Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam

Sabe quando os mais velhos dizem que antigamente tudo era melhor? Eles não estavam errados. Olhe ao redor e preste atenção. Da geladeira ao Sistema Operacional, dos carros até um forno, em que é preciso logins, e senhas, e IA, muita IA, cheio de IA e para que? Para você sentar na frente da TV e colocar um programa preferido, driblando comerciais. Uma pesquisa te dá tudo, menos o que você está pesquisando. Isso tem um nome: Enshitification, o, como eu prefiro traduzir livremente: esmerdalhamento das coisas. Continuar lendo “Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam” →

Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo

Existe uma maneira extremamente cara de vencer uma corrida tecnológica. Você investe centenas de bilhões de dólares em pesquisa, forma engenheiros durante décadas, constrói fábricas, ergue data centers do tamanho de bairros inteiros e torce para chegar primeiro. E existe outra muito mais barata: convencer quem está na frente a pisar no freio.

A história da tecnologia está repleta desse tipo de disputa, e ela nunca fica restrita a laboratórios e patentes. Sempre que uma inovação ameaça reorganizar mercados inteiros, a batalha se muda para a política, os tribunais, a imprensa, as audiências públicas e, cada vez mais, as redes sociais. Continuar lendo “Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo” →

Artigos da Semana 313

Hoje é dia do jogo do Brasil. Escrevi isso aqui sem saber o resultado, e isso nem tem algo a ver com os textos, que vão desde um imbecil que trabalha como guia e não sabe o caminho até o câncer que se recusa a morrer passando pelo México tendo o seu próprio Batman.

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A anunciaram a próxima desculpa para o preço das memórias. Dica na imagem de abertura

O Meio Bit publicou esta semana uma reportagem que merece ser emoldurada como obra-prima do eufemismo corporativo. Martin Hiegl, diretor executivo de Soluções Avançadas da Lenovo, durante a ISC High Performance 2026, avisou a plateia que os preços de memória RAM e NAND “talvez nunca mais” voltem ao patamar de antes da explosão da Inteligência Artificial, e ainda fez questão de soltar essa bomba em tom jocoso, como se estivesse contando uma piada e não anunciando que o consumidor vai pagar a conta por pelo menos cinco anos, “e um pouco além disso”

A Microsoft, generosa, já adiantou que os preços devem dobrar até 2027, depois de reajustes superiores a 2,5 vezes só neste ano. Tudo isso porque Samsung, SK Hynix e Micron, que juntas controlam de 90% a 95% do mercado mundial de DRAM, decidiram que é mais lucrativo fabricar memória HBM para data centers de IA do que abastecer o resto da humanidade com DDR4 e DDR5 comuns. Continuar lendo “A anunciaram a próxima desculpa para o preço das memórias. Dica na imagem de abertura” →

Artigos da Semana 312

Esta semana eu fiz vários artigos mostrando s mazelas do mundo tecno-digital atual. Desde guerra de publicidade até controle de pessoas, passando por ilusão de um mundo em concorrência até os lados nefastos do fechamento da Internet sem levantar muros claros. Aliado a isso, a forma tacanha do Brasil em eliminar o índice de reprovações.

O mundo moderno é maravilhoso e sempre vai ter gente dizendo que ama viver no futuro…. se é que sabem o que “viver” significa.

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O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos

Na quarta-feira, dia de São João, 24 de junho de 2026, enquanto os venezuelanos assistiam ao chão se abrir sob seus pés, o governo brasileiro descobriu algo igualmente sísmico: a CazéTV estava anunciando casas de apostas durante a Copa do Mundo (coloquem vocês mesmos o gif do Pikachu Surpreso). A Secretaria Nacional do Consumidor, com a urgência de quem acabou de perceber que a água é molhada, abriu investigação contra o canal de Casimiro Miguel, que doravante será chamado de JovemTV porque sim, já que eu sou o dono desta bagaça. O foco da investigação é a publicidade irregular de bets nas transmissões do mundial.

O país todo parou para contemplar a gravidade da situação. As emissoras tradicionais, por sua vez, contemplaram a cena da plateia com a serenidade de quem sabe que o holofote não está apontado para elas. Continuar lendo “O roto regulando o esfarrapado: Governo promove Caça às Bets mas não as dos amigos” →

A concorrência digital morreu no meio do almoço

Diógenes Laércio é meu filósofo favorito. Ele caminhava pelas ruas procurando um homem honesto com uma lanterna. Acharam-no louco, mas ele sabia, como todo filósofo cínico, ele sabia o que iria encontrar; era a busca a verdadeira questão. Agora, imaginem Diógenes percorrendo o Vale do Silício com sua lanterna em pleno meio-dia. Não está procurando um homem honesto dessa vez. Está procurando concorrência. A lanterna continua acesa; o resultado é parecido. Continuar lendo “A concorrência digital morreu no meio do almoço” →

Foguete dá ré e balão em investidor otário

Existe uma arte que os grandes do Capitalismo dominam com perfeição e raramente discutem em voz alta: lucrar duas vezes com o mesmo ativo. Primeiro na subida, depois na descida. O IPO da SpaceX, concluído em junho de 2026, é o capítulo mais recente de uma história muito mais longa e muito menos inocente do que parece.

A SpaceX abriu capital em 12 de junho no Nasdaq a US$ 135 por ação, chegou a US$ 225,64 quatro dias depois – tornando Elon Musk o primeiro trilionário da história, embora esse dinheiro não exista propriamente dito – e hoje negocia em torno de US$ 155. Mais de US$ 600 bilhões evaporaram em oito dias. Para quem comprou no pico, a experiência tem sido dolorosa. Para quem sabia o que estava fazendo, foi um plano executado com a precisão de um lançamento do Falcon 9.

Quem já viu esse filme dezenas de vezes sabe o final. Continuar lendo “Foguete dá ré e balão em investidor otário” →

A Internet pública e livre morreu. As empresas privadas venceram

Nos anos 1990, havia um vilão claro na História da Internet: as redes proprietárias pertencentes ao que hoje chamam de Big Techs (na época eram chamadas de empresas fidaputas, mesmo). Havia a AOL, a CompuServe e a Microsoft, com sua Microsoft Network (abreviada para MSN, que se resumiu a um serviço de mensagens instantâneas) recém-lançada. Eram serviços que funcionavam como condomínios fechados: você pagava a mensalidade, entrava no ambiente controlado pela empresa, consumia o conteúdo que ela selecionava e não saía dali para lugar nenhum. Bill Gates chegou a escrever um livro inteiro, A Estrada do Futuro, celebrando esse modelo de conectividade, sendo que parte da maravilha que ele descrevia era, convenhamos, a própria rede da Microsoft. A Internet aberta mal aparecia.

As pessoas reagiram com indignação saudável. Não queriam jardins murados. Não queriam intermediários decidindo o que podia ser lido, publicado ou discutido. Queriam um bosque a ser explorado, uma rede descentralizada, livre, construída sobre protocolos públicos que nenhuma empresa controlasse. Lutaram por isso e conseguiram. E foi lindo enquanto durou. Continuar lendo “A Internet pública e livre morreu. As empresas privadas venceram” →

Artigos da Semana 311

Bola ainda tá rolando na Copa do Mundo, o mundo continua as mesmas loucuras de sempre, Inglaterra tinha imposto de janelas, zoológico na Torre de Londres, uma dona vendeu a filha adotiva em troca de um macaco, mas não o macaco ladrão que levou embora jóias de uma morta. A insânia está à solta!

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