
Desde os anos 1960, as histórias em quadrinhos estabeleceram uma fórmula narrativa irresistível: radiação transforma o comum em extraordinário. Bruce Banner vira o Hulk depois de ser bombardeado por raios gama. Peter Parker ganha seus poderes por causa de uma aranha radioativa. O Quarteto Fantástico é exposto a raios cósmicos no espaço. A mensagem era clara: pegue um ser vivo comum, adicione radiação, mexa bem e pronto: superpoderes garantidos! Então, quando fotos de cachorros completamente azuis circulando pela Zona de Exclusão de Chernobyl começaram a viralizar na internet em outubro de 2025, a reação coletiva foi exatamente o que décadas de cultura pop nos condicionaram a pensar: “Pronto, a radiação finalmente criou mutantes de verdade!”
Se em algum lugar do planeta cachorros azuis radioativos fariam sentido, seria em Chernobyl, por motivos que eu acho que não preciso explicar. Dá até para entender o entusiasmo; o problema? A explicação real é simultaneamente mais mundana e mais nojenta do que qualquer ficção científica conseguiria imaginar. Continuar lendo “Os Cachorros Azuis de Chernobyl”




Adolescência é aquele período chato depois da infância. Enquanto crianças acham que sabem tudo e pensam ser capazes de mandar nos adultos, os adolescentes têm certeza. O pior é quando o vagabundinho de 30 anos ainda age como um moleque de 13 (anos ou QI); e se isso já é insuportável em seres humanos (dizem que adolescente é gente), é pior nos cães.
O Apollo é um golden retriever de 8 anos. Quando sua dona ficou doente, ela ganhou o Apollo e foi muito importante na sua recuperação. Assim, ela viu que o Apollo seria importante para outras pessoas.
Eu já escrevi várias vezes sobre cães. Cães são as melhores pessoas! Isso vai desde o garboso collie até o vira-latas caramelo. Não existe cão como o caramelão amigão! Já falei também como eles nos escolheram para sermos amigos deles numa simbiose de amizade em que eles cuidavam de nós em troca de uns petiscos que sobrava.
Eu já falei aqui várias vezes. Cães e lobos são a mesma espécie. Sim, eles são muito diferentes, mas eu também sou diferente do Capitão América (não tão diferente do Thor, agora). Também falei que não fomos nós que domesticamos os lobos até dar origem aos nossos cães. Foi algo mútuo. Cães acharam que era uma boa ideia ficar perto de nos, já que sempre sobrava uns bocados e eles nos serviam como alarmes e companheiros de caça. Humanos e cães evoluímos conjuntamente, e essa evolução acarretou numa diferençazinha entre cães e lobos. Cães possuem musculatura ocular num arranjo que lobos não têm.
Nós e nossos cães temos uma relação de dezenas de milhares de anos. Não é apenas sentimentos, ambos aprendemos que convivência é extremamente benéfica para ambos e, com isso, traçamos laços. Sim, interesse. Nosso e deles. Cooperação é sempre mais favorável que competição por recursos. Aprendemos a honrar nossos companheiros em vida e depois da morte. Isso se dá em vários grupos de animais, como macacos e até mesmo elefantes. Humanos aprenderam a fazer rituais de sepultamento mais complexos, e assim evoluiu até a chamada cultura Yamna, uma cultura da Idade do Cobre/Idade do Bronze do final do 3º ao início do 2º milênio AEC. Este grupo de humanos que existia ao longo do rio Dnipro, na região das estepes da Crimeia, perto do estuário do rio Danúbio e nas regiões a leste da Ucrânia até os Urais. Pelo fato dessas culturas usarem fossas profundas para enterrar famílias inteiras, ficou também conhecida como “Pit Culture”, com os mortos sendo cobertos com ocre vermelho e colocados em decúbito dorsal ou nas laterais com as pernas flexionadas.
Boa parte das pessoas gosta de um bichinho de estimação, principalmente cães. Eu me lembro do Erasmo, meu vira-latas nanico vindo de um pequinês (eu tinha uns 8 ou 9 anos). Erasmo era muito legal. Ainda mais com 3 crianças que nem sempre queriam comer. Daí a gente dava pro Erasmo, e ele acabou acostumando a comer comida de casa, mesmo (por sinal, ele era louco por macarronada). Hoje temos mil e uma rações, mas algumas pessoas acham que cão é lata de lixo e dá as sobras cruas dos alimentos que não foram para a panela.