Pesquisadoras concordam com suas tias e mostram que maternidade é mais importante que produção científica

O mundo acadêmico não é essa lindeza que vocês pensam, com um monte de pesquisadores de mãozinhas dadas cantando música da Noviça Rebelde enquanto saltita por estradas de tijolos amarelos. A realidade é demonstrada pelo maravilhoso PhDComics, em que o professor-doutor das histórias é a cara do meu orientador (sério! E tão sádico quanto). Você tem que estar com tudo andando, com trocentos relatórios e orientadores, e comitês e banca e o seu colega que não tem nada a ver com seu trabalho, mas quer lhe detonar porque você ganhou aquela verba mixuruca e ele não. Sua autoestima é praticamente inexistente, o amor próprio fugiu com o entregador de pizza, sua vida está no mesmo modo que aquelas senhoras que recebem encanadores e não têm dinheiro pra pagar e sua família lhe lembrando que seu primo prestou concurso pra ser auxiliar administrativo no fórum e ganha mais que você, o que é corroborado pela faxineira dos seus pais, que também ganha mais que você!

Algumas pessoas entendem como o mundo funciona e as regras que criaram para poderem se safar lindamente, jogando uma bela carga de culpa nas pessoas que se posicionarem contra. É o caso das pesquisadoras que resolveram colocar em seus currículos licença maternidade e se são mães e o cacete a quatro, porque elas se sentiram inferiorizadas perante o mundo masculino malvadão.

Esta palhaçada começou quando um grupo de pesquisadoras enviou ao CNPq uma carta com diferentes reivindicações para trazer mais igualdade de acesso e concorrência das mulheres às bolsas e financiamentos científicos no Brasil. Um dos pedidos é a inclusão do período de licença-maternidade no currículo Lattes. O fato de homens serem pais não entra no caso, obviamente. Este documento imbecil foi assinado pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa, que postou no seu Lattes: “Mãe de um filho de 14 anos, é atuante na causa das mulheres na ciência”

MINHA PHYLHA!

Se você espera que eu reconheça como qualidade do seu trabalho mediante seu ativismo, lamento lhe informar, nem eu nem ninguém fora da sua bolha se importa. Nem eu nem ninguém fora da sua bolha se importa se você é mãe, tia ou cunhada de um molecão de 14 anos. Dona Edwiges que limpa o seu escritório tem filhos e você não se importa com ela, não é mesmo? Sua bolha é apenas outras que têm filhos, mas são professoras como você. Não vamos enganar ninguém aqui. Quer que eu lhe respeite como pesquisadora? Mostre-me os papers, não os documentos da maternidade.

Talvez, este seja o meu erro. É, é isso! Elas estão certas. Elas devem ser medidas como pessoas de respeito pela prole que dão à luz, pela família que constituem, pelo fato de serem mães, não pelas conquistas acadêmicas.

Sim, o mundo é muito engraçado. Mulheres lutaram para ter o seu lugar, mas hoje elas só se sentem mais dignas de respeito pelo mesmo motivo que suas avós achavam. O mundo evoluiu, mas quem disse que evolução significa melhoria? Dona Etelvina, 80 anos, vizinha dessas pesquisadoras orgulhosas de mostrarem-se mais importantes por serem mães deve estar satisfeita. Finalmente entenderam que é perda de tempo sair pra estudar e trabalhar. Boas meninas!

Enquanto isso, quando um centro de pesquisa ou empresa for contratar um novo profissional, prestará atenção em quem tem tempo para se dedicar ao projeto e em quanto tempo sua pesquisa foi terminada sem distrações externas. Parabéns, pessoal. Só não reclamem depois. Mas, ah!, é só para fincar na bolha mesmo, não é verdade?


Fonte: G1

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