Dieta à base de frango cru ligada a paralisia em cães

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Boa parte das pessoas gosta de um bichinho de estimação, principalmente cães. Eu me lembro do Erasmo, meu vira-latas nanico vindo de um pequinês (eu tinha uns 8 ou 9 anos). Erasmo era muito legal. Ainda mais com 3 crianças que nem sempre queriam comer. Daí a gente dava pro Erasmo, e ele acabou acostumando a comer comida de casa, mesmo (por sinal, ele era louco por macarronada). Hoje temos mil e uma rações, mas algumas pessoas acham que cão é lata de lixo e dá as sobras cruas dos alimentos que não foram para a panela.

Entretanto, os veterinários estão advertindo que dar frango cru aos cães – particularmente, os pescoços de frango (O Erasmo não comia isso! Ele gostava das partes carnudas do frango.) – pode levar a uma forma de paralisia debilitante e potencialmente fatal em cães.

O dr. Matthias le Chevoir é pesquisador do Departamento de Ciências Veterinárias da Universidade de Melboune, Austrália. Ele estuda a ocorrência de polirradiculoneurite aguda em cães. Esta doença nos cães é considerada o equivalente à síndrome de Guillain-Barré em Humanos. Ela acarreta tetraparesia não ambulatória ou mesmo tetraplegia com fraqueza cervical.

Er…. hein?

Tetraparesia é a perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores, enquanto tetraplegia é a perda total de movimentos dos referidos membros e fraqueza cervical significa que a coluna do pobre bicho fica toda ferrada.

Mas isso por causa de um pescoço de frango? O que vem nele? A maldição de Tucancâmon?

Não, pior ainda: uma bactéria. A Campylobacter, um ser vindo das Profundezas, digo, um gênero de bactérias que possuem um aspecto espiral característico, encontrada em produtos de aves de capoeira comerciais, além de conter moléculas semelhantes em estrutura a parte da célula nervosa, o que deixa o sistema imunológico confuso por causa da estrutura parecida, o que faz com que este sistema zuado e tosco, mas divinamente projetado da forma mais imbecil possível, ataque os próprios neurônios do corpo, e é isso que causa a paralisia.

No caso dos cães que comem carne de frango cru, a equipe do dr. Chevoir estudou 27 latildos com sintomas de polirradiculoneurite aguda e 47 cães sem. Ao examinar os sintomas físicos e entrevistando os donos dos animais (ah, o politicamente correto manda dizer “tutor”. Tá. Pais e Mães dos cães. Melhor assim?) sobre os comportamentos dos animais (no caso, os cães, e não me olhe torto. Seres humanos também são animais) e dieta recentes; concentrando-se no consumo de carne de frango crua.

As amostras fecais coletadas no prazo de sete dias após a apresentação de sinais clínicos (como alterações na voz, fraqueza do membro traseiro ou marcha agitada) mostraram que os cães com polirradiculoneurite aguda eram 9,4 vezes mais propensos a ter uma infecção por Campylobacter do que o grupo controle sem a doença. É… acho que temos uma correlação aqui, não?

Mas não é só isso. Uma associação significativa também foi encontrada entre os casos de polirradiculoneurite aguda e raças de cães menores. Isso parece indicar que os cães menores são mais propensos a serem alimentados com ossos menores com os pescoços de frango, e mais suscetíveis, portanto, a contraírem a bactéria do mal e acabarem doentes. Tome vergonha na cara e compre ração pros bichos, ou dê comida de verdade e não apenas frango cru. Pega o pescoço do frango cru e … bem, a pesquisa foi publicada no periódico Journal of Veterinary Internal Medicine, e está com acessão aberto.

E pare de dar pescoço de franco pro seu animal em casa. E isso pro seu cachorro também!

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Sobre André Carvalho

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