Mesmo baixo consumo de álcool pode acarretar fibrilação e um AVC de brinde

Você curte um vinhozinho nas refeições, né? Ouviu aquela história do seu tatatatataravô que sempre tomou uns vinhos e por isso viveu até os 166 anos, certo? Daí você mete a cara na manguaça e ainda tem a páchorra de dizer “é pra fins medicinais”. Pois bem, você se ferrou!

Uma nova pesquisa mostra que mesmo o consumo moderado de álcool ainda pode ferrar com a estrutura do coração, aumentando o risco de fibrilação atrial. Parabéns!

O dr. Gregory Marcus é médico, cientista. Ele é professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, San Francisco. De acordo com sua pesquisa, foram encontradas inúmeras evidências que há um aumento no caso de fibrilação atrial, graças ao consumo de álcool. E não, não precisa meter o pé na jaca e a cara na manguaça. Mesmo pequenas doses de bebidas alcoólicas não fazem bem.

Mas o que diabos é uma fibrilação atrial?

Você esteve num colégio, certo? Sabe que o coração tem pequenas “salinhas” que são os átrios e ventrículos. O sangue chega ao coração pela veia cava, entrando no átrio direito. Quando está bem cheinho, o coração se contrai e empurra o sangue para o ventrículo direito, o qual vai se encher e depois se contrair mandando o sangue pobre em oxigênio parta os pulmões, e lá haverá a troca gasosa, em que o gás carbônico será trocado pelo gás oxigênio, nos alvéolos pulmonares. Daí ele volta pro coração. Lembrou? Ótimo! Isso é chamado “pequena circulação”.

O sangue entra pelo átrio esquerdo, o qual se enche, depois se contrai e o sangue vai pro ventrículo esquerdo, que ficará cheio de todo esse esforço, se contrai fortemente e todo o sangue vai que nem doido, ralando peito pela artéria aorta, indo dar um rolé pelo corpo todo. É a “grande circulação”. Depois o sangue volta pela veia cava e o processo se repete.

A fibrilação atrial é uma arritmia cardíaca com batimentos cardíacos acelerados e irregulares. Sabem todo esse processo descrito acima? Fica tudo zuado e o sangue “sai” no tempo errado, muitas das vezes forçando os vasos sanguíneos fora de momento. O que isso pode causar? Pouca coisa, como um AVC, por exemplo. Nada que alguém iria se preocupar, certo?

A pesquisa do dr. Marcus levou em conta os danos sofridos no átrio esquerdo do coração e cruzou os dados com os hábitos dos pacientes. Marcão e seus colaboradores avaliaram dados de mais de 5.000 adultos recolhidos ao longo de vários anos no Framingham Heart Study, incluindo ecocardiogramas, histórico médico e ingestão de álcool (esse último mediante relato dos pacientes). Os participantes do estudo, em sua maioria brancos, com faixa etária entre 40 aos 60 anos, informaram que, em média, curtiam uma bebidinha de leve por dia. A taxa global de fibrilação atrial no grupo foi de 8,4 casos por 1000 pessoas por ano.

Pouco? Eu acho que pode ser indício de algo, ainda mais quando há alta incidência de AVC entre esses grupos. Penso eu que é muito sério para simplesmente “O quê? Apenas 8,4 em cada mil? Meh!”

E não é só isso! Como eu falei, isso pode ser indício de algo. Sendo assim, o dr. Marcus analisou a geografia das regiões e percebeu que em condados que permitem a venda de álcool mais livremente foram encontrados mais casos de pessoas com fibrilação atrial, mas menos propensas a ter ataques cardíacos e insuficiência cardíaca congestiva.

Afinal, álcool faz bem? Álcool faz mal?

Os dados mostram que o consumo moderado de álcool ajuda a diminuir a incidência de ataques cardíacos. Mas mesmo assim está ligado a casos de fibrilação atrial. Conclusão? Uma coisa não tem nada a ver com outra, operando por mecanismos diferentes, variando de pessoa para pessoa.

O que fazer então? Bem, primeiramente, vejam o artigo que foi publicado no periódico Journal of the American Heart Association.

“Segundamente”, levanta este seu bundão da cadeira e vá no médico fazer um checkup. Essas porcarias que você come também não são nada saudáveis e essa sua vidinha sedentária é outra merda.

5 comentários em “Mesmo baixo consumo de álcool pode acarretar fibrilação e um AVC de brinde

  1. Já que eu tou ferrado mesmo, vou continuar com minha latinha de cerveja semanal, e minha taça de vinho ocasional.
    (os biscoitos que como todo dia me prejudicam muito mais, mesmo)

  2. Pior que adoro um vinho tinto e Cerveja Kaiser Radler. Sorte que não possuo o hábito de tomá-los frequentemente.

  3. Mas um infarto , teoricamente é bom. Explico : Outro dia eu estava preocupado porque após uma radiografia de pulmão li que havia uma “imagem de nódulo”. Como sou tabagista e já tenho 50 anos, pensei : “câncer , fudeu”. Acabei levando no médico e ele me disse que era calcificado e tudo bem. Estou tentando diminuir o cigarro porque se a morte é inevitável prefiro um infarto do que outra doença que me deixe sofrendo à toa , definhando até não haver nada mais. Até porque aqui não existe morte assistida. Assim se o consumo moderado não causador de cirrose ou outras doenças hepáticas é capaz de presentear um infarto… É vantajoso. haha

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