É possível queimar um diamante?

Eu vi uma pergunta no twitter interessante. Dado o poder da Estrela da Morte, seria possível ela destruir um diamante? A pergunta nem foi pra mim e sim pro Átila Iamarino, um dos responsáveis pelo canal Nerdologia, cujo sentimento que me ocorre é facilmente entendido como "e inveja fosse um soco, ele teria que investir em uma cadeira de rodas".

A pergunta sobre a Estrela da Morte poderia ser deixada mais simples: "É possível queimar um diamante?". Sim, é. Por quê? Porque este é mais um capítulo do  LIVRO DOS PORQUÊS.

Friedrich Mohs nasceu na Alemanha em 29 de janeiro de 1773. Ele estudou Matemática, Física e Química, claro. Baseado nos antigos trabalhos de Plínio, o Velho e Teofrasto, Mohs criou a chamada Escala de Dureza de Mohs, que ordena minerais de acordo com a capacidade em que eles riscam-se entre si. Ele começa com o valor 1 para o talco (rocha baseada no composto Mg3Si4O10(OH)2), extremamente molenga e que pode ser riscada por qualquer coisa, até o diamante, de valor 10 e que não pode ser riscado por nenhum mineral natural.

Observe que o diamante NÃO É 10 vezes mais duro que o talco. É apenas uma ordenação. Outrossim, deve-se dizer que dureza não significa que é indestrutível. Se eu pegar o diamante, posso usá-lo para riscar uma barra de ferro, mas o inverso não é verdadeiro. Entretanto, se eu der uma martelada num diamante, ele se quebrará em mil pedaços. Diz-se então que o ferro é mais tenaz que o diamante.

O diamante é uma variedade alotrópica do carbono. Quimicamente, ele e o grafite são a mesma coisa, pois são compostos do mesmo elemento químico: o carbono. Então, porque a diferença entre os dois?

O diamante possui uma estrutura tridimensional, formando um retículo cristalino intrincado, conferindo muita resistência. É como se você usasse uma corda trançada em várias direções, conferindo mais resistência do que um simples laço. Já o grafite tem lâminas hexagonais que deslizam uma sobre a outra, deixando uma marca sobre o papel, permitindo que você possa usá-lo para escrever. Assim, o papel se mostra mais duro que o grafite.

Sendo ambos formados de carbono, eles podem ser queimados, produzindo gás carbônico, CO2. Como Química é uma ciência experimental, temos que provar por meio de algum ensaio. Sorte nossa existem laboratórios ricos que podem dispor de material a ser analisado, como no vídeo abaixo:

O cientista no do vídeo aquece o diamante até ele ficar bem vermelho e depois o mergulhou em um béquer com oxigênio líquido. Como toda reação de oxidação, ela é exotérmica e, por isso, dá pra se ver o brilho intenso e a temperatura indo pras cucuias (sou capaz de apostar que o béquer e de vidro de quartzo ou ele não aguentaria a temperatura).

Agora, se você não tem grana para repetir o teste, seja comprar oxigênio líquido uma uma pedrinha de diamante, improvise: Pegue uma proveta (ou um frasco qualquer alto), coloque uma quantidade de peróxido de hidrogênio (P.A., por gentileza. Água oxigenada de farmácia não rola) e coloque uma pitada de dióxido de manganês lá dentro. Rapidamente, aqueça (com uma pinça, ÓBVIO!) um chumaço de lã de aço – vulgarmente conhecido por "Bombril" – numa chama e quando ele estiver rubro, insira na proveta. O oxigênio liberado pela reação do MnO2 com o H2O2 fará o bombril queimar com um brilho forte, mas fraquinho em comparação a se usar oxigênio líquido, mais caro e mais perigoso de se trabalhar.

É um experimento legal, que com pouco investimento pode-se realizar em um colégio, dependendo da boa vontade de diretores.

Quanto à pergunta inicial, só digo uma coisa: Com o conhecimento, nós forjamos a Ciência. Com a Ciência, dominamos a Força. E uma simples Estrela da Morte é insignificante perante o poder da Força.


Agradecimentos ao Átila, Ramsés e Leandro pela inspiração de escrever este artigo.

3 comentários em “É possível queimar um diamante?

  1. “Entretanto, se eu der uma martelada num diamante, ele se quebrará em mil pedaços”.

    Caramba!!! Ia morrer e não ia saber.

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