Pesquisador brasileiro está fugindo daqui e ninguém sabe por quê. RUN FORREST! RUN!

Cientistas curam criança com 80% do corpo afetado por doença genética
Para surpresa de ninguém, nada foi resolvido no desastre do rio Doce

Saiu um artigo na Folha na coluna Opinião um texto que mais pareceu um mimimi digno do Facebook. Seu autor é o professor emérito da UNICAMP Rogério Cezar de Cerqueira Leite e conta como desabafo ou reclamação ou sei lá como ele quis chamar (mas não era uma opinião per se) como pesquisadores saem do Brasil. Não havia números nem nada. Era apenas um choro porque um dos “jovens pesquisadores” (doutorando dele? Ele não disse) estava saindo do Brasil porque recebeu convite para trabalhar numa Universidade estrangeira. Sabe o que isso significa?

A rigor, nada. Veio o lenga-lenga como os atuais economistas da Fazenda e do Planejamento são contra a ciência e a tecnologia. Afinal, há diversos cortes de verba, mas isso soou como se fosse agora. Nos dois mandatos do então presidente Lula, no primeiro mandato da Dilma e no quase segundo mandato dela houve severos cortes de verbas. Universidades sucateadas, algumas sem nem um freezer comum. Mas parece que é só agora, antes havia verbas e a Ciência era tratada com leite e mel.

Qualquer um que fez uma pós, mestrado ou doutorado (ou, pior ainda, passou por todos os três) esquecem que há um ritmo frenético e insano, graças a professores-doutores que fazem da vida de seus orientandos um inferno, relegando-os a uma vida pior que de um estagiário e pouco melhor que um escravo. Não acreditem em mim. Pergunte a qualquer doutorando/doutor.

Não há liberdade de pesquisa, pois você é um estagiário de luxo dos cabeça-corada da Universidade, que precisam fazer pesquisa e empurram esta tarefa pros orientandos, muitas vezes não colocando os nomes desses orientandos nas pesquisas. Ou, quando muito, como co-autor mínimo. Aqui, doutorado é apenas um trabalho de luxo, não há interesse em pesquisa séria. Daqui não sairá nenhum Elon Musk. Não teremos outro Oswaldo Cruz. Tivemos uma excelente neurocientista, mas ela teve que ralar peito daqui. E… adivinhe?… no foi no governo Temer. Não que o Temer e sua equipe amem ciência. Se nem o povo ama, por que políticos iriam gostar?

Muitas vezes, as verbas são liberadas e magicamente desaparecem ao chegar na Universidade, que se sente no direito de decidir se realmente vai para o departamento que solicitou. Se for, o chefe do departamento avaliará quem precisa mais: você ou o peixe dele. Preciso dizer mais? Se você tiver a sorte de receber a verba (principalmente se escolheu o orientador certo), ela já foi tão dilapidada que sobrará 6 mil reais pro ano todo. Foi o que aconteceu com a Suzana Herculano.

Não, Rogerinho. A culpa não é o governo que está demolindo a ciência. Esta demolição já vem sido feita por outros governos, por reitores de universidades e por PhDeuses como você, que não fazem nada para melhorar a ciência. Estão somente preocupados em perder pesquisadores pois isso acaba com as justificativas de pedir verbas e se refastelarem nelas, nada sobrando para quem efetivamente terá que fazer uma pesquisa séria, tendo que pagar reagentes e material do próprio bolso, enquanto vê aposentados se escondendo em laboratórios imundos dentro de universidades que mal sabem o que estão fazendo, mas liberam dinheiro assim mesmo, pois são caras que conhecem outros caras, para, no final, produzir uma palhaçada que jura que combate o câncer e falha em todos os testes.

Então, o jovem pesquisador recebe um convite de uma universidade de verdade, com equipamento, pesquisadores sérios que realmente querem desvender os segredos da Natureza, com dinheiro que pode vir de fundos da própria Universidade ou doados por terceiros – o que não pode acontecer aqui, pois doação privada é mal-vista –, e ainda ter um emprego para complementar a renda – o que não pode acontecer aqui, pois nada de verba se você tiver uma simples carrocinha de cachorro quente é considerado fonte de renda e nada de bolsa (sim, fato real) e ainda ser reconhecido como trabalhando numa instituição séria e não em alguma pocilga que já está mais do que desacreditada no mundo todo.

Não, Rogerinho, sua opinião não vale de nada, pois sequer era uma opinião. Você perdeu um pesquisador-estagiário, mas o mundo ganhou um pesquisador de verdade e esse jovem pesquisador terá um futuro melhor e se ele der uma banana pro Brasil e não voltar nunca mais, só prova uma coisa: ele é realmente uma pessoa inteligente e sensata.

Sinto muito, Rogerinho. Você ainda defende o pró-alcool. Os engenheiros da Tesla já estão nos carros elétricos. Os anos 70 telefonaram e pediram para você ficar em casa vivendo de uma glória imerecida.

Cientistas curam criança com 80% do corpo afetado por doença genética
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Sobre André Carvalho

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    Que Deus lhe abençoe! 😉