O caso do lago que virou geleia (ou quase isso)

A chamada do título intrigou algumas pessoas. Então, vieram me perguntar se é verdade. Quimicamente, não fazia muito sentido (e continua não fazendo), mas eu sei a tendência do pessoal que não sabe nada sobre Química de minimizar muito o significado, tornando o fato em si em algo absurdo, por pura falta de capacidade de interpretação do fato em si.

De fato, o lago parece meio com geleia, mas ele não está virando uma geleia. Simplesmente, é o desequilíbrio ecológico pregando suas peças e as leis da Química fazendo o que sempre procuraram fazer (nada, a bem da verdade, pois Leis da Química é apenas uma explicação científica do ocorrido). Então, temos muita coisa a aprender hoje, pois mesmo sábado é dia em que não devemos ficar na ignorância. Primeiro de tudo: onde ocorreu o fenômeno?

O Canadá usa a água de muitos lagos como fonte de água potável. O problema é que, com as altas emissões de gases poluentes – em especial óxidos de enxofre –, há a formação de chuva ácida. Se você estudou um Ensino Médio decente, sabe o porquê. Dá lá uma olhadinha em "óxidos ácidos",

A chuva ácida é uma mistura de vários ácidos que cai com a chuva (duh!), e isso interfere no equilíbrio químico do local, não importando qual seja ele. Para o caso do Canadá, isso está sendo um problema, por algumas propriedades características dos ácidos.

O dr. Andrew Tanentzap é pesquisador do Departamento de Ciências Botânicas da Universidade Cambridge, Inglaterra.

De acordo com um press release muito mal feito, Tanentzap e seus estagiários escravizados estudam a redução dos níveis de cálcio em alguns lagos da América do Norte, como se adicionar ácido fizesse o cálcio PUF sumir. Não é isso. Muito desses ácidos são compostos de enxofre, como o ácido sulfúrico, e o cálcio precipita sob a forma de sulfato de cálcio. O cálcio, portanto AINDA ESTÁ no lago, mas não está DISSOLVIDO, o que diminui a sua concentração, e afeta certas espécies como crustáceos da ordem Dáfnia, pois dissolve sua pequeníssima carapaça de carbonato de cálcio, pois todo ácido que se preze ataca carbonatos, produzindo sal e CO2.

Como temos um competidor por recursos fora do páreo, nada mais óbvio que seu rival ecológico passe a se espalhar. No caso, um invertebrado: um pequeno invertebrado revestido de uma "geleia", do gênero Holopendium. É por causa desse alastramento que está havendo uma maior quantidade de geleia, e não que o lago está VIRANDO geleia. Olhem só que nojo!

A pesquisa foi publicada no Proceedings of Royal Society B e mostra que competição por recurso é algo sério e qualquer perturbação no meio pode aniquilar uma espécie e promover o crescimento exponencial de outra, apesar da preocupação MESMO ser a dificuldade de tratar esta água para ser usada para consumo humano. A gelatina lá que se dane.

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