Todos nós sabemos que o cérebro é uma imensa gambiarra evolutiva. Os bilhões de anos de evolução biológica acrescentaram camadas pós camadas, até que todo o nosso sistema nervoso chegasse a ser o que é: uma mixórdia que mal entende o que vê em volta e cria coisas que não existem. O que vemos, ouvimos, provamos, sentimos e cheiramos vem numa algarávia de sensações e o cérebro toscão monta isso udo como mecânico de bicicletas montaria um fusca. O resultado é o mesmo: algo que até atende as suas necessidades, mas dará pau em algum momento.
Um vídeo que rola pelos InterTubos mostra fotos de celeridades em pares (cada qual e um canto da tela), separados por uma tarja preta. Ao rodar o vídeo, você deve ficar prestando atenção ca cruzinha bem no meio da tarja preta, enquanto sua visão periférica detecta os rostos. Dentro de instantes, estes rostos tão conhecidos e amigáveis se enfurecem, tornando-se monstros incontroláveis. Satã Goss? Não, seu cérebro fazendo besteira! Veja a seguir e morra de medo:
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Em 5000 anos de escrita, ainda não inventaram nada melhor que papel. Há muito, muito, MUITO tempo eu escuto que os computadores tornariam o papel obsoleto. Bem, nunca se gastou tanto papel depois do invento dos computadores pessoais, cérebros eletrônicos, PC, microcomputadores e, hoje, computadores (tudo a mesma bagaça!). A única coisa que a moderna informática particular (eu também quero inventar termos. Não enche!) foi uma profusão de garranchos e português pessimamente escrito, já que papel não tem corretor ortográfico (que na maioria das vezes não serve para nada, de qualquer forma). Analisem, o papel é TÃO importante ainda, que leitores de livros digitais imitam papel, o inverso não é verdadeiro.
Eu vejo os seres humanos como o conjunto de suas memórias. De todos os animais, os humanos somos os únicos que interagem com elas, que fazem esforço para relembrá-las, para nos fazer felizes de novo, sentirmos saudade etc. Nossas memórias são aquilo que realmente nos faz humanos. Por mais que seu cão se lembre de você após muito tempo fora, apenas nós fazemos esforço para nos lembrar dos risos que demos, das lágrimas que vertemos, das conquistas que conseguimos e assim por diante. Aprendemos, portanto, a valorizar estes momentos e procuramos eternizá-los e compartilhar com outras pessoas.
Eu sempre disse que as pessoas não têm medidas das besteiras que falam. Os deslumbrados se emocionam com qualquer besteirol que aparece e defendem com unhas e dentes, como se aquilo fosse alguma verdade suprema. Aliado a isso, temos o pessoal que acredita em tudo, que aceita tudo e vê tudo acontecendo, menos o que realmente acontece e não acredita numa coisa simples e que parece não tem muito valor: a verdade. Hoje, eu tive mostras de como é inglória a batalha contra o obscurantismo e isso graças a um simples editor de texto.
Nossa ciência médica avança a cada dia. Conseguimos coisas maravilhosas nos últimos anos e a cada dia novas pesquisas surgem com promessas e ideias para prolongar nossas vidas, ou fazer-nos sofrer cada vez menos. Eu não tenho nenhum pudor com procedimentos extremos, mas isso não significa que não devemos questionar certas coisas. Uma delas é a proposta de um neurocientista que defende pesquisas para transplantes de cabeças. Deveríamos ver isso bem de perto, não?
Memória é diferente de aprendizado. Não adianta você aprender alguma coisa agora se não conseguirá se lembrar dela daqui a dez minutos. Diferente que o "inteligentíssimo" sábio de Estagira disse, os pensamentos não ficam no coração (e, apesar de casado duas vezes, ele não sabia que mulheres têm o mesmo numero de dentes que os homens). Agora, pesquisadores do Instituto Gladstone determinaram que uma proteína está envolvida na regulação da atividade neuronal, influenciando no processo neurológico para a formação de memória de longo prazo.
O pessoalzinho tosco que defende os ‘direitos dos animais" (mas usam inseticida em casa), acha um absurdo experimentação animal, alegando que isso é tortura. Curiosamente, nunca falam quando cientistas fazem pesquisas nas quais curam pequenas cobaias. Agora, cientistas dão mais um passo em termos de ciência médica: eles conseguiram reconstruir medulas espinhais de ratos. Ok, foram cotadas, mas voltaram a ser remendadas e mesmo o mais fanático dos vegans toma remedinho. E, claro, isso ajudará muita gente com problemas de lesões no sistema nervoso.
Eu canso de falar que Ciência no Brasil é brincadeira, mas estava errado. Já está virando caso de manifestação (polícia já pulou fora há tempos!). Mas, claro, manifestante quer ônibus digrátis e não melhor ensino. De qualquer forma, qual país que vivemos? Vivemos num país onde uma comissão aprova proposta que dá poder para igrejas questionarem leis no STF (provavelmente, recebendo comissões), homeopatia é especialidade médica (tem na USP, aquela universidadezinha que vocês adoram lamber a bunda) e núcleo de estudos para anormais, digo, paranormais. Ahm, sim, na Universidade de São Carlos, trata-se paciente com cobertorzinho de led. O que pode piorar?
O cérebro é o órgão mais estudado e menos compreendido até agora. Sua complexidade, apesar dos avanços em termos de neurociência, supera qualquer coisa que possamos imaginar num organismo vivo. Mas a cada dia estamos entendendo um pouco a mais aquela linda massa esponjosa que 90% das pessoas insistem em não usar direito.
O problema das notícias é… bem, os jornalistas. Canso de dizer que jornalista escrevendo sobre Ciência é a mesma coisa que tartaruga tentando costurar. Eu tento acompanhar tudo que sai sobre Ciência, mas fica difícil, já que eu preciso pagar as contas. Então, chego no trabalho e logo o pessoal vem me mostrar um