ENEM terá esquema especial para atender judeus e adventistas

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O que significa a expressão “todos são iguais perante à lei”? Ao meu ver, seria de esperar que um Estado proveria condições iguais a todos os seus cidadãos. Não é o caso do Brasil, onde há inúmeros favorecimentos a diversos grupos de pessoas, em detrimento de outras. Mas se os direitos são iguais, por força de lei, então temos algo que não deveria haver num sistema de leis: contradições.

A prova do ENEM – a ser realizada em 3 de outubro – terá um sistema especial, para atender candidatos que professem religiões onde devem – segundo seus preceitos religiosos – resguardar o sábado, como judeus e adventistas do sétimo dia. No sistema de dias,segundo a tradição judaica, a noite precede o dia. Assim, o shabat começa a ser contado no crepúsculo de sexta-feira e terminando no crepúsculo do sábado. Os adventistas são diferentes, e duvido que eles mesmos saibam QUE HORAS começa o seu sábado. Mas e os demais alunos?

Em notícia veiculada pelo jornal O Globo, sabemos que o comitê organizador do ENEM decidiu criar um esquema especial para os estudantes que forem participantes de religiões em que o sábado deve ser guardado. O referido exame será aplicado no fim do dia. E por quê? Porque temos que respeitar as religiões.

Isso pode soar lindo e um exemplo de tolerância, mas eu vejo de outra forma. Eu vejo que isso é privilegiar uns, enquanto que outros terão que seguir o dia normal, sendo impedidos de adentrar às salas de exame caso passem da hora da entrada. O que é certo, então?

Num país como o nosso, onde fraudes são coisas comuns, realizar dois esquemas para aplicação das provas é convidar os maus intencionados a agirem de forma a burlar a segurança. Na notícia não é divulgado se a prova será a mesma; mas acho que nem no Brasil seria assim. Ou seria? Quem me garante que não haverá vazamento do gabarito? Em 2007, o concurso pra professor público foi anulado por vazamento do gabarito. Isso não pode acontecer de novo? Por suspeita de fraude, a Universidade Estadual de Londrina anulou concurso da Sanepar. Qualquer pesquisa no Google mostrará o tanto de fraudes que acontecem nos concursos públicos no país.

“Mas o ENEM não é um concurso público e não podemos chamar judeus e adventistas de desonestos”, dirão alguns. Estão certos quanto a isso, não podemos afirmar essas coisas. Podemos afirmar que o ingresso nas Universidades ficou muito mais fácil com a nova política de usar o ENEM como fator para aprovação nos sistemas vestibulares, onde um governo estúpido – ao invés de melhorar a educação pública – cria subterfúgios para ampliar o número de aprovações nos sistemas de seleção. O ENEM não foi criado para colocar alunos em faculdades, assim como a CPMF fora criada APENAS para ajudar o SUS. Sabemos bem no que deu, nos dois casos.

Criar dois critérios é um convite à fraude, pois eu posso muito bem alegar que sou judeu. Vão fazer o que? Verificar se eu sou conhecedor da Torah ou me examinar para saber se sou circuncidado? Quanto ao primeiro, passarei tranquilamente; sobre o segundo… bem, não é de interesse de ninguém. Isso é discriminação religiosa. Por que católicos não podem fazer a prova em um dia que queiram? E se minha religião disser que eu só posso fazer a prova na segunda-feira? O que farão? Chamar uma equipe de teólogos para discutir o caso?

Por que, então, não fazer a prova no domingo? Talvez, porque não podemos deixar de assistir ao Faustão ou alguma outra tosqueira televisiva… Ah, sim! Domingo é Dia do Senhor e de Missa! (sem falar que é dia de venerarmos o Grandioso Deus Sol!)

Não é uma questão simplesmente de respeito religioso. Um Estado é OBRIGADO a respeitar TODAS as religiões, assim como é OBRIGADO a dar condições iguais a TODOS os seus cidadãos. Quando você favorece uns, e não outros, você não está respeitando as religiões; está DESRESPEITANDO a equidade entre todos os seus cidadãos. Privilegiar determinado grupo com datas e horários especiais, sistemas de cotas, bolsas-qualquer-coisa etc não faz um país mais democrático, pelo contrário! Faz um país que não respeita suas próprias leis, faz um país se mostrar desgovernado, dirigido apenas com medinho de ofender alguns grupos, propiciando que pessoas mal-intencionadas tirem proveito. (claro que há o fator “voto”, mas eu creio que não preciso comentar sobre isso. Preciso?)

Esse é nosso Brasil, um país em que um funcionário público que faz o seu trabalho é demitido, a fim de manterem favorecimentos e interesses próprios.

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Sobre André Carvalho

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