O rio que empurra o gigante para o céu

O majestoso Monte Everest, o pico mais alto do mundo, sempre foi um símbolo de grandeza e desafio. No entanto, o que muitos não sabem é que sua altura imponente pode ser influenciada por algo aparentemente insignificante: um simples curso d’água. O rio Arun, com sua força erosiva, está esculpindo a base da montanha e, paradoxalmente, empurrando o Everest ainda mais alto. Essa interação fascinante entre a água e a rocha revela como até mesmo os elementos mais poderosos da natureza podem ser moldados por forças sutis e inesperadas.

O dr. Matthew Fox é pesquisador do Departamento de Geologia da University College London. O bom Raposão e sua equipe têm se dedicado a entender os processos dinâmicos que moldam nosso planeta, em especial o Everest.

Com 8.849 metros de altura, o Monte Everest, também conhecido como Chomolungma em tibetano ou Sagarmāthā em nepalês, é a montanha mais alta da Terra e se eleva cerca de 250 metros acima do próximo pico mais alto do Himalaia. O Everest é considerado anormalmente alto para a cordilheira, já que os próximos três picos mais altos – K2, Kangchenjunga e Lhotse – diferem apenas cerca de 120 metros um do outro.

Agora, imagine um rio tão poderoso que, em vez de desgastar uma montanha, ele a empurra para cima. É exatamente o que o rio Arun está fazendo com nosso amigo gigantão de preda.

O rio Arun está localizado a cerca de 75 quilômetros do Everest, e é um dos rios mais importantes do Himalaia. Ele desce desde o Tibete, atravessa o Nepal e se junta a outros dois rios para formar o Kosi, que mais tarde deságua no Ganges. Esse rio de correnteza rápida está esculpindo uma enorme garganta na paisagem ao redor da montanha. Esse processo de erosão está, paradoxalmente, fazendo com que o pico mais alto do mundo cresça ainda mais. A pesquisa sugere que o Everest é entre 15 e 50 metros mais alto do que seria sem a influência do rio.

Mas como essa bagaça acontece?

A erosão causada pelo rio remove material da base da montanha, aliviando a pressão sobre a crosta terrestre. Isso permite que o manto terrestre empurre a crosta para cima, um processo conhecido como “rebound isostático”. Em termos simples, enquanto o rio desgasta a base, a montanha é empurrada para cima pela pressão do manto terrestre.

Sim, parece um total contra-senso, mas é exatamente o que está acontecendo, e o Everest continua a crescer a uma taxa de cerca de dois milímetros por ano devido a esse processo. Esse fenômeno pode estar ocorrendo em outras partes do mundo, onde rios poderosos interagem com grandes cadeias montanhosas.

A pesquisa foi publicada no periódico Nature Geoscience.

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