Pesquisadores revertem resistência à insulina

Você sabe que insulina é a substância que ajuda a controlar a sua taxa de açúcar no sangue. Você também sabe que pessoas diabéticas tem alguma zica no sistema que produz essa insulina. O que você dificilmente deve saber é que existe uma coisa chamada “resistência à insulina. Resistência à insulina é a situação louca em que a insulina que circula de boas no seu sangue, só que não faz nada. É praticamente um cunhado vindo te ajudar com a obra, mas só faz tomar a sua cerveja. Insulina é uma coisa que não basta ter, é preciso usar, e quem tem resistência à insulina a glicose não entra nas células e tecidos, ficando no sangue e – UAU! – diabetes. Tomar insulina não adianta nada, já que você não tem falta dela. Lindo caso de projeto inteligente, não?

Bem, pesquisadores não deram bola pra esse lance de projeto inteligente; dessa forma, foram capazes de reverter a resistência à insulina diabética e intolerância à glicose.

O dr. Jerrold Olefsky é Decano para Assuntos Científicos e Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de San Diego. Ele examinou de onde vinha essa intolerância à insulina. Se ele fosse do pessoal do Tumblr, faria chiliques e textos, mas sendo um pesquisador, ele preferiu ir estudar. Nisso, ele descobre a ação da proteína Galectina-3, a qual safadamente impede que a insulina se ligue a receptores bioquímicos.

Hã?

Galectina-3 é uma proteína, ok? Ela é codificada pelo gene LGALS3 (preste atenção nessa parte), ou seja, o gene tem as instruções para produzir esta proteína, pois é isto o que genes fazem, cada um codificando uma ou mais proteínas, às vezes, diferentes genes codificam a mesma proteína, mas estou me dispersando.

A galectina-3 está presente em respostas a condições tumorais, entre outras coisas, como ser usada como biomarcador cardiológico, já que o aumento da concentração da galectina-3 na circulação permite a identificação de pacientes predispostos a desenvolver insuficiência cardíaca, antes dos surgimentos dos primeiros sintomas.

Uma das questões é que tudo depende da ação de macrófagos, células destruidoras de células, com a bênção da genética. Tecidos adiposos (gordura!) são formados por quase 40% de macrófagos, e esses macrófagos secretam a galectina-3, que age atraindo mais macrófagos, que produzirão mais galectina-3. Lindo, não? Essa galectina-3 secretada pelos macrófagos causa resistência à insulina no fígado, células de gordura e células musculares mas como?

A insulina é um hormônio, mas como todo hormônio precisa se ligar a certas moléculas para que ela tenha efeito. Este sistema, que normalmente chamamos “chave-fechadura”, só funciona quando determinada substância encontra outra substância capaz de “recebe-la”, pois tem a estrutura molecular adequada. Estas moléculas que recebem são chamadas de “receptores”, assim como a fechadura “recebe” a chave que você introduz deliciosamente no orifício respectivo e dá algumas “mexidinhas” para conseguir o seu intento, que é entrar de vez.

Agora imagine que o Ric… digo, algum moleque das redondezas coloque cola dentro do burac… digo, da fechadura. Você não poderá enfiar a chav… não, sim, é chave, sim! Bem, a cola não deixa você enfiar a chave, a fechadura não vai girar, a porta não vai abrir e você vai dormir ao relento, pegar uma constipação e morrer de hipotermia. Que a terra lhe seja leve!

Assim, o mais lógico é impedir que a ação chave-fechadura da insulina seja interrompida. Para tanto, é preciso prevenir a ação da galectina-3. Lembram-se da parte que ela é codificada pelo gene LGALS3? Pois foi essa a abordagem de Olefsky. Ele removeu geneticamente a galectina-3, além de usar inibidores químicos para dar conta dessa proteína safada. Ao remover a proteína do mal, Olefsky e seu pessoal foram capazes de reverter a resistência à insulina diabética e intolerância à glicose em ratos. Os ratinhos voltaram a ter sua insulina funcionando normal, apesar da obesidade permanecer inalterada.

A pesquisa foi publicada no periódico Cell (com direito a Paywall do Inferno)

Um comentário em “Pesquisadores revertem resistência à insulina

  1. Mostraram como e porque o principio funciona, agora é continuar os testes em ratos, passar para símios depois humanos (de acordo com os padrões de segurança), viu como se faz pessoal da fosfo?

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