Quando ratinhos salvam o companheiro em perigo

Assim como Evolução, Gravidade não existe
Cientistas pesquisam ecolocalização em humanos

Muitos alegam que o que nos separa dos outros animais é o nosso altruísmo. É uma colocação idiota. Ainda mais quando a gente fala de ratos, aqueles animais lindinhos, mas que só serão salvos pelo pessoal vegan se forem os branquinhos de laboratório. Aquela ratazana de esgoto ganha é vassourada.

Será que aquelas coisinhas roedoras podem apresentar algum comportamento altruísta? Ao que se sabe, só seres humanos são "bondosos", certo? Não, não é bem assim que funciona.

O dr. Nobuya Sato é professor do Departamento de Ciências Psicológicas Integradas da Universidade Kwansei Gakuin, no Japão. Ele estuda, entre outras coisas, a origem de nossa aptidão para trabalho em conjunto, bem como nosso altruísmo. Para isso, ele utiliza ratinhos, os pobres ratinhos cuti-cuti-cuti, pesquisador malvado.

Sato, que não tem parentesco com nenhuma Sabrina, testou como seriam as patidões altruísticas dos ratos. Será que eles ajudam os companheiros? Sim, ajudam. Se um indivíduo vê o outro na água, se afogando, procura ajudá-lo, nem que seja estendendo a pata. Normalmente, comportamentos altruístas visam estabelecer uma relação de necessidades. Algo como "eu coço as suas costas enquanto você esfrega as minhas". O curioso é que os ratinhos que ajudaram aos outros efetivamente não tinham nada a ganhar em troca.

A equipe de Sato realizou, então, três conjuntos de experimentos envolvendo uma piscina de água. Um rato foi deixado lá, ao deus-dará, enquanto outro estava em uma gaiola adjacente a essa piscina. O rato nadador só poderia ter acesso a uma área seca e segura na gaiola, se seu coleguinha abrisse uma porta para ele.

Se fosse ser humano (principalmente meus colegas de trabalho e mais especialmente se fosse eu que estivesse na piscina de 10 metros de profundidade, com um sapato de concreto), o deixaria lá, dando de ombros, e muito provavelmente estando de olho na namoradinha do Zé que teve a infelicidade de ser escolhido para o experimento.

Dr. Sato e seus samurais descobriram que os Jerrys na gaiola aprendiam rapidamente como faziam para ajudar o companheiro camundongo, que estava lá se esbaforindo para sair da água, que devia estar fria, é claro. Os experimentos também mostraram que os ratos não gostam de ser encharcados, o que é mais para uma confirmação do óbvio, já que estamos falando de ratos e não peixes.

Indivíduos que já tinham passado pelo experimento de ser convidado a nadar, para depois ter a escada retirada (SimCity feellings) eram bem mais rápidos no aprendizado de salvar o coleguinha, na base do "eu sei como o calo aperta". Eu só não digo que algumas notas de Ienes estavam sendo jogados em cima da mesa, apostando o que o ratinho engaiolado ia fazer, porque eu imagino que o dr. Sato é um cientista sério. Duvido que os estagiários não tenham feito.

A pesquisa foi publicada no periódico Animal Cognition,

Isso parece ser uma pesquisa sem-noção, mas ela nos ensina que a soma de nossas experiências funestas nos ajuda a compreender o próximo, estabelecendo laços de empatia. É como esperar essas criaturinhas de Barra da Tijuca, por exemplo, demonstrar preocupação com mendigos que sequer existem no bairro. É incompreensível para eles que pessoas vivam nas ruas. Culpa dessa gurizada? Não, apenas um reflexo que só podemos ter empatia por situações que nós compreendemos, e só quem vive é que sabe. Portanto, pessoas que já passaram por muitas dificuldades terão maior tendência ao auxílio, apesar de isso não ser uma regra bem definida, já que nossa complexidade moral, social e intelectual impede qualquer matematização em processos como esse.

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Sobre André Carvalho

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  • Narciso L. Junior

    isso me lembra aquelas lagartixinhas de parede que ”tentam ajudar” uma companheira pega por um predador tipo uma cobra

    Eu respondeu:

    Sem falar nos inúmeros casos de cachorros que tentam resgatar outros que foram atropelados em estradas e rodovias.