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Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

A questão do casuísmo

A presença da ciência em nossos dias é o que se chama de truísmo – uma verdade tão clara que enunciá-la se torna uma redundância das mais desnecessárias. Ninguém negaria que vivemos em um mundo em que os frutos da ciência cada vez mais se tornam presentes em nossa vida cotidiana. E esses frutos não se limitam a essa gama de ferramentas da vida prática e material que o desenvolvimento da tecnologia possibilitou. Mais do que isso, adentram o mundo do pensamento e das visões de mundo.

Eis aí outro truísmo: o crescimento da ciência é responsável pelo aumento da adesão aos pareceres científicos na própria sociedade não-especializada – isto é, ao menos no setor cientificamente alfabetizado da população. Tal fato é assim tão evidente pois é claramente visualizado hoje e mesmo à luz da história (nas épocas “não-científicas”, não houve difusão do “pensamento científico” na sociedade [Ex.: Idade Média]; nas épocas “científicas”, deu-se o contrário [Ex.: Séculos XVII/ XVIII]; e hoje, por excelência uma época de alto desenvolvimento da ciência, há, comparativamente, um número elevado de pessoas que confiam nas capacidades da ciência).

Tudo muito nítido. Entretanto, diante desse cenário é inevitável o surgimento de questões. Uma delas é o cerne deste texto. Trata-se da não muito notória – mas importante – questão do casuísmo.

“Casuísmo” é uma palavra bastante apropriada para o que se propõe a significar aqui. Significa “aceitação passiva de ideias ou de doutrinas”, segundo o dicionário Aurélio. Sim, é algo que muitos de nós estenderiam a áreas como política ou religião. Mas hoje, tempo da aproximação da ciência às pessoas comuns, ela tem sido usada com alguma frequência em relação ao próprio campo científico.

Talvez você, leitor, se tiver algum conhecimento quanto ao debate “ciência x religião”, já tenha reconhecido a natureza do problema que será tratado aqui. Ele é mais conhecido, e mais facilmente explicável, pela pergunta “A ciência não se tornou uma espécie de religião hoje em dia?” Ou, em outros termos, “A ciência não estaria sendo aceita passivamente, isto é, casuisticamente?” É claro que essas são interrogações que se voltam à relação entre o público leigo e a ciência, aquele público que, exposto ao pensamento científico, passa a aceitá-lo sem, contudo, ser nele um especialista. Mas, então, será que aquelas perguntas teriam um “sim” como resposta? Seriam inteiramente válidas? Pelo que veremos, há que se distinguir dois sentidos na pergunta. Um é meia-verdade; o outro é pura perfídia.

Existe um texto de George Orwell intitulado “Como sei que a Terra é redonda”, em que ele parafraseia Bernard Shaw a respeito justamente do que se poderia chamar de “casuísmo científico”. Ele toma o exemplo da teoria da Terra redonda, propondo-se a defendê-la com seu arsenal de argumentos. Em primeiro lugar, diz poder refutar a teoria da Terra plana por meio da mera observação dos mastros de navios sumindo aos poucos no horizonte. Mas não se segue a essa observação que a Terra seja redonda. Assim, ele se imagina debatendo com um advogado da teoria da Terra oval. Ele apresenta outros argumentos simples que julga poderem invalidar a teoria da Terra oval, mas todos são frágeis. Por fim, como última alternativa, recorre ao apelo à autoridade: “O Astrônomo Real, que tem obrigação de saber, diz-me que a Terra é redonda.”

Orwell se coloca no lugar do sujeito comum, que não tem conhecimento bastante em determinada área para ter acesso pleno às provas que servem de base a certa teoria. Por isso, representa a maioria de nós. Claro que o texto citado é um texto da década de 40, e por isso bem anterior à conquista do espaço e da lua pelo homem (eventos que nos deixam com poucas dúvidas; não tanto pelas imagens, mas sobretudo por serem sensatos sob diversos pontos de vista, a menos que sejamos tolos o bastante para aceitar a interpretação dessas conquistas como “espetaculosos logros da Guerra Fria”). Mesmo assim, seu recado ainda é bem vivo. Ainda mais vivo quanto mais a ciência cresce e, proporcionalmente a ela, a aceitação popular.

Disso, podemos depreender que a passividade na aceitação da ciência de fato existe. Porém, há boas razões para não considerar isso um golpe na confiança que é depositada na ciência por aquele setor cientificamente alfabetizado da população (assinalando-se aqui a diferença entre ser cientificamente alfabetizado e ser cientista). Uma boa razão é que a passividade é inevitável quando o assunto é conhecimento. Em outras palavras, não há especialistas em tudo. Da astrofísica à biologia molecular, há muito mais conhecimento do que pode ser absorvido por qualquer ser humano. E que o digam os não-cientistas.

Então, a passividade dos que confiam na ciência não desconsidera a sua confiança, e muito, muito menos a ciência. Esse aparente casuísmo, como foi dito, na verdade esconde uma limitação natural. Todavia, isso não quer dizer que não haja condições mesmo para aceitar leigamente a ciência – decerto muitas pessoas estão por aí a enaltecer a ciência sem compreendê-la, como se ela se tratasse de um reles gosto ou até de uma religião alternativa (o que contribui decisivamente para que a ciência cada vez mais se distorça e para o crescimento das chamadas pseudociências). Assim, existe uma grande diferença entre aderir à ciência como um não-especialista e aderir à religião. Mas isso será tratado mais adiante.

Agora, entraremos no outro lado da história, o lado da má-fé. Se, linhas atrás, nos defrontamos com uma opinião parcial e realmente interessante sobre a questão do casuísmo, agora veremos o outro extremo, que se paramenta à guisa de ceticismo genuíno, mas que na verdade é tendencioso e amedrontado – teme o crescimento do racionalismo e ceticismo científicos.

A origem dessa opinião infundada não está em uma pessoa em particular, nem em alguma instituição ou doutrina que se possa reconhecer facilmente, mas está presente numa faixa razoavelmente esclarecida da população. Essas coordenadas de localização podem não parecer muito precisas, mas se fazem visíveis ao observarmos o mundo dos debates sobre ciência e conhecimento. Lá estão eles, se aproveitando do argumento de Shaw – o qual o próprio Orwell julgou afetado –, e mais do que isso: exacerbando-o sem a menor vergonha. São os que respondem “sim” à pergunta “A ciência é uma religião?”, pretendendo colocar a ciência no mesmo nível da religião no que concerne a fé, credulidade e subjetivismo à flor da pele.

Não são religiosos. Nem loucos a ponto de querer desqualificar a ciência como um todo. Só desejam, na verdade, tirar dela o que há de pensamento humanista e existencial – seu lado mais filosófico. Assim, no máximo são amantes da mais tosca metafísica. Mas quais seriam exatamente os argumentos utilizados por eles para criticar o crescimento da aceitação da ciência?

De acordo com essa linha de pensamento, a revalorização do racionalismo hoje não passaria de uma versão pós-moderna da “quimera iluminista” ou de uma variação do sonho furado dos positivistas. O Iluminismo, como se sabe, foi um período de intenso louvor da razão e da ciência, em que estas seriam o grande remédio para os problemas da humanidade. Paralelamente, deu-se à ciência o poder de desnudar completamente a realidade. Fizeram-na “onipotente”. Isso, como hoje é claro para todos, não passava de um sonho demasiado alto, assim como o Positivismo, para o qual o mundo era cheio de fatos indutivamente verificáveis.

Contudo, isso tem servido de matéria para a crítica dos desinformados. Eles continuam a dizer que o aumento da aceitação da ciência traduz o ressurgimento de um sonho no qual a ciência tem respostas para tudo, no qual ela tem o poder de interferir em todas as inquietações pessoais e existenciais. Em suma, o que eles querem provar é que a adesão dos leigos à ciência é casuística e que, por isso, seria tão emotiva quanto a religião e estaria tão longe da ponderação quanto ela.

Ao contrário do que pode parecer de início, o que se há de fazer para confrontar o argumento acima não é necessariamente estabelecer a famosa distinção entre ciência e religião baseada na oposição entre o método científico e a fé (pois o que eles criticam não é o método científico – não seriam tão imbecis) . Na verdade, deve-se voltar mais à diferença entre confiar na ciência (uma atitude leiga) e ter fé religiosa. Para tanto, é necessário traçar um paralelo entre as razões que fazem alguém confiar na ciência e as razões que fazem alguém crer nos postulados de sua religião. Com esse fim, vou me valer de uma pequena experiência pessoal.

Lembro-me da primeira vez que assisti a uma sequência de episódios da série “Cosmos”. Penso que foi nesses tempos em que a centelha de desconfiança já existente em mim foi despertada de vez, algo comum a tantas pessoas que assistiram à série de Sagan. Esse despertar, não tenho vergonha de admitir, foi em muito inspirado pelo fascínio provocado pela ideia de um universo ao menos minimamente cognoscível, pela ideia de nós, seres humanos, sermos o próprio universo buscando suas origens. Mas esse fascínio não veio sem antes saltar o estranhamento e a reatividade, não veio sem que o pensamento se esforçasse. E é essa atitude do pensamento que realmente interessa.

Ao acompanhar os primeiros episódios, comecei a reparar que aquele cientista atilado e simpático tinha algo que o fazia diferente de tudo quanto eu já havia visto. Comecei a perceber que suas palavras não eram apenas convincentes e inspiradoras, mas também tinham uma base que as sustinha. Isso, pensei eu, está radicalmente distante do que ocorre com a religião, onde as palavras, apesar de soarem altas e tentadoras, são tão vazias quanto as mais gratuitas afirmações. Era algo não apenas distinto da religião; era oposto: na religião, o discurso, além de vazio, nunca se voltava criticamente contra si; na ciência, além de se falar em provas, o discurso era autocrítico – havia discussão de seus próprios métodos. Então pensei: Que discurso é esse que abertamente se põe à prova, que se propõe a examinar criticamente o seu próprio âmago? Podia ser muita coisa, mas autoritário com certeza não era.

Essa dedução sobre o caráter do discurso já seria suficiente para preferir a ciência à religião, bastando, para desfechar o golpe de misericórdia, reconhecer que todo autoritarismo esconde a falta de razões e o desespero, e, além do mais, gera ignorância e letargia. Desse modo, a imagem do chefe religioso, autoritário e sem boas comprovações para suas asserções, contrasta com a figura do cientista, uma “autoridade não-autoritária” que é capaz de analisar criticamente seu próprio método de conhecimento e, além disso, apresentar razões verificáveis para seus postulados.

A propósito dessas “razões verificáveis”, existe um desmembramento interessante que mostra mais sobre o não-autoritarismo da ciência. Tomando ainda o exemplo de “Cosmos”, pensemos: Faria sentido incitar as pessoas a considerarem parcialmente as provas (algo de fato presente na série) se não se dispusesse de provas ou se as provas fossem falhas? E mais: isso faria sentido tendo em vista a grande repercussão da série, que inspirou um grande número de pessoas a seguir a carreira científica? É claro não. Não faz parte de ser autoritário levar outras pessoas a cutucarem a ferida escondida sob o autoritarismo. Portanto, a ciência, além de discutir sem medo o seu método de conhecer, também é corajosa a ponto de defender e mesmo incitar a democratização de seu conhecimento.

Toda essa argumentação sobre o não-autoritarismo da ciência encontra resumo num trecho de um escrito de Richard Dawkins chamado “Boas e más razões para acreditar”. Trata-se de uma carta à sua filha de dez anos. É um texto que, em sua simplicidade, consegue ser ao mesmo tempo claro e contundente. Eis o trecho:

“É claro que, mesmo na ciência, às vezes nós mesmos não vemos as provas e temos de acreditar no que foi dito por outra pessoa. Eu não vi, com os meus próprios olhos, que a luz viaja à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Mas acredito em livros que me dizem qual é a velocidade da luz. Isso parece “autoridade”. Mas na realidade é muito melhor que autoridade, porque as pessoas que escreveram o livro viram as provas, e qualquer um de nós pode examinar as provas com atenção no momento que quiser.”

Como estivesse a examinar a “autoridade” (que, no texto, é uma das más razões para acreditar) no contexto da ascensão de Maria ao céu – dogma imposto pelo papa em 1950 –, Dawkins conclui:

“Mas nem mesmo os padres afirmam que há provas para a história de que o corpo de Maria subiu para o Céu.”

Aqui fica ainda mais nítida a diferença dos discursos. Enquanto a ciência diz ter as comprovações para o que afirma, a religião muitas vezes nem ao menos finge ter provas: limita-se a exaltar aquilo que julga infalível – a fé.

Mas agora, antes de prosseguir, gostaria já de chamar a atenção para um ponto. Será que tudo o que já foi dito neste texto em defesa da ciência é tão complexo e sofisticado que não possa ser dito por uma pessoa comum? Não poderiam esses argumentos ser usados por qualquer leigo em ciência? Reparem que temos aqui um simples conjunto de pensamentos, acessível a qualquer pessoa, bastando, na verdade, apenas mente aberta e um pouco de coragem intelectual (embora esse “apenas” e esse “pouco” estejam se tornando cada vez mais sinônimo de “muito” hoje em dia). Mas voltaremos a isso mais tarde.

Por ora, deixemos de falar em “autoridade”. Embora a constatação da autoridade no discurso seja um excelente começo para esporear a desconfiança, há outros meios de se chegar às evidências da superioridade da ciência sobre a religião. A seguir veremos umas “pistas” dessa superioridade. Digo “pistas” pois não poderiam ser considerados argumentos no sentido lógico e rígido do termo, muito embora sirvam de mote aos argumentos.

As tais pistas estão em livros de história e história da ciência e das religiões. Ao menos quando comparados criticamente. Na comparação do desenvolvimento histórico da ciência com o desenvolvimento histórico das religiões, podemos observar que, na religião, pouco houve de desenvolvimento. Tivemos, sim, mudanças, mas mesmo assim absurdamente menos que na história da ciência, e, além disso, mudanças geralmente irrelevantes ou negativas. E o que isso nos permite deduzir?

Seria inválido dizer: “a história das religiões contém coisas como Inquisição e fundamentalismo islâmico e por isso a religião não presta”. (Como também, diga-se de passagem, é inválido desprezar a ciência por sua presença indireta em Auschwitz ou Hiroshima). Por isso, os dados por si mesmos não são argumentos. Contudo, não é proibido fazer ilações, não é? O que se pode depreender do fato de o dogma cristão da Trindade não ter desaparecido e do fato de não haver mais netunistas entre os geólogos de hoje, por exemplo? Seria algo isolado, ou o fato de a Trindade ser provada e o netunismo, não? Obviamente não, pois na religião existe esse algo chamado dogma, que pode passar milênios a fio sem ser retocado ou questionado. Já na ciência, especialmente quando ela pode ser chamada sem engano de ciência, todos os postulados são postos à prova, sempre há o ímpeto pela pesquisa e descoberta de novos fatos. Então, na ciência existe um impulso deliberado pela mudança, e na religião as coisas se dão mais à força que por vontade própria (haja vista a Reforma, onde quem fez fluir uma nova vertente do Cristianismo foi um espasmo capitalista, e não um progresso na doutrina).

Em essência, portanto, a ciência busca a evolução, a mudança, enquanto que a religião permanece em constante letargia. Pergunta: o que seria mais confiável, a inércia dogmática, na qual nada é posto à prova ou inquirido, ou a dinâmica da dúvida, a renovação constante para a melhoria?

Essa reflexão abre espaço para uma outra, a qual se pode ter acesso mesmo através de conhecimentos banais sobre o mundo de hoje. Primeiro, é só se fazer uma simples pergunta: o que se seguiria ao comportamento da ciência e ao comportamento da religião que podemos observar na história? A ciência, pelo visto, encontrou um desenvolvimento formidável – a julgar por isso, somos historicamente realizados, dados os avanços em tecnologia e medicina e devido à ampliação de nosso conhecimento sobre o mundo e nossa condição. Quanto a seus males, há pouco que se diga além de que todos são males que não provêm do âmago da ciência, mas sim de sua má utilização pelos donos do poder. A religião, por sua vez, jamais proporcionou à humanidade um progresso ao mesmo tempo duradouro e universal – sua tacanhice não enxerga propriamente a “humanidade”. Na verdade, se tentarmos procurar o que vem da esfera religiosa em nossos dias, encontraremos muito de reprovável, como preconceitos, intolerância e opiniões atrasadas sobre pesquisas científicas, liberdade de pensamento ou demografia.

Mais uma vez, pudemos constatar que a ciência é muito mais coerente que a religião. E o do que precisamos para fazê-lo? Um conhecimento histórico razoável e uma pitada de pensamento crítico. Mas com certeza não precisamos de um diploma de nível científico. Mais uma vez, repito, fomos capazes de fazer juízo da ciência sem sermos, para isso, cientistas.

Além do que foi dito, há, com certeza, mais a se dizer, seja como aprofundamento do que já se disse, seja como novos argumentos. Contudo, eu me limitarei apenas aos que pus aqui. São, a meu ver, o primeiro passo para sustentarem a aceitação verdadeira da ciência.

Assim, chegamos a uma conclusão importante: mesmo a aceitação leiga da ciência exige um esforço do pensamento. Não é algo sem base, algo vazio e fervoroso como a religião. Por mais crédulo que possa parecer o mero “simpatizante” da ciência, por mais que sua atitude possua sim certa passividade, ele consegue fugir da crença cega na medida em que lança mão de artifícios críticos para construir uma base inicial à sua confiança. E essa atitude, corajosa e ativa, está muito distante daquela palavrinha com cuja definição deu-se mote a este texto: Casuísmo.

Não, não se pode chamar de casuísta o esforço do pensamento ou o esforço pela aquisição de conhecimento. Não obstante tais esforços sejam o meio mais acessível de aproximação da ciência, não deixam jamais de terem validade. A este modo, ao invés de nos contentarmos com o que se dissemina feito praga pelas cabeças incautas da humanidade, ao invés de aceitarmos palavras insidiosas daqueles que desprezam a razão e o ceticismo, faremos questão de pensar, conhecer e perguntar. Aí encontraremos algo que não é nem a salvação nem a encarnação da perfeição, mas que, em relação ao resto, é incomparavelmente melhor. E o mais reconfortante é: o faremos sem que para isso precisemos de muito a não ser coragem e ímpeto pelo saber. Porque para apreender o espírito da ciência e do ceticismo não é necessário ser um fazedor de conhecimento científico (cientista), mas é preciso tão-somente saber pensar e não se deixar intimidar por tradições e dogmas, por um lado, ou pela grandeza e complexidade da existência, por outro.

Sobre Danilo Franklin

Meramente um jovem sorumbático que, diante da complexidade da existência, se vê obrigado a ter certeza acerca de suas certezas.

  • Antonio Sanches Parra

    “Não é porque não saibamos responder todas as questões importantes da humanidade, é que temos que inventar uma resposta.”

    Quando algo não é conhecido devemos dizer simplesmente que não sabemos e mais nada pode ser feito, a não ser que somos charlatões e estamos com o puro interesse de enganar.

    Os místicos, falsificaram a lógica, são desonesto e covardes,pois ficam na escuridão do desconhecido, tem medo da luz (Ciência), pois facilmente serão desmascarados.

    Tratam-se a ciência como se fosse uma “entidade mística”, a ciência é a coisa mais honesta que a humanidade criou, feito com o esforço daqueles que são livres pensadores e livres de qualquer amarra e que domesticaram o monstro que assombra a todos DEUS.

    Só essa que faltava agora, temos os devotos da santa ciência.

    Não existe casuísmo, a ciência não é formada por base na metafísica, a realidade científica tem como alicerce a investigação e o logicismo . O modelo esta a qualquer momento sujeito a alteração.

    O mundo possível e aquele que criamos, se alguém tem idéia melhor que crie e soma-se desenvolvendo o progresso da humanidade, tudo esta aberto.

    Meus Irmãos venham para a luz e a luz o salvará, ela garantira paz de espírito e grandeza de caráter, você tornará um super-homem e não esmorecera diante de qualquer dificuldade, pois não precisara mais mendigar, você mesmo resolvera os seus problemas de cabeça erguida, a inteligência se fará mister. Essa luz é a Filosofia da Ciência.

  • Antonio Sanches Parra

    Estava esquecendo, Dant Frank, muito lúcido e corajoso texto, Parabéns.

  • Affirma

    Ótimo texto.
    O mundo assombrado pelos demonios, do Carl Sagan, vai na mesma linha do texto em várias oportunidades, inclusive poderia ter servido de citação na mesma linha do Dawkins.
    Parabéns!