Quando chega a hora do médico dar as más notícias

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Lidar com a vida e a morte diariamente mexe com as pessoas. Elas acabam ou se envolvendo demais, ou tendo que ficar à parte, ou não aguentaria tanto sofrimento alheio, muitas vezes sem poder fazer nada, outras lutando bravamente, para um desfecho que não gostaria, e isso se resume a um ser humano perder a vida; para, depois, ter que dizer aos entes queridos daquela pessoa que as coisas não correram como eles imaginavam.

Quando em casos que o paciente ficar sob o tratamento se torna inócuo, já que ele não vai efetivamente melhorar, o médico precisa conversar com a família. E nisso, a linguagem que ele empregará fará muita diferença no final das contas.

Existe um termo chamado “futilidade médica”. Longe de ser algo a respeito de um médico fútil, esta expressão significa a ausência de um propósito ou um resultado útil no procedimento diagnóstico ou intervenção terapêutica. Não entendeu? É o simples prolongamento do sofrimento, quando todas as possibilidades de ajudar se esgotaram, então, o único caminho seria dar um pouco de paz e conforto para o paciente (ou eutanásia, mas isso não é lá muito bem visto pela larga maioria das pessoas e proibido em muitos países).

Assim, longe de ser o que à primeira vista parece, a expressão “futilidade médica” é empregada quando o tratamento, além de ser mais oneroso, cria um sofrimento indevido para o paciente e para a família do paciente. Só que o uso inadvertido desta expressão pode fazer com que a família não fique nada satisfeita, pois pode pensar que “futilidade” é algo fútil e irresponsável. E a busca pela melhoria de um parente não tem nada de fútil.

A drª Connie Ulrich é professora de Enfermagem e Bioética da Faculdade de Medicina Perelmann da Universidade da Pensilvânia. Ela começou sua carreira como enfermeira pediátrica, trabalhando com crianças muito doentes, além de fazer parte da equipe pediátrica de transplantes cardíacos. Ela voltou seu trabalho para Ética Médica e Bioética.

Segundo Ulrich, a linguagem empregada nos casos de futilidade médica requer mais esclarecimentos e análises de como os termos mais recentes afetam os pacientes e as famílias que dependem de seus médicos para cuidados especializados e compaixão no final da vida.

A questão, muitas das vezes, é que desde o primeiro ano as faculdades de Medicina têm bastante foco em psicologia médica, com aulas sobre como lidar com esse tipo de situação. Só que é tudo lindo quando você não passa pela situação, e a prática é algo que não se aprende no livro, precisa passar por muitas situações para se ter capacidade em lidar com as pessoas.

Como fazer? Bem, Ulrich não responde. Talvez nem mesmo exista uma resposta certa. Como dito, é algo que se aprende no dia-a-dia do hospital, e não há receita mágica para isso.

O trabalho foi publicado no periódico Perspectives in Biology and Medicine,

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Sobre André Carvalho

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