Por que as águas dos rios Negro e Solimões não se misturam?

Desde pequenos aprendemos fatos básicos de Geografia. Sabemos que o ponto mais alto do Brasil é o Pico da Neblina, como seus 2.993 metros de altura. Sabemos que ele fica no Amazonas, que também é o maior estado brasileiro, o qual também abriga o maior rio em volume de água do mundo, o Amazonas, o qual alguns dizem ser o maior rio em comprimento, embora a maioria concorde que o mais longo é realmente o Nilo (thanks, Raccoon).

Você sabe, porque frequentou colégio, que o Rio Amazonas só recebe este nome depois do encontro como o Rio Negro e o Rio Solimões. E também já ouviu falar que a água dos dois rios não se misturam. É verdade ou farsa do colégio? Só o Livro dos Porquês para responder!

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Parent Fail ou “Olha a merda que você tá fazendo aí, pai!”

Está todo mundo comentando sobre como o menino que deu de comer ao tigre (literalmente), no zoológico de Cascavel, na região oeste do Paraná. Isso mostra como a criação dos filhos anda irresponsavelmente na mãos de idiotas, cuja única ação lúcida que devem ter é limpar a bunda depois de ir no banheiro (se tanto!). Mas seria um caso isolado, não? Lamento dizer, mas não.

Afinal, que merda anda acontecendo com a ação parental, hein?

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Por que a atmosfera do Sol é muito mais quente que a sua superfície?

O Sol parece extremamente quente (e é), muito mais quente que qualquer lugar no Universo (não é). Mais quente que a superfície terrestre (é), sua superfície é mais quente até que o núcleo terrestre (não é), só que sua superfície é menos quente que sua… atmosfera? Péra, péra! Sol tem atmosfera? Sim, tem. E ela é quente? Não só é quente como é mais quente que a superfície do próprio Sol.

Mas como o Sol pode ter a superfície menos quente que sua atmosfera, e até mesmo mais fria (eu não disse "fria" e sim "mais fria") que o núcleo terrestre? Hoje é sábado, mas todo dia é dia do Livro dos Porquês!

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O que é gramática? (Segunda parte)

Continuando a nossa série de textos sobre estudos da linguagem, hoje vou falar um pouquinho sobre os estudos "tradicionais", ou seja, aqueles relacionados à primeira definição de gramática que eu dei no texto anterior (e se você não leu os textos anteriores, PARE AGORA! e só volte quando ler tudo. É importante seguir o raciocínio.)

Para falar dos estudos tradicionais, vou usar um texto do linguista britânico David Crystal, mais especificamente o segundo capítulo do livro A Linguística. Infelizmente não consegui uma versão digital do livro para linkar aqui (eu tenho um xerox desse texto que usei numa matéria na faculdade, traduzido para o português, aparentemente uma edição portuguesa.).

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O que é gramática? (Primeira parte)

Olá amiguinhos(as)!

Seguindo a nossa pequena série de introdução aos estudos linguísticos, agora que a gente já viu um pequeno panorama dos estudos da linguagem, o que é e como se define língua e o que é fala e escrita, está na hora de embrenhar ainda mais no espinheiro: o que é gramática? (Não é aquela da escola.)

Gramática vem do grego Γραμματικόσ [grammatikós], que significa aquele que sabe ler e escrever. Ou seja, o estudo da linguagem começou como um estudo da escrita, sobretudo da variedade escrita do grego antigo. Os primeiros gramáticos eram estudiosos que se debruçavam sobre a escrita do grego – e se preocupavam em "proteger" a língua das modernidades (é, Aldo Rebelo, não foi você o primeiro a ter a ideia de jerico de que a língua precisa de proteção). O Panini, que eu citei no meu primeiro artigo, também escreveu a gramática do sânscrito com o mesmo objetivo de preservar a língua (nesse caso por motivos religiosos).

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Os 101 magníficos gêiseres de Enceladus

Enceladus é uma das minhas luas favoritas, mesmo não sendo uma lua e sim um satélite natural. Mas ele é um satélite tão natural para mim, que eu o vejo como um primo de nossa querida Lua (veja o que já escrevi sobre Enceladus). A sonda Cassini-Huygens chegou em Enceladus em 2004, e nos trouxe muitas imagens. Dentre elas, vários gêiseres, que nem aqueles que víamos no desenho do Zé Colmeia, nem que seja em alguma reprise.

Cientistas, no uso de suas atribuições, contaram quantos gêiseres Enceladus tem. A resposta? 101, mas você quer saber mais, não é? Claro que quer!

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O que é língua?

Nos textos anteriores da nossa pequena série introdutória aos estudos da linguagem, eu saí pela tangente no que diz respeito à definição de língua. Eu disse que língua é o "objeto" de estudo da linguística (aspas porque a coisa é mais complicada que isso; como eu disse na Introdução, a gente recorta várias coisas diferentes dentro do supra-fenômeno língua e cada um desses pedacinhos é o objeto de estudo de uma corrente de estudo diferente) e eu também disse que língua deveria ser mais associado à fala e não à escrita.

Pois, agora, eu vou me embrenhar no espinheiro e falar sobre como é difícil pra caramba definir o que raios é língua.

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Qual a relação entre fala e escrita?

Você me pergunta, "tia Bárbara, por que todo mundo falou bobagem na polêmica do livro didático que falava sobre preconceito linguístico"? Eu respondo: porque nós somos impregnados pelo senso comum. E o grande problema do senso comum na linguística é: nós confundimos fala e escrita. E por que nós confundimos fala e escrita? Porque antigamente nós só podíamos estudar a escrita. Antes da invenção do gravador a gente não tinha como capturar e analisar língua falada, só língua escrita, e era assim que a gente fazia. E todas as gramáticas e estudos feitos até meados do século XX foram feitos em cima de língua escrita.

Mas a língua escrita é MUITO diferente da língua falada.

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Não ligue pro Boeing atrás da cortina!

A Internet brasileira está cheia de pensadores e personalidades influentes. Curiosamente, nenhum deles é cientista, professor (vocês sabem, aqueles que educam OS SEUS filhos vagabundos, enquanto você fica vendo merda de novela e discutindo besteira). Normalmente, é um pessoal que se acha, sendo músicos e humoristas (mesmo quando a música é uma bosta e o humor é sem graça). A influência desse pessoal é tanta que se pedirem para os seguidores irem doar sangue ou donativos para uma causa assistencial, o pessoal vai em massa (só que não). Mas – UAUUUUU! – eles têm zilhões de seguidores enquanto eu sou um zé ruela que mal tem 2400 insanos que me seguem no Twitter (não sei nem como tenho isso tudo). Mas, claro, o livro do Crepúsculo vende muito mais que livros de divulgação científica. Isso deve significar algo.

A pérola do dia vem por conta do Tico Santa Cruz, figura contumaz nas interwebs, com suas opiniões tão relevantes quanto as dos bichos no formol que adornam minha sala. Ele sabe das coisas e já descobriu o segredo do que aconteceu com o voo da Malaysia Airlines que se estabacou lá pros lados da Ucrânia. A verdade está voando por aí…

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USGS produz Mapa Geológico de Marte

Depois que Pedro Álvarez Cabral, fidalgo português que estudou na escola de Sagres (que sabemos nunca ter existido), chegou à Ilha de Vera Cruz, o rei, D. Manuel, o Venturoso (que título ridículo, Jisuis!), mandou organizar uma outra esquadra (já que Cabral fatalmente tirou da reta, pois de navegação e briga de galo não entendia nada) para dar uma fofocada por aqui. O sortudo foi Gaspar de Lemos, que veio pra cá na Primeira Expedição Exploradora, que durou entre 1501 e 1502.

Expedições assim eram para fazer reconhecimento do local, cartografar e descobrir as riquezas pelo lado de acá! Os caras eram macho bagarái, pois sequer tinham ideia do que iriam encontrar e o tipo de terreno.

Hoje, no século XXI, algum explorador que vá para Marte não precisará ter (muito) medo, pois nossa Ciência já é capaz de cartografar e fazer levantamentos geológicos de outros planetas, e é isso que foi feito para com o planeta vermelho!

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