Por que navios flutuam?

As perguntas mais simples são as mais complicadas, pois muitas vezes desafiam nossos sentidos. Eu vivo dizendo isso e não me cansarei de dizer. Vemos o mundo e tentamos entendê-lo, mas nossos olhos pregam peças na gente e o cérebro muitas vezes se recusa a aceitar a informação.

Muitas coisas são magníficas de se ver. Eu, por exemplo, adoro ver petroleiros e transatlânticos. Eles são um triunfo de nossa engenharia e engenhosidade. Mas algo no cérebro sussurra que não está certo. Sendo o navio (e chamaremos de "navio" qualquer embarcação marítima de grande porte) feito de aço, a pergunta que soa em nossos ouvidos é: "Como aquela bagaça flutua?" E a resposta do Mestre é "Procurai no Livro dos Porquês".

A vontade, o pensamento, isso é Poder! Acorde a minha mente para o grande saber!

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Pesquisadores usam imponderabilidade para projetar novos materiais

Imponderabilidade é a condição onde o corpo está em contínua queda livre. É o que muitos chamam de "ausência de gravidade", mas isso é errado.Não existe um ponto sequer no Universo que não haja força da gravidade. Ela existe, mesmo que seja muito pequena e é por isso que costuma-se chamar "imponderabilidade" ou "microgravidade".

Agora, cientistas estudam como usar a imponderabilidade para desenhar novos materiais, com propriedades totalmente novas.

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O vulcão de gelo em Titã

Eu sempre reforço a ideia que nosso senso comum vota e meia apronta das suas, e normalmente ele nos dá indicações e conclusões errôneas. Uma delas é o conceito de "deserto", como eu expliquei no artigo sobre o Dasht-e Lut, o lugar mais quente da Terra. Nesse artigo, eu expliquei que não basta ser quente para ser um deserto e que o Saara, apesar de mais famoso, não é o deserto mais quente nem o mais seco. Da mesma forma, pensamos que vulcões são aquelas montanhonas, prestes a mandar todo mundo pro saco que nem o Vesúvio fez e se bobearem o supervulcão de Yellowstone que está a caminho.

Podemos pensar que a Terra é o único planeta a ter vulcões, mas há um outro lugar também: o satélite natural ("lua", se você for jornalista que está fazendo parada na seção de Ciência dos portais de notícia) Titã, que orbita Saturno. Enquanto os vulcões aqui expelem lava, cinzas destruição, o vulcão de Titã expele gelo, hidrocarbonetos e várias outras substâncias. Para entender mais sobre isso, verbete TITÃ, seção SATURNO, capítulo  ASTRONOMIA do LIVRO DOS PORQUÊS.

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Alunos da rede pública de Ubatuba participarão de simpósio científico no Japão

Quando as coisas dão errado (e muito!) em termos de ensino, eu meto o malho, mas quando há iniciativas boas, aliás, excelente, aliás, incrivelmente fantásticas, temos a obrigação de divulgar.

Um grupo de estudantes já está de malas prontas e já foram pro aeroporto, pois estão de partida pra filial do bairro da Liberdade proo Japão. Se fosse para a China, algum sarcástico (oiê!) diria que era porque arrumaram um emprego melhor na Foxconn, mas a parada não é essa. Eles estão indo lá porque vão participar do Simpósio Internacional de Ciência e Tecnologia Espacial, patrocinado pela Agência Espacial Japonesa.

E você tirou nota boa no ENEM? That’s cute!

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Alvo: Lua. Meteorito 7 na caçapa do canto

A Lua não é feita de queijo e é mais esburacada que rua de subúrbio. Todos os anos, a Lua é bombardeada por trocentos asteróides (sim, trocentos. Não encha o saco), fazendo-a ter aquele aspecto. A Natureza é uma mãe psicopata que está disposta a nos mandar pra vala de qualquer jeito; haja vista o que aconteceu em 17 de março, quando um pedregulhão cósmico se chocou com Jaci com um impacto que não acontecia há cerca de 8 anos.

Mas a Natureza é perfeitinha.

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O esplendor da topografia de Titã

O poder do Senhor dos Céus está consolidado. À sua volta, guardiões zelam pelo equilíbrio, onde forças cósmicas ditam os rumos de tudo que há ali. Um deles é o poderoso Titã, o único satélite natural do Sistema Solar a ter uma atmosfera densa. Mas o poder do Titã não fica só em suas grossas nuvens alaranjadas, fotografadas pela sonda Cassini-Huyggens. De posse dos dados da sonda, cientistas planetários conseguiram montar um mapa topográfico da poderosa lua que pertence ao Senhor dos Anéis.

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Cientistas examinam cavidade auditiva de dinossauro e não é por causa de dor de ouvido

Ontogenia é o estudo das origens e desenvolvimento de um ser vivo. Saber como ele apareceu e no que ele resultou. Um dos bichos que mais despertam interesse nesse campo é, claro, dinossauros. A saber, são os únicos monstros que realmente tivemos (os outros estão guardados na Área Pitu, digo, Praianinha, quero dizer, Área 51).

Agora, uma equipe de pesquisadores resolveram estudar não apenas um dinossauro, mas especificamente seu crânio e mais especificamente ainda seu ouvido interno, e como ambos se tornaram o que eram.

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USP e UFSCar “iluminam” pacientes obesos para que possam emagrecer. Céus, oh, Céus!

No Brasil, Ciência é brincadeira (de mau gosto). Vivo lendo sobre como as coisas estão melhorando. Melhorando tanto que ao invés de desenvolver pesquisas aqui, nos gabamos em mandar cientistas para outros países. Próxima meta, acabar com toda a atividade científica aqui, já que a ralezinha que acha que Filosofia presta para algo, condenada nós de "cientificistas com pensamento do século XIX" (sim, já me disseram isso, vindo de gente que pensa como Platão, com um pensamento tacanho de mais de 2000 anos!).

Enquanto não atingimos esta meda, passamos pro passo intermediário: desenvolver a pseudociência, como é o caso de uma "pesquisa" da USP — que os retardados enchem a boca (e outros orifícios) para dizer que é a melhor universidade do Brasil – que usa luz de leds para obesos emagrecerem. Bem-vindos ao Domingão da Pseucociência!

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Uma caixa d’água de um bilhão de anos

Nosso mundo, como muitos outros mundos, não é estático. Ele não para para nada, nem para parar de se indignar com acordos ortográficos horríveis. Ainda assim, há sempre um recanto perdido, longe de nossas mãos pecaminosas, mantendo-se imutáveis, ou quase isso. Extremófilos mudaram muito pouco nesses longos milhões de anos, mas há algo bem mais antigo, mesmo sem ser espíritos do mal. Uma mina d’água que se acredita ter um bilhão de anos. Se você queria uma visão do passado sem ter um DeLorean, taí a sua chance.

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O maravilhoso “círculo de fogo” nos céus australianos

Como vocês são espertos, prestaram atenção nas aspas; já que o Círculo de Fogo do Pacífico não compreende a Austrália. Acontece que hoje é sexta-feira e eu ainda tenho que trabalhar. Nada como algo ameno para nos alegrar, ainda mais que estamos no fim do mês e o salário é apenas uma doce lembrança.

Em 10 de maio deste ano, um eclipse fez dos céus australianos algo muito legal. Como sempre, o Brasil não foi agraciado com a visualização do evento, pois não possuímos estrutura para um evento deste porte. Assim, compartilho com vocês um vídeo em lapso de tempo (time lapse) mostrando o magnífico eclipse que ocorreu neste dia. Espero que gostem.

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