Pesquisa compara psicoterapia com placebo. Não que esteja errada

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A diferença entre psicoterapia, homeopatia e placebos é que placebos são honestos em admitir que são placebos. É troço muito louco, já que o placebo funciona mesmo quando você sabe que é placebo. O problema é quando o placebo é um placebo tão vagabundo que lá pelas tantas você já não tem certeza, mas continua tomando porque vai que… É o caso da fosfoetanolamina, por exemplo.

O mesmo se dá com psicoterapia, que efetivamente é um placebo. Funciona, mas só porque lhe convenceram que funciona. Nos comentários, gente tendo ataques de pelanca. Corre lá pra ver, eu espero.

Voltou? Ótimo!

O dr. Jens Gaab é pesquisador do Departamento de Psicologia Clínica e Psicoterapia da Universidade da Basileia, Suíça. Sua área de expertise é Psicologia Clínica e Psicoterapia, e ele resolveu estudar o quanto de efeito placebo psicoterapia tem. A versão TL;DR seria total, mas vamos saber mais sobre o seu trabalho, que resolveu estudar não apenas os efeitos placebos e psicoterapia, mas como a psicoterapia usa propriedades dos placebos.

O problema é que normalmente pesquisas com placebo são feitas levando em conta o contexto biomédico, mas quase nunca levando em conta tratamentos psicológicos. No final, é tudo um fenômeno psicológico, mas um age direto na somatização de efeitos, no outro fica no nível psicológico mesmo. Aliás, o legal do placebo é que ele é tão bizarro que funciona mesmo quando você sabe que placebo; mas, de uma maneira geral, a pessoa realmente acredita nos poderes mágicos do que lhe está sendo administrado, como fosfoetanolamina, água açúcar, trabalhos na encruzilhada etc

O que Gaab e seu pessoal propôs foi, então, avaliar os efeitos e possíveis componentes dos placebos fornecidos com uma lógica de tratamento psicológico em três experimentos com 421 indivíduos saudáveis.

Os pesquisadores usaram a cor verde como o placebo nos experimentos em vídeo, examinando-a com e sem uma narrativa psicológica, como naquele lance de “verde é calmante porque ativa esquemas emocionais condicionados precoces”, bem como no contexto de um neutro ou amigável relação.

Isso seria legal. Só tem um detalhe. O verde não é calmante por motivos placebisticos. Nós evoluímos de savanas e florestas. O comprimento de onda para nossos olhos é agradável, enquanto temos os sinais de perigo na Natureza:

Não, a cor vermelha dos sinais de perigo não está lá porque sim, por placebo. A pesquisa meio que derraparia aí, mas aí a gente continua lendo o paper. O que aconteceu em seguida foi que, após a visualização dos vídeos, as cobaias avaliaram sua condição subjetiva com questionários durante vários dias. Os resultados mostraram que o placebo teve um efeito positivo no bem-estar dos participantes quando foi prescrito juntamente com uma narrativa psicológica e no contexto de um relacionamento amigável. O efeito observado foi mais forte após a administração do placebo, mas permaneceu evidente por até uma semana.

Ah, sim. Agora entendi. Mostrou cor verde e o prego ficou de boas o resto da semana. É total fundamento para cromoterapia, aquela pseudociência que diz que corzinha cura tudo!

A pesquisa apontou que os efeitos observados nos voluntários acabaram sendo os mesmos que os das intervenções psicoterapêuticas nas mesmas populações; isto é, psicoterapia é placebão psicológico. Está ajudando porque você acha que está ajudando. Se ajuda é algo positivo? Sim, ninguém vai julgar qualquer placebo. O problema é quando o placebo finge que cura uma doença, quando apenas minimiza os efeitos, como o lixo da fosfoetanolamina.

Se interessou? Ótimo, pois a pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας