
Se você já se perguntou como um vilão medieval se tornava vilão de verdade (e não apenas aquele rei chato que cobrava impostos absurdos), a resposta está condensada em um único livro. Um livro que, por sinal, andava circulando pelas melhores bibliotecas da Europa durante séculos, com a mesma normalidade que livros de auto-ajuda tipo “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas”, que foi febre lá pelo início dos anos 2000. Esse livro se chama Picatrix, e ele é, sem exagero, um dos documentos mais estranhos, mais mórbidos e mais fascinantes que a Idade Média nos legou.
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A trapaça começou no mundo quando dois caras cismaram que iam se dar bem, mas só um deles conseguiu. Deram um upgrade e a sentença virou “quando o primeiro esperto encontrou o primeiro otário, nasceu a primeira religião”. Quem deve estar sendo lembrado disso a todo instante é um Zé Ruela de Maringá, no Paraná. Mesmo sendo um comerciante, ele achou que estava fazendo um bom negócio ao contratar uma mãe de santo para fazer ele ficar rico, ter prosperidade etc etc
Eu adoro a África (mentira. Eu não quero ir pra lá, e você também não. Você quer é ir pra Nova York que eu sei!). A África é um continente todo zuado; uma espécie de Brasil em níveis continentais (até o formatinho é parecido!). Lá ainda temos tribos vivendo como no tempo das cavernas (não muito diferente de nossos índios daqui), em que alguns chefes governam com mão de ferro e bem gostam das maravilhas e tecnologia ocidentais (como nossos índios daqui), vivendo muito bem, obrigado, e a grande maioria da população tribal ainda vive como seus antepassados viviam há milênios (como nossos índios daqui), ainda mantendo crenças tolas e rudes, como… adivinhe!
Eu gosto de xamãs. Eles invocam uma cultura milenar, quando o homem era ligado à Natureza e era totalmente dependente de seus dissabores para sobreviver. Os caprichos da Natureza era uma questão de vida-e-morte, e saber entender os menores indícios era a garantia de uma tempestade cataclísmica não lhe pegasse desprevenido.
O Brasil ainda está na Idade Média. Enquanto nós esquecemos cientistas e contratamos índios mágicos para controlar o tempo (sem sucesso), temos pseudociência rolando a torto e a direito, temos também uma população burra, estúpida, iletrada, inculta, imbecil, ignorante e totalmente alienada, que acha que com uns “passes” pode mudar as coisas como um passe de mágica. Médicos estudam anos a fio para saberem menos que uma tiazinha desdentada e analfabeta, que recomenda umas reza aí, mizifio.