Se alguém tivesse coragem de aproximar-se da estrela, conseguiria ouvir as ondas sonoras: mais ou menos, a nota fá.
Burrows admite: as ondas sonoras talvez não expliquem tudo. Mas seu modelo tende a produzir uma explosão irregular, e as estrelas de fato explodem de maneira assimétrica, com mais força em umas direções do que em outras. Foi o que ocorreu na supernova 1987A, há 20 anos, a mais próxima e brilhante supernova desde a de 1604.
Indícios fortes em favor da hipótese da onda sonora podem vir de duas instalações imensas – em Hanford, no estado de Washington, e em Livingston, na Louisiana -, projetadas para detectar ondas gravitacionais, ou seja, crispamentos na textura do espaço e do tempo. Tais ondas, postuladas pela teoria da relatividade geral de Einstein, deveriam produzir-se sempre que massas imensas fossem sacudidas e retorcidas, exatamente o que ocorre no núcleo de uma supernova.
Se as ondas sonoras de fato atuam no interior de uma estrela em colapso, esta deveria vibrar apenas em determinadas freqüências, gerando ondas gravitacionais compatíveis. Burrows estima que, se uma supernova ocorrer em nossa galáxia ou nas proximidades, os dispositivos de detecção já existentes poderiam captar esses sinais – indicadores de um ruído muito, muito alto.
Portanto, as estrelas acabam com um estrondo. Woosley, até hoje apreciador de espetáculos pirotécnicos, está encantado. “É como se Deus tivesse feito o universo só para mim.”
Para saber mais:
Dos Pitagóricos às Estrelas
O que é um Buraco Negro?
