Da vida nada se leva, e você vai virar um banquete para bactérias, fungos ou algum pigmeu canibal (aqueles que comem pessoas pelo bom e mal sentido). Eu acho que ser doador de órgãos deveria ser obrigatório (já foi, mas "não pegou"), enquanto que, de minha parte, eu quero que meus restos sejam doados para uma faculdade de medicina, para que os alunos estudem, aprendam e evitem que se repita o que quer que haja comigo. Este será meu último ensinamento, minhas últimas informações a serem dadas.
Na Unioeste, a falta de corpos nas aulas de anatomia chegou a ser problema sério. Ter corpos depende unicamente de receber corpos. E esses corpos não aparecem vindo de um acontecimento em Raccoon City. Esses corpos precisam ser doados. Seria possível dar um jeito nisso? Sim, é.
Continuar lendo “Modelos impressos em 3D podem ajudar nas aulas de anatomia”

Qualquer um que lecionou em colégio sabe que volta e meia temos vontade de meter a porrada em um, outro aluno ou chama a turma toda para a porrada, mesmo no caso do cara dar aula em colégio estadual, com mais de 60 alunos em cada turma (só falo na presença dos meus advogados).
Estamos em períodos de altas contas de luz, abastecimento problemático, ainda mais com a seca nos reservatórios. Mesmo se não fosse isso, economizar sempre é legal e o bolso agradece. Mas com ensinar as crianças sobre isso? Sim, porque na minha modesta opinião (modesta nada, eu amo as minhas opiniões!), para você ensinar algo, tem que ser de forma completa. Não pode simplesmente dizer "Olha, crianças, tem que apagar as luzes, tá?". Não é concreto, não é visual, as crianças não entendem direito o motivo. Mesmo que economizem, não há aprendizado e sim doutrinação. Isso não é ensino.
Ontem, no Paraná, as hostes do Senhor do Escuro enfrentaram os hobbits. Do alto da Torre de Orthanc veio a ordem para o confronto. As trompas soaram e o pau comeu na casa de Noca. A Demo Cracia brasileira ribombou e mais de 200 pessoas saíram feridas quando um grupo de visigodos atacou pobres policiais militares. Armados de réguas, apagadores e bastões de giz, professores maníacos investiram contra os servidores que estavam lá e mal garantiram sua integridade física, tendo unicamente escudos, balas de borracha, cacetetes, sprays de pimenta e totalmente protegidos.
Ser professor é uma bosta, mas professor de Química sofre duplamente. Primeiro porque todo mundo diz que odeia a sua disciplina (até um diretor de colégio falou isso pra mim!). O segundo sofrimento é ter que sempre ouvir besteiras sobre como fazer explosivos e drogas. Porque, né?, Química só serve pra isso. Então, você dá um esporro no moleque para protegê-lo de si mesmo, acaba indo parar na Coordenação, porque o educando traz uma bagagem ou outra besteira paulofreireana, e tem vontade de aprender.
Ensinar é muito legal. Mais legal ainda é receber por isso. Não tão legal é participar daquelas reuniões sacais, que não levam a nada e que não se resolve nada. Sério, se você gosta de reunião pedagógica, você é masoquista. Elas são úteis, se as fizessem serem úteis. Alguém já lhe deu sugestões sobre o que fazer da sua aula? Não, só criticam que sua aula tem que ser atraente. Você pergunta como e vem a versão paulofreireana "te vira!"
As escolas públicas de São Paulo não são um paraíso. Nenhuma escola pública é, nem mesmo nos EUA. Mas, de fato, a Secretaria Estadual de Educação faz jus ao ditado que um relógio quebrado está certo duas vezes por dia. Lá mandam materiais e kits para experimentos de Química, os professores passam por uma prova do mérito, no qual podem ganhar um aumentinho a mais, além de serem estimulados a cursar um mestrado ou doutorado (o que eu acho inútil. Ou você tem competência pra dar aula, ou não tem. Mestrado não te dará isso, mas enfim).
Bem, eu resolvi que este será o primeiro de uma série de artigos, como os de já enorme sucesso