Se encher de bebida açucarada ferra com seus rins (eu e meu poder de síntese)

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Professores e o modelo Kubler-Ross

Todo mundo sabe que se encher de açúcar não é legal (mesmo aqueles que adoram se encher de açúcar), assim como refrigerantes, que tem açúcar à beça e não, não é exclusivo a coca-cola; todo refrigerante é cheio de açúcar, exceto aquelas porcarias adoçadas com stevia. Você se livra do açúcar e ganha o dobro da concentração de sódio. Ah, sim. Melhor suco, né? Que nem aqueles xaropes sabor manga, laranja, açaí etc. você sabe o que é “xarope”? É uma solução bem concentrada de açúcar com cor e sabor artificiais. Por incrível que pareça, refrigerantes são mais saudáveis que aquele troço.

Se ser um candidato a diabetes não parece ser muito legal, que tal saber que uma pesquisa relacionou consumo excessivo de bebidas açucaradas com uma maior probabilidade de desenvolver doença renal crônica?

Doença renal crônica não é bem uma crônica sobre como seu rim está ferrado. É uma lesão nos rins com perda progressiva e irreversível da função dos “feijõezinhos”, que na fase mais avançada (ou terminal), os rins não conseguem mais fazer o que deferiam e o fim é exatamente o fim.

Dados apontam que cerca de 1,2 a 1,5 milhão de brasileiros possuem doença renal crônica, e isso é muita gente. O problema é que não se sabe os números reais, pois, cada tipo de medição leva a resultados diferentes, o que acarreta no possível número acima, mas que na realidade ninguém sabe o real montante por aqui. O que se sabe é que em 16 anos, as ocorrências de doenças renais crônicas triplicaram no Brasil. Lindo, não?

A drª. Casey Rebholz PhD, MS, MNSP, MPH e outras letrinhas é professora-assistente da Faculdade de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins. Ela não estuda casos brasileiros, preferindo estudar adultos afro-americanos no Mississippi. Provavelmente porque ela curte Blues.

Rebholz e seu pessoal estudaram prospectivamente 3003 homens e mulheres afro-americanos com função renal normal, que estavam matriculados no Jackson Heart Study. Motivo: tal como no Brasil de uma maneira geral, não havia informações abrangentes sobre as implicações para a saúde da ampla gama de opções de bebidas que estão disponíveis no suprimento de alimentos. Sendo assim, Rebholtz e sua equipe avaliaram a ingestão de bebidas por meio de um questionário de frequência alimentar administrado no início do estudo em 2000-04, e acompanharam os participantes até 2009-13.

Entre os 3003 participantes, 185 (6%) desenvolveram doença renal crônica (DRC) em um seguimento médio de 8 anos. Isso levou a concluir que consumir um padrão de bebida que consiste em refrigerante, bebidas com frutas adoçadas e água foi associado a um maior risco de desenvolvimento da DRC.

Ah, sim. Sabe o mais legal? É que até água entrou na dança. Sim, água, e isso porque lá não tem essas H2OH da vida daqui (na verdade, tem coisa mais doce ainda!). Os pesquisadores observaram que os participantes do estudo podem ter relatado o consumo de uma grande variedade de tipos de água, incluindo água com sabor e adoçante (aka: refrigerante aguado). Infelizmente, os pesquisadores não coletaram informações sobre marcas específicas ou tipos de água engarrafada, já que aí é motivo de se ter mais um paper, não é, mesmo? Ciência Salame não é uma exclusividade brasileira.

A pesquisa foi publicada no periódico Clinical Journal of the American Society of Nephrology, que está disponível com aceso aberto. Divirta-se e pare de se encher de açúcar!

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Sobre André Carvalho

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