Dieta sem gluten ferra mais a sua vida que ajuda

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Glúten virou mania. Glúten engorda, glúten faz mal, glúten faz seu peido ficar fedido, glúten atrai a sua sogra. Tudo e culpa do glúten. Glúten realmente faz mal, mas só se você for parte de 2% da população com doença celíaca., mas levam como se o fim da humanidade estivesse às portas, num imenso apocalipse gluteniano, com seres disformes vindo devorá-lo.

Apareceu não uma, mas várias receitas fitness excluindo o gúten, porque… né? Uma proteína ridícula daquelas te faz ficar como uma baleia, e não aquele monte de doce que você se entope e os trocentos quilos de bacon, tendo bolo de sobremesa e um cafezinho com adoçante. Agora, o que se descobriu? Dietas sem glúten estão associadas à exposição aumentada ao arsênio e metais tóxicos como o mercúrio, e ocorrência dos casos de diabetes.

A drª Maria Argos, professora assistente de Epidemiologia e Bioestatística da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Illinois em Chicago. Ela estuda câncer, mas câncer-câncer, não as suas notas no colégio. Não, ela não dá a menor bola pra fosfoetanolamina. Sim, ela faz ciência de verdade, publicando suas pesquisas em periódicos indexados ao invés de fazer vídeos apelativos.

Como o Mercado está sempre atento, ao começar esta frescura que glúten faz engordar (não faz), é o mal encarnado (não é) e é bom para galera fitness (não é), correu atrás e as prateleiras estão lotadas de produtos sem glúten. Normalmente, estes produtos contêm farinha de arroz como substituto do trigo, que é de onde o glúten vem. Até aí, nada demais. Arroz é legal, né? Seria, se essa gramínea sacana não fosse um bioacumulador, ou seja, o arroz, que é cultivado em alagados, absorve tudo o que tem na água, isso vale para metais tóxicos e pesados, além de fertilizantes e agrotóxicos. Está lá na água? O arroz chupa tudinho (ops). Aliás, é até por causa disso que ele é usado como biomarcador de contaminação local.

Argos e seus colaboradores analisaram os dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição, buscando uma ligação entre dieta isenta de glúten e biomarcadores de metais tóxicos no sangue e na urina. 73 participantes que relataram comer uma dieta livre de glúten entre os 7,471 que completaram a pesquisa, entre 2009 e 2014. Os participantes variaram na idade de 6 a 80 anos de idade.

As pessoas que relataram comer com uma dieta livre de glúten tiveram concentrações mais altas de arsênico em sua urina e mercúrio em seu sangue, do que aqueles que não o fizeram. Os níveis de arsênico eram quase duas vezes mais altos para as pessoas comendo uma dieta sem glúten, e os níveis de mercúrio foram 70 por cento maior.

Ou seja, alguém aí está fazendo merda com a lavoura de arroz, e isso vai refletir na sua saúde. Mas não é a carne que dá câncer? Tipo… arroz é um vegetal, não?

O Brasil a cada ano importa mais e mais arroz, principalmente da China, para manter o abastecimento. Sabemos bem que China não tem muitos problemas em tascar qualquer coisa na água, como inseticidas, produtos químicos oriundos de processos industriais sem tratamento e qualquer porcaria tóxica.

Assim, podemos imaginar o quanto de substâncias tóxicas estamos ingerindo todos os dias, independentemente de ser glúten-free ou não.

A pesquisa foi publicada no periódico Epidemiology (pois é. Nem abstract tem)

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Sobre André Carvalho

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