Aprendendo mais sobre o efeito placebo em alcoólatras

Num recente experimento, realizado pelo Dr. Ben Colagiuri da Universidade de Sidney, Austrália, e seus colegas, uma amostra de pacientes dependentes de álcool receberam naltrexona, acamprosato ou placebo durante 12 semanas. Embora não houvesse diferenças de resultados entre os grupos de tratamento, aqueles que acreditavam que tinham tomado medicação verdadeira consumiam menos bebidas alcoólicas e relataram menor dependência do álcool e cravings. O estudo foi publicado na Psychoterapy and Psychosomatics.

O cloridrato de naltrexona (vulgarmente conhecido por naltrexona, ou pela marca Revil, comercializada pela ) é indicado como parte do tratamento do alcoolismo e no tratamento da dependência de opióides (como heroína, por exemplo); na verdade, só se notou que o naltrexona bloqueia o prazer proporcionado pelo álcool, fazendo com que a pessoa não sinta mais vontade de beber, controlando o alcoolismo. Já acamprosato foi um medicamento desenvolvido propriamente no combate do alcoolismo. Maiores informações sobre alcoolismo, vocês poderão ler no Psicosite.

O que os pesquisadores fizeram, foi proporcionar um teste chamado “duplo-cego”, isto é, um ensaio onde nem o paciente nem o examinador sabe o que está sendo utilizado como variável em um dado momento. Em outras palavras, os pesquisadores entregaram os dois medicamentos citados acima, mais um comprimido de efeito placebo (que não é um remédio, apenas “parece” ser remédio) aos médicos que iniciariam o tratamento. Nem o médico nem o paciente sabiam o que estava sendo administrado, se remédio de verdade ou placebo.

Isso pode parecer algo bem sádico, mas na verdade é um dos testes mais confiáveis, pois reside no fato do examinador não conseguir influenciar (mesmo que de forma inconsciente) o paciente. Tipo: “Olha, estamos com um novo medicamento. Não sei o que ele faaz e você será a minha cobaia. HAHAHAHAHA!”

O paciente poderá ter duas atitudes. Em um caso, ele pensará “legal, assim vou melhorar mais rápido”, ou pode ser “Caraca, estou bem ferrado! Nunca mais verei meus familiares. Buáááááá”

O que os pesquisadores examinavam era até onde o fator psicológico sempre influencia no processo de cura. Se o paciente estiver animado, ele melhorará mais rápido do que aquele que apresentar níveis de depressão. Por isso, os chamados duplo-cegos, controlados por placebo, visam controlar o impacto da expectativa de resultados. Todos os resultados são tabelados e analisados para saber o a eficácia do medicamento, como no caso proposto. De posse dos dados, verificar a viabilidade de usar o teste de duplo-cego nesse caso.

A análise clínica dos efeitos da naltrexona e o acamprosato de dependência do álcool (usando o placebo como parâmetro de comparação), investigou esta questão. Neste ensaio, 169 pacientes dependentes de álcool receberam naltrexona, acamprosato ou placebo durante 12 semanas. Além de ser apreciada em diversos índices de dependência do álcool, eles foram questionados se eles acreditavam que receberam medicação ativa ou placebo.

Embora não houvesse diferenças de resultados entre os grupos de tratamento, aqueles que acreditavam que tinha sido tomada medicação de verdade consumiam menos bebidas alcoólicas e relataram menor dependência do álcool e o chamado craving (o desejo intenso por determinada substância). Para maiores informações sobre craving, leiam este artigo na Scielo.

Estes resultados salientam as diferenças entre a administração do tratamento em ensaios clínicos e do padrão a prática médica, uma discrepância que pode, por vezes, diminuir a validade deste tipo de ensaios. Assim, convém aos cientistas usarem vários métodos de pesquisa, de modo que tenham um panorama amplo, com a menor taxa de erro possível. Por causa disso, pesquisas de medicamentos demoram décadas, até que se tenha certeza completa (ou quase) de sua eficácia e, por fim, possa ser comercializado. É esse investimento de tempo e dinheiro que acarreta, muitas vezes, os altos preços dos remédios.

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