Lula Vieira (o publicitário, não o megalomaníaco), teve a infeliz ideia de fazer um comercial pro cigarro Vila Rica que ficou famoso… mas pelos motivos errados. Ele escalou o jogador Gérson, conhecido da Copa da 1970 e famoso por ser o “canhotinha de ouro”. No comercial, Gérson dizia que ele gostava de levar vantagem em tudo e, por isso, fumava Vila Rica. Assim, ele conclamava que as pessoas também fizessem o mesmo. Isso ficou entranhado na psique do brasileiro espertão que não acha nada demais passar a perna nos outros. É a chamada Lei de Gérson.
Nem Lula Vieira nem o Gérson gostaram da ligação, mas qual de nós nunca fez merda? (exceto eu, claro!)
Existe gente espertona que faz uso da Lei de Gérson 24/7, pouco se importando com os resultados. Um exemplo é o projeto inteligentíssimo de usar a lama da cagada que aconteceu em Mariana para fazer tijolos. O que poderia dar errado?

Os EUA – vocês não acharam que eu ia falar do Brasil, né? – tem vários defeitos. Um deles é o Ken Ham e o Bible Belt. O sistema educacional é falho em muitos pontos, como na hora de escolher livros didáticos, não raro feito por comissões constituídas por gente burra, estúpida, ignorante e totalmente idiotas e… Ops, desculpem. Tem idiotas que acham que divulgadores científicos não podem dizer que pessoas burras são pessoas burras. My bad. (Sim, eu sei que você está lendo isso. Beijo na irmã!)
Eu até achei que demorou. Creio que as pessoas pararam para prestar atenção mais detidamente e acabou-se por descobrir um caso em que a fosfoetanolamina não só não curou o paciente, como deveria fazer, se eu for levar em conta o que os retardados disseram no Facebook, como ainda fez os tumores se espalharem por quase todo o corpo.
A resposta seria os neurônios, mas você se ofenderia em ser chamado de cabeça-de-lesma, apesar de eu achar que a lesma do mar teria muito mais motivos para reclamar. Mas não fique triste, isso é muito importante, como mostra uma pesquisa do pessoal da Universidade de Illinois, que visa entender nossa cognição, memória e aprendizagem, com o auxílio daquelas coisinhas fofas que vivem no mar.
Adoro o mundo da pesquisa científica, mas tem horas que pessoal abusa. Não sei, eu sou velho, chato e ranzinza, mas acho que quando se pesquisa algo, sei lá, é para se obter conhecimentos novos, técnicas inovadoras e produtos que não existem. Entretanto, no mundo da Ciência Salame, consegue-se dissertações de mestrado sobre gente chupando gente e idiotas dizendo que próteses são eugenia.
Em 17 de outubro, eu coloquei meu primeiro vídeo sobre a fosfoetanolamina. Um monte de trolls me xingou. Ameaçaram que os resultados estavam vindo aí. Bem, eles vieram e o que temos? As pílulas se mostraram ineficazes, e nem tem grandes quantidades de fosfoetanolamina. Claro, uma bela parcela ainda vai me xingar, mas quem se importa com gente ignorante?
Você não é o melhor que a Seleção Natural pôde fazer, porque Seleção Natural não está nem aí para “perfeições”. Tudo bem que humanos constroem cidades, países, civilizações, armas atômicas capazes de mandar todos os anteriores pelos ares. Ainda assim nosso corpo é cheio de problemas, como sermos incapazes de enxergar em ultravioleta e infra-vermelho, não respiramos debaixo d’água e nossos sistema de cicatrização é bem legal, mas perder um braço não deixa ninguém feliz.
O Universo não é o lugar mais lindinho de se morar, mas é o único lugar… ao menos, por enquanto. Ou não. Sei lá. Só sei que este belo universo ordenado e criado por um projetista inteligente está a cada segundo pronto para nos mandar pra vala sideral. A Lua é um belo exemplo disso. O que antes era conhecida como uma imensa esfera maciça e lisa, Galileu provou que não é bem assim que a banda toca.
Aaron Swartz deveria entrar no meu rol de Grandes Nomes da Ciência, mas eu teria pouco a escrever sobre ele, sua trajetória, enfim. Talvez seja um erro mas não é por falta de merecimento. Ele merece. Tal qual Prometeu, Swartz trouxe algo do reino dos deuses e deu aos Homens, pagando uma penitência severa por isso, e agora é tarde. Swartz já não está mais entre nós. A drª Alexandra Elbakyan é uma seguidora, herdeira, digamos assim, do Prometeu moderno.