Pesquisa manipula pobres ratinhos e os transforma em cabra ruim pra diabo

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Nosso cérebro conseguiu chegar onde está graças aos bilhões de anos de Evolução Biológica. Só que Evolução não entrega produto pronto. O cérebro foi acumulando camadas e mais camadas. Primeiro, uma notocorda que cuida dos sistemas mais básicos de sistema vital, regulando você respirar e seu coração bater. Depois veio a camada reptiliana. A camada que cuida da nossa agressividade e sentimento de propriedade. Só muito depois veio o córtex cerebral, responsável pela parte lógica e pensamento racional (aquele que 92% das pessoas não usa). Mas será simples assim? De onde vem essa agressividade toda?

Bem, pesquisadores suecos usaram técnicas optogenéticas para tentar (e conseguiram) controlar a agressão em camundongos estimulando ou inibindo certos neurônios.

Stefanos Stagkourakis é doutorando do Departamento de Neurociência do Karolinska Institutet. Ele gosta de saber o que rola nas cabeças alheias. Assim, ele demonstrou que um grupo anteriormente quase desconhecido de neurônios no núcleo pré-mamilar ventral do hipotálamo desempenha um papel fundamental no início e organizar comportamento agressivo.

Esta área do cérebro controla muitos dos nossos impulsos fundamentais, e está ligado a um sistema sexualmente dimórfico e relacionado à reprodução e comportamentos agonísticos, isto é, qualquer comportamento social relacionado à luta; não só briga em si, mas estratégias de fuga, exibições e conciliação. É um lance muito esquisito.

Stagkourakis descobriu que os animais que exibiam agressão quando um novo macho era colocado em sua gaiola também tinham neurônios pré-mamilar ventral mais ativos. Ao ativar esses neurônios por meio de optogenética (basicamente, um controle remoto biológico usando luz em nível genético) esses animais foram capazes de desempenhar comportamento agressivo em situações em que os animais normalmente não atacam. Ao inibir os neurônios em questão, esses animais interrompem um ataque contínuo.

A pesquisa fez uso do experimento chamado “Teste de Tubo”. É colocado em cada extremidade de um tubo um camundongo e deixá-los se encontrar no meio. Ao inibir as células nervosas do pré-mamilar ventral em um macho dominante e estimular as mesmas células em um macho submisso, os pesquisadores conseguiram inverter seu status hierárquico mútuo. Ou seja, o fodão passa a ser um Zé Ruela, e o camundonguinho xexelento vira Chuck Norris. Bastou manipular algumas células e isso mudou totalmente o comportamento deles.

A pesquisa é importante para entendermos como é ativada a nossa agressividade. Como nós somos o que somos, mas o meio também influencia o que somos quando fomos feitos para sermos o que somos, mas não somos totalmente o que somos. É mais iformação dessa imensa gambiarra evolutiva chamada “cérebro”.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Neuroscience (tem paywall, e não adianta parar o seu caminhãozinho na gente da sede que não vai adiantar nada)

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Sobre André Carvalho

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