Houve choro e ranger de dentes. Pessoal indignado com a exposição do Santander. Outros achando que ensinar sexualidade em escolas é um crime contra a Humanidade e os que defendem isso deveriam ir pra Haia serem julgados, tendo o ECA como lei que proíbe que se ensine que meninos têm pinto e as meninas tem pepeka. Nossas crianças têm que ser protegidas e é por isso que podemos contar com a família, amigos e o clero, já que falta mais Jesus no coração das pessoas.
O problema é que alguns pastores acham que não devem só implantar Jesus nos outros, mas outras coisas também. Continuar lendo “Pastor vai em cana por querer pegar adolescente, e você preocupado com Santander”

John Scopes era um professor de escola pública. Em 5 de maio de 1925, ele foi preso e enviado a julgamento. Seu crime foi ter ensinado fora das leis que estipulavam o que os alunos poderiam aprender, de forma que não fossem desviados dos bons costumes da família americana. Contrariando esta decisão, Scopes resolveu ensinar assim mesmo e pelo crime de corrupção de jovens foi jogado na cadeia. O que ele estava ensinando? Evolução, o que era crime de acordo com a Buller Act do Tennessee.
Às vezes ficamos mal-acostumados com coisas erradas e quando vemos certas ações ficamos, gratamente surpresos. Enquanto o Brasil pseudociência como ordem do dia, o SUS apresenta “alternativas” de cura, como danças holísticas e toda face de bobagens, como homeopatia entre outras insânias e até Reiki, aquela bobagem de ficar dando “passe”, usando energias vindas provavelmente do reto. Já o pessoal do Império onde o Sol Nunca Se Põe não tem essa de achar isso lindinho, mandando um desses safados que curam câncer apenas com energia vinda sei-lá-de-onde para ser hóspede da Rainha, não necessariamente no palácio de Buckingham.
Com a nova canetada juizeira que exorcismos, digo, cura gay tem validade, eu apontei o quão isto era imbecil, claro, as mentes puras, cândidas e totalmente tapadas, que não sabem como bancada religiosa funciona, disseram “não, André. Ninguém está falando de cura gay ali. O juiz estava falando de pesquisas clínicas e pesquisadores não podem ficar impedidos de atuar por causa daquela resolução do Conselho Federal de Psicologia.
Tem horas que eu fico com algumas dúvidas na minha cabeça. Não sei se estamos vivendo numa teocracia fundamentalista ou as pessoas simplesmente são estúpidas, mesmo, colocando a culpa na religião para não terem que dar satisfações. Não que juízes sintam alguma necessidade de se explicarem por qualquer merda que façam, como qualquer agente de trânsito pode confirmar. Agora, um juiz do Distrito Federal acha que não tem problema nenhum tratar homossexuais, de forma que acabem com esse negócio de serem gays.
Eu acho muito importante o diálogo e o respeito que devemos ter pelas religiões e as pessoas que acreditam nestas bobagens. Todo ano, há uma Marcha Para Jesus, como forma de desagravo ao respeito e tolerância religiosa. Eu acho tão legal que penso até que os cristãos poderiam seguir isso também.
O Brasil é um excelente lugar. Um lugar em que há respeito mútuo, liberdade individual e de expressão. O Brasil é formado pelo respeito às diferenças e oferece total liberdade de credo e pensamento. O Brasil é realmente muito bom… ou seria, já que tem um sério problema: brasileiros. Sim, brasileiros; aqueles que acham que têm direitos, mas não deveres, que exigem liberdade e tolerância para com suas opiniões e crenças, mas é incapaz de respeitar qualquer um que não siga suas convicções.
Deus não é bom. Talvez nem seja mau. Se ele é um deus acima de tudo, como dizem os religiosos, ele não deveria ter características humanas. Você não se preocupa com o que nasce no ralo do seu banheiro, não é mesmo? Por que um deusão poderosão teria um mínimo de sentimentos característicos dos seres humanos? Isso não faz sentido do ponto de vista lógico, não é mesmo?
Léo Montenegro era um articulista do jornal O Dia, do Rio de Janeiro. Em suas crônicas, sempre tinha alguma situação engraçada, com personagens diversos. Desde a senhora gorda, até um negão e um sujeito com capacete de Jim das Selvas. Era o cotidiano insano de subúrbio que, em quase todas as histórias, acabava com pessoal saindo na porrada.