Vendo uma notícia me lembrei do passado. Não é pouco comum que muitas invenções e descobertas acontecem por mero acaso. Mas o caso que vou relatar é um acaso que já aconteceu antes e pelo mesmo motivo, resguardados alguns detalhes.
O químico Willian Perkin, trabalhava como assistente de um eminente cientista Felix Hoffman, descobridor a aspirina. Perkin trabalhava sem descanso em seu pequeno laboratório caseiro, estudando a oxidação da fenilamina, também conhecida como anilina, com dicromato de potássio (K2Cr2O7). Certa vez ao fazer a reação entre estes compostos, apareceu um estranho precipitado; após jogá-lo fora, e lavar os resíduos do frasco com álcool, Perkin se admirou com o aparecimento de uma bonita coloração avermelhada. Tratava-se de um novo o corante, que mais tarde o denominou “Púrpura de Tiro”.
Depois de 156 anos, cientistas da Universidade Estadual do Oregon fazem outra descoberta, também por acaso. Eles descobriram um modo de sintetizar uma bela cor azul, a partir de compostos aquecidos a mais de 1000 ºC.
Corantes de coloração azul sempre são problemáticos. Amntigamente, pigmentos eram obtidos triturando-se minerais coloridos. No caso do azul, triturava-se lápis-lazúli (que, por ser uma pedra preciosa, conferia um preço bem caro ao corante e aos tecidos tingidos com essa cor) entre outros compostos. Maiores informações sobre corantes, vocês poderão ler AQUI.
Os pesquisadores estavam tentando desenvolver compostos com novas propriedades eletrônicas, misturando o óxido de manganês, de coloração preta, com outros produtos químicos e aquecendo a mistura fortemente. Foi então que Mas Subramanian, professor de ciência dos materiais, percebeu que uma das amostras a qual um dos alunos de pós-graduação participantes da experiência acabava de remover do forno possuía azul.
No calor intenso de quase 1.100 ºC, os ingredientes formaram uma estrutura cristalina na qual os íons de manganês absorvem os comprimentos de onda do verde e vermelho e só refletem o azul. Quando resfriado, o óxido portador de manganês mantém essa estrutura alternativa.
Vemos corpos coloridos simplesmente por causa de sua capacidade de absorver e/ou refletir a luz. Se um corpo deixa passar toda uma emissão luminosa, sem refletir um só comprimento de onda, este corpo será transparente. Ele ele refletir todas as cores do espectro eletromagnético, o corpo parecerá branco aos nossos olhos. Se ele absorver todas as cores, parecerá negro. Quando ele absorve determinados comprimentos de onda, costumam refletir os demais até nossos olhos (lembrando que o olho humano só consegue identificar comprimentos de onda que vão do vermelho até o violeta, e que comprimentos de onda do infra-vermelho para baixo, ou do ultra-violeta para cima, são invisíveis aos nossos pobres olhos).
Os demais ingredientes utilizados na mistura foram o óxido de ítrio, de coloração branca, e óxido de índio, de cor amarela clara. Tais substâncias foram necessárias para a estabilização do retículo cristalino formado pelo óxido de manganês. Quando um dos ingredientes é deixado de fora, a cor azul não aparece, o que infere uma participação na absorção dos comprimentos de onda complementares à cor azul.
Qual a utilidade disso? Com novos métodos de obtenção de corantes, pode-se ter menores custos nos processos de fabricação, barateando o preço que chega ao consumidor final. Claro que em teoria, posto que o capitalismo não segue muito essa parte de baratear um lado para baratear do outro. Mas, enfim, a Química não pode ser responsabilizada por isso, pode? ;)
Fonte: Terra Notícias
