Matírio. Um sofrimento sem propósito, na maioria das vezes (pra não dizer quase sempre). Grupos religiosos clamam para si que mártires jamais fariam a burrada de se submeter a sofrimentos por livre e espontânea vontade se não houvesse um propósito maior. Isso até tem um certo grau de fundamento, EXCETO se não prestarmos atenção aos detalhes. Não é uma questão de "fulano se matou em honra ao seu deus, logo seu deus existe". Fulaninho se matou (ou se deixou matar) por dois motivos: 1) É idiota; 2) Ele acreditava que estava honrando seu deus. Há vários exemplos na história da humanidade e um dos que mais gosto são os kamikases, que montavam no avião cheio de explosivos e se atiravam nos navios americanos, crentes que eram o vento sagrado (a tradução de "kamikase"), honrando o deus-vivo: o Imperador.
Pessoas matando e morrendo em nome de seus(s) deus(es) não é novidade e não começou com os seguidores do Jim Jones ou o tosco do Justino Mártir. Isso foi evidenciado em muitas culturas, como os arqueólogos que descobriram um sítio arqueológico com restos do que seria um ritual de sacrifício que data da época pré-inca. E o que se vê lá é aterrador.

Eu vejo com reserva certas atitudes. Não creio eu que ritos religiosos devam ser misturados de qualquer jeito ou pode acabar em problemas, e a experiência mostra que isso é mais regra que exceção. Um exemplo é quando misturam rituais católicos (como missas, por exemplo) e ritos africanos. Os dois têm tanto amor conjunto como um judeu hassídico adoraria participar de uma reza numa mesquita sunita.
Se Jesus tivesse realmente existido, ele estaria que nem a imagem ao lado. O problema nem é com ele, mas com o seu fã clube, que não perde a oportunidade de seguir os ditames do Príncipe da paz, Maravilhoso Conselheiro, o Consolador (êpa!) e glorioso filho de Deus. Aqueles conselhos maravilhosos sobre amor e harmonia, pregando a paz entre os homens de boa vontade. O problema é que os homens lá na Igreja da Natividade estavam com vontade de sair na porrada. Até polícia foi envolvida da peleja.
Todo ano eu sempre digo que adoro natal. Talvez, por isso, eu sempre insisto em postar mensagem de natal e no fim-do-ano. Já tive pessoas me xingando por isso, já que, na mente obtusa delas, eu estou defendendo e reforçando a existência de Jesus, nosso mendigo amigo. Eu realmente devo ser bastante influente para uma mensagem minha de natal ser responsável pelo sucesso do cristianismo enquanto doutrina. Acho que o Papa devia me pagar laudênio.
Sempre achei os testes de fé algo bem idiota. Justino Mártir pode ser visto como herói e santo pelos católicos, mas tão-somente era um imbecil que resolveu encher o saco das autoridades, sendo executado não por ser cristão, mas puramente por ser um pé-no-saco. Passado um certo tempo, ciosos religiosos presunçosos resolveram que o hype de se sacrificar tinha passado, era mainstream demais. Então o lance era fazer os outros testarem a sua fé, de preferência arrumando um modo de passar os bens caso confessassem, digamos, que eram adeptos de bruxaria ou algo assim. Claro que uma tortura básica ajudava na pesquisa.
Eu fico pensando no ponto que o mundo chegou. Pensamos que os séculos e mais séculos de civilização fizeram as pessoas melhores. Tenho sérias dúvidas quanto a isso. A única coisa que ficou patente é a liberdade que não temos. Chegamos no pior pesadelo de qualquer autor de ficção científica ou que verse sobre aspectos sociais. 1984 já não é mais um futuro distópico. Não é nem uma coisa nem outra. É passado já, já está em nossas vidas, não temos como voltar atrás, só que é muito mais aterrador que qualquer coisa que Orwell ou Huxley pudessem imaginar. O Grande Irmão é exatamente seu irmão, aquele que está ao seu lado, lhe vigiando.
Estamos chegando no fim. Do ano, da minha paciência e da picada. As coisas naquela Terra de Ninguém chamada "Oriente Médio" nunca foram normais, ainda mais se levarmos em conta que o pessoal lá conversava com cobras falantes, ficava dando rolé no deserto por uma porrada de tempo só pra ver um terreno e um hippie andou fumando cigarrinho que Jeová não fuma e teve umas ideias estrambólicas. Com o passar do tempo, as coisas foram só piorando, já que o máximo em termos de "evolução" social que teve por lá foi… nenhuma! Ainda vivem como se vivia há uns 1000 anos, a despeito do óleo preto solto na pista.
Há uma certa ironia em nossa existência. Se realmente existe um deus, ele adora pregar das suas inclusive com seus seguidores. Aliás, seguidores estes que não seguem exatamente o que o próprio deus que eles veneram manda. Isso acaba em deliciosas vinganças, ainda que não intencionais, e o melhor exemplo disso aconteceu com a Igreja Católica das Filipinas, que mandou um link para que seus fiéis visitassem, sendo uqe o link é do site de um travecão, daqueles magnííííííííficoooooooooos.
O mundo não está ficando melhor. O número de idiotas que pensam que são espertos aumenta a cada dia. Para contrabalançar isso, o número de gente estúpida aumenta numa taxa muito maior, o que acarreta no aparecimento do primeiro tipo. P. T. Barnum salivaria se conhecesse o mundo digital, tendo verdadeiros orgasmos ao se deparar com a Internet. Recebi por estes dias uma "ofertas" de uma vidente de nome Tara. Ela prometeu resolver todos os meus problemas. Ela é tão boa vidente que conhece meus problemas, principalmente os problemas que eu sequer sabia que tinha! Depois ela até me mandou uma "vidência gratuita" e realizando um "estudo aprofundado em sua [minha] intenção durante várias horas, para a ajudar o mais depressa possível…"
Ao ler o início dessa notícia até fiz um menear de cabeça em aprovação, até ler a publicação inteiramente, e vocês entenderão o porque. Antes, vamos examinar o que a notícia diz: De acordo com uma pesquisa, pais ateus tendem a adquirir o hábito de festejos religiosos se tiverem crianças em casa. Isso até faz um certo sentido, se aprendermos as diferenças entre uma tradição, um rito, uma religião e um evento social. Der Teufel steckt im Detail.