter este tipo de tratamentinho mágico logo.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Communications.

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