Pássaros são peças-chave na engenharia aeronáutica

O que difere os seres humanos do mundo natural é que não precisamos desenvolver tecnologias na base da Seleção Natural, onde as modificações são lentamente testadas, descartadas, testadas de novo ad infinitum, até que algo mostre que é realmente útil e faz diferença para o determinado ser vivo. Obviamente, isso não adiantará muito se ocorrer algum desastre natural que acabe dizimando quase tudo pela frente, ou alguma mutação doida crie uma cilada evolutiva. Não, nós não precisamos o velho sistema de tentativa-e-erro,e se a Natureza fez o favor de ir testando e selecionando ao longo dos bilhões de anos de história evolutiva, só mesmo um idiota começaria a reinventar tudo do zero, e foi isso que os pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, fizeram: tomaram pássaros como modelos, onde alguns loucos estudam maravilhosas máquinas voadoras.

UAV é a sigla para Unmanned Aerial Vehicles (Veículos Aéreos Não-Tripulados). Sei que é difícil entender só pelo nome, mas de forma bem elucidativa, podamos dizer que é um veículo, é aéreo e não é tripulado, meio como no filme Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu. De uma forma bem mais leiga, é um treco voador sem “nada” para controlá-lo, muito usado em missões de risco, já que pilotos saem caro, mas aviões assim saem bem mais “barato”. Claro que se fosse no Brasil, colocariam qualquer Zé das Couves para pilotar o Jerimum I. Mais sobre este valiosíssimo armamento de guerra na incrível Wikipédia.

Obviamente, farei um pequeno esclarecimento: Quando se fala que “nada” (olha as aspas, seu analf…, meu querido deficiente de leitura) pilota aquela geringonça, é um tanto exagerado. Há, sim, um piloto, só que ele não fica no aparelho(que nem tem lugar, de qualquer forma, pois não fora projetado para isso). Ele fica na base, tranquilamente e sem correr nenhum risco; no máximo, ter uma tendinite. Sem tripulante nenhum mesmo só os filhotes do Skynet. Entretanto, nem tudo são flores. Por não ter um ridículo primata na cabine de comando, o tempo de resposta é sempre mais lento. Isso aliado à aerodinâmica do aparelho.

Enquanto os nerds computeiros mexem no hardware (o que você chuta) e o software (o que você xinga), o pessoal do departamento de Engenharia Mecânica e Aeroespacial (uma outra classe de nerd) estudam em como melhorar o desempenho. Os engenheiros da Universidade da Califórnia estudam em como imitar o movimento de asas de pássaros para ajudar a melhorar a maneabilidade dos UAV, os quais, afim de observar um alvo fixo, utilizam asa fixa que ajuda a permanecer no ar sobre o objeto, gastando energia para a propulsão e reduzir o tempo operacional. Seria como um condor, que quase não bate as asas, aproveitando a ascensão de ar quente. Dessa forma, o estudo da aerodinâmica se faz de forma que a asa aproveite ao máximo as correntes aéreas, com o fim de economizar no combustível, ampliando o tempo em que o avião-fofoqueiro fica lá em cima tomando conta da sua vida.

Segundo a estudante Kim Wright, orientada pelo professor de engenharia mecânica e aeroespacial dr. Tom Bewley, “um dos principais comportamentos observados nas aves era o uso da varredura da asa para o controle do voo para a frente e se aproxima de pouso parado. As aves podem mover suas asas numa miríade de formas, proporcionando um nível de controle aerodinâmico que é inigualável pelos UAV”.

A tendência é que os engenheiros continuem pegando o melhor da morfologia das aves, de forma a combinar num equipamento que tenha seu desempenho otimizado ao máximo, coisa que só mesmo um projetista inteligente faria, ao invés de colocar partes que funcionam excelentemente bem e outras que mais atrapalham do que ajudam. A bela menina Wright disse que o futuro dos UAVs é diversa. Desde o uso para fins militares até a busca por naufrágios e incêndios, os UAV são mais uma das magníficas máquinas voadoras, desde a localização do próximo alvo a ser destruído até localização de pessoas em perigo e até mesmo no controle de tráfego.

Abaixo, temos dois vídeos mostrando como o sistema funciona:


Fonte: Press Release da UCSD

9 comentários em “Pássaros são peças-chave na engenharia aeronáutica

  1. A bela menina Wright disse que o futuro dos UAVs é diversa. Desde o uso para fins militares até a busca por naufrágios e incêndios,

    Transportar passageiros não, né. :P

    Bincadeiras a parte. A tendência é aparecer veículos não tripulados dos mais diversos tipos e fins. Assim chegamos até Marte. O que achei interessante é o esforço em imitar as aves. Quem sabe assim os aviões tenham acesso a lugares que apenas helicópteros têm.

    1. A bela menina Wright disse que o futuro dos UAVs é diversa. Desde o uso para fins militares até a busca por naufrágios e incêndios,
      Transportar passageiros não, né?

      Bincadeiras a parte. A tendência é aparecer veículos não tripulados dos mais diversos tipos e fins. Assim chegamos até Marte. O que achei interessante é o esforço em imitar as aves. Quem sabe assim os aviões tenham acesso a lugares que apenas helicópteros têm.

      Assim que eu queria. Que falta uma simples barra (/) faz…

  2. Quando se fala que “nada” (olha as aspas, seu analf…, meu querido deficiente de leitura) pilota aquela geringonça, é um tanto exagerado. Há, sim, um piloto, só que ele não fica no aparelho(que nem tem lugar, de qualquer forma, pois não fora projetado para isso).

    Me lembrei do Cardoso do MeioBit (capacidade de abstração). ;-)

    Em tempo, além do passarinho aeromodelo, tem também o peixe mecânico e a minhoca transformers (vide trailer do TF3). Todos imitadores da natureza. Postaria aqui os links do youtoba, mas não me lembro os termos de pesquisa.

  3. Legal, vi uma vez na televisão uma máquina que parecia uma aranha , acho que o projetista era um brasileiro que trabalha para a Nasa, enfim parece que estavam testando para uma possível missão a Marte.

  4. Eu acreditava que os UAV eram projetados exclusivamente às áreas militares, mas se o projeto também é desenvolvido para utilização urbana e até de resgate, verei mais contete tais avanços.

  5. Apesar do assunto não ser muita novidade para mim (é nisso que dá ter amizade com aluno do ITA, você fica sabendo de tudo quanto é mega-invenção-ultra-inovação-do-baralho-a-quatro em engenharia aeronáutica, mesmo que vinda do Zimbábue, antes de querer contar qualquer coisa), o método de estudar o voo das aves para aplicação na indústria aeroespacial pode emplacar como uma tendência tão forte quanto o UAV nos próximos anos.
    Obs: Por que geralmente os artigos que tratam mais de Ciência e Tecnologia têm menos comentários?

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