Cuco imita porcos para não virar almoço

Ímãs são usados para segurar olho que mexe muito
As origens dos jatos dinâmicos na superfície do Sol

Cucos são passarinhos muito legais, membros da família Cuculidae e pertencentes à ordem Cuculiformes. É a única coisa que eu sei sobre cucos, além de ser pássaros que sabem ver hora, o que já lhes confere uma vantagem sobre seu primo lentinho. Só que o cuco-que-sabe-ver-hora não é o cuco-que-nos-interessa. O cuco do relógio é o Cuco-canoro, uma ave trepadeira, parasita e sem-vergonha, que sacaneia os outros pássaros, jogando os ovinhos destes para fora do ninho e colocando os seus próprios. Assim, pássaro manezão choca ovo de cuco e papai pássaro-mané dá umas porradas na esposa por achar que ganhou um par de chifres.

Só que a pesquisa estou trazendo é sobre outro tipo de cuco. No caso em questão é o Neomorphus radiolosus, o qual vive na Colômbia e equador, e é primo do Papa-Léguas (é sério!). o que foi descoberto é que este sem-vergonhinha é capa dez imitar sons de porcos-do-mato, de forma com que o ninho dele (do referido cuco, não do porco-do-mato) não vire almoço de ninguém.

Antes de mais nada, a imagem de abertura não tem nada a ver com os cucos tratados neste artigo. De qualquer forma, pica-paus não só não substituem cucos, como sequer cabem naquele relógio, e muito menos usam marretas. Não, eu não espero que você saiba a diferença entre um desenho animado e a realidade. Não, não estou nem aí se você se sentiu ofendido.

Outra coisa. Eu sei que o título tá uma bosta, mas não pensei em nada melhor. Vai ficar assim mesmo. Vamos pro assunto, agora?

O dr. Fábio Sarubbi Raposo do Amaral é professor-adjunto e orientador no programa de pós-graduação em Ecologia e Evolução da Universidade Federal de São Paulo. Junto com a drª Cibele Biondo, professora-adjunta no Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC, Fábio, Cibele e seu pessoal analisaram os sons do N. radiolosus e dos porcos-do-mato, e compararam os dois sons, inclusive o dos papa-léguas, o Geococcyx californianus, nativo do deserto norte-americano.

O que Fábio e seu pessoal descobriram é que os N. radiolosus batem seus bicos, de forma a imitar o som feito pelos porquinhos que usam seus dentinhos, que não são lá muito bonzinhos, pois acham que ovos de N. radiolosus são uma delícia. Mas quando o porco-mané ouve os sons parecidos com o deum primo seu, ele pensa que não é para se aventurar por ali e deixa todo mundo na Santa Paz de Nosso Senhor Toicinho. Mimetização é o nome disso, quando um ser vivo imita características ambientais ao seu redor, de forma a garantir uma vantagem evolutiva.

Para descobrir se isso é apenas coincidência ou evidência de mimetismo, os pesquisadores analisaram os sons de todo mundo envolvido (do papa-léguas inclusive). Estabelecida a semelhança, a explicação do porquê disso parece ser a que os cucos adquiriram, esta vantagem evolutiva. Agora, seus ovos estão em paz, ou quase. Pelo menos, não vira almoço para geral.

A pesquisa sobre a mimetização do som foi publicada no periódico Journal of Avian Biology


Agora, na boa, um papinho aqui. As universidades deveriam tomar vergonha na puta da cara e divulgar os trabalhos. Não tem uma merda de linha falando sobre isso! Se eu não tivesse falado com o Lama, eu sequer saberia direito quem é o líder da pesquisa. Brasil: Onde até a universidade odeia Ciência!

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Sobre André Carvalho

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